Oito rodadas, duas urgências: Grêmio precisa destravar o ataque enquanto Inter aposta na reconstrução de Baptista para fugir do Z-4 - FutebolRS
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Oito rodadas, duas urgências: Grêmio precisa destravar o ataque enquanto Inter aposta na reconstrução de Baptista para fugir do Z-4

Por: Redação FutebolRS 13/10/2026 Notícias
Após o empate no Gre-Nal 455, Tricolor e Colorado seguem na zona de rebaixamento do Brasileirão. Mas os caminhos até os 43 pontos da salvação são bem diferentes.
Especial · Brasileirão

13 de outubro de 2026 · Porto Alegre · Redação

O calendário não perdoa e a tabela não mente: faltam oito rodadas para o fim do Brasileirão, e tanto Grêmio quanto Inter seguem dentro da zona de rebaixamento depois do empate por 1 a 1 no Gre-Nal 455. O clássico não resolveu nada — só confirmou o que já se sabia. Um precisa reaprender a fazer gol. O outro, ainda aprendendo a confiar em si mesmo sob um novo comando. A reta final que começa agora separa os dois rivais por mais do que a tabela indica: separa também a dificuldade do caminho que cada um terá de percorrer até abril virar outubro de novo com os dois na Série A.

A equação dos 43 pontos

Segundo o Departamento de Matemática da UFMG, a pontuação necessária para escapar do descenso vem caindo conforme a 30ª rodada se completa. Um time que somar 43 pontos tem apenas 13% de chance de cair; com 42, o risco sobe para 33,7%. Na prática, os dois gaúchos já sabem a meta: 43 pontos devem bastar, embora o número ainda possa se mover conforme as rodadas avancem.

O Inter está na 17ª posição, com 32 pontos e 48,7% de chance de rebaixamento, conforme a mesma projeção estatística. O Grêmio soma 31 pontos — resultado de 26 como mandante e apenas cinco como visitante — e carrega a maior probabilidade de queda entre os dois rivais: 64,4%.

Inter

17º lugar · 32 pontos

48,7% de chance de rebaixamento (UFMG). Soma dos pontos dos próximos oito adversários: 316 — média de 39,5 pontos por rival.

Grêmio

Zona de rebaixamento · 31 pontos

64,4% de chance de rebaixamento (UFMG). Soma dos pontos dos próximos oito adversários: 360 — média de 45 pontos por rival.

A diferença não é sutil. O Grêmio enfrentará, em média, rivais consideravelmente mais fortes do que os que aguardam o Inter nas oito rodadas finais — um detalhe que pesa tanto quanto a tabela de classificação em si.


O ataque que não aparece

No Olímpico e na Arena, o problema do Grêmio tem nome e sobrenome, mas sobretudo tem números: o time marcou apenas 32 gols em 30 rodadas, o terceiro piso ataque do Brasileirão. Só ficaram atrás a Chapecoense, já praticamente rebaixada, com 29 gols, e o Corinthians, em crise, com 31.

Carlos Vinícius, centroavante gremista, não balança a rede há seis partidas. No Gre-Nal de domingo, finalizou apenas uma vez a gol — isolado na frente, sem abastecimento. Com a saída de Willian, o empréstimo de Monsalve e a venda de Gabriel Mec, Renato Portaluppi não tem hoje um meia de criação genuíno à disposição. A aposta recente foi Krovinovic, improvisado na armação, sem o impacto esperado.

"Eu converso bastante com ele, por exemplo, falo que ele tem que pisar na área. Ele é meia, certo? Contrataram ele como meia, certo? Então ele tem que pisar na área. Não sou eu que tenho que falar para ele: olha, você joga muito longe da área." Renato Portaluppi, técnico do Grêmio, sobre Krovinovic

O plano de Renato passa por tirar Carlos Vinícius do isolamento, pedindo que um dos pontas sempre acompanhe o centroavante pela área — e não mais pela linha de fundo, como no modelo anterior. No domingo, porém, Amuzu e Pavon seguiram distantes do gol, somando cinco finalizações, quase todas de média distância.

"Falta qualidade e confiança. Num time com a média baixa de gols, parece que tudo o que é normal e natural numa equipe se torna uma tarefa quase que inalcançável. O esquema também não ajuda. Ou se muda o esquema, ou se mudam nomes e, claro, treino. Muito treino." Jader Rocha, narrador do Gre-Nal 455 no Premiere

O fantasma de 2009

Há um precedente incômodo para o torcedor gremista: somente Grêmio e Vitória, até aqui, não venceram nenhum jogo como visitantes no Brasileirão. A última vez que o Tricolor viveu um jejum parecido foi em 2009, sob o comando de Paulo Autuori, quando a equipe teve apenas uma vitória fora do Olímpico na temporada.

"Naquele ano, as dificuldades se deram principalmente pela troca de comando. O Paulo alterou o padrão e apresentamos certa dificuldade. Toda mudança de comando gera um pouco de dificuldade. Do ponto de vista anímico, vai depender dos resultados." Marcelo Rospide, auxiliar técnico do Grêmio em 2009

O problema de mando, por ora, não é urgente — o próximo compromisso do Grêmio é na Arena. Mas a conta vai cobrar: fora de casa, o Tricolor ainda terá pela frente Coritiba, Flamengo, Santos e Corinthians. Com exceção dos cariocas, dona da melhor campanha como mandante da Série A, os outros três rivais não têm aproveitamento sólido em seus domínios — o que, ao menos no papel, abre uma brecha. Em casa, porém, o caminho é mais pesado: Cruzeiro, Athletico-PR, Bahia e Mirassol, três deles com ambições de Libertadores.

Além do Brasileirão, o Grêmio ainda disputa a semifinal da Copa do Brasil contra o Atlético-MG — um compromisso que pode roubar energia e atenção justamente no trecho mais decisivo da luta contra o descenso.

Inter: a confiança que renasceu em duas semanas

Do outro lado do Guaíba, a sensação é de fôlego recuperado. Eduardo Baptista, contratado em 23 de setembro após a saída de Paulo Pezzolano, somou quatro pontos em dois jogos — e mais do que isso, devolveu ao grupo uma referência tática clara em pouco tempo.

Os números comprovam a mudança de postura: o Inter saltou de 29 desarmes nos dois últimos jogos de Pezzolano para 54 nos dois primeiros sob Baptista. As ações de pressão também cresceram, de 290 para 377 — um time que passou a marcar mais alto e recuperar a bola com mais intensidade.

"É uma equipe que busca roubar a bola do adversário, fizemos três gols assim, em uma pressão mais alta. E sofremos pouco. Conseguimos passar a ideia." Eduardo Baptista, técnico do Inter

A estratégia do treinador foi deliberada: evitar uma reformulação profunda e priorizar ajustes que o elenco conseguisse assimilar rápido, dando segurança em um momento de pressão extrema pela permanência.

"Quando cheguei aqui, minha primeira tarefa era dar tranquilidade para o time. Precisamos disso para escapar dessa situação. Por isso, definimos um time e passamos a trabalhar essa equipe." Eduardo Baptista, técnico do Inter

A resposta apareceu também na fala dos jogadores. Mercado, que precisou se adaptar à saída de Maripán e à entrada de Juninho na zaga, destacou a adaptação ao novo comando.

"Como toda troca de comissão, todos eles têm suas ideias. Trabalhamos durante duas semanas. Nós já jogávamos com linha de cinco com Pezzolano. Perdemos o Maripán. Entrou o Juninho. Estamos tentando fazer tudo que ele pede." Víctor Mercado, zagueiro do Inter
"Conseguimos colocar dentro de campo muita coisa que foi feita durante o período de treinos. Nós compramos a ideia do Eduardo Baptista." Matheus Bahia, lateral-esquerdo do Inter

No Gre-Nal 455, a avaliação do próprio Baptista foi de que o Inter dominou o primeiro tempo, mas perdeu rendimento na etapa final — justamente quando saiu Alan Patrick, hoje desfalque confirmado para o duelo contra o Mirassol. Ainda assim, a equipe limitou as chances do rival e saiu com um ponto que, no contexto da reconstrução, não foi tratado como derrota moral.

"Trabalhamos por 15 dias. Eu observei bastante e defini uma equipe para dar segurança aos jogadores e estou dando confiança para o time. Priorizamos trabalhar a parte técnica e mental." Eduardo Baptista, técnico do Inter

Uma tabela mais amigável

Além da evolução dentro de campo, o Inter tem um alívio extra: os próprios rivais diretos vivem momentos turbulentos. O Grêmio não vence no Brasileirão desde o triunfo sobre a Chapecoense, em 30 de agosto. O Mirassol perdeu um pênalti nos minutos finais contra o Bahia e pode ter entrado em espiral negativa. Já o Corinthians acumula nove derrotas seguidas, levou 4 a 1 do Palmeiras, viu o zagueiro Gabriel Paulista criticar publicamente a direção por atrasos salariais e anunciou Seedorf, que não comandava um clube desde 2019.

Na tabela que resta, o Inter também sai em vantagem: em casa, pegará Botafogo, Coritiba, Vitória e Bragantino — nenhum deles entre os líderes. Fora, o desafio inclui Mirassol, Fluminense, Vasco e Cruzeiro. Já o Grêmio terá, entre os mandantes que enfrentará em casa, times com ambições de Libertadores, e fora de casa, rivais que atravessam fases inconsistentes, mas ainda assim de outro patamar técnico.

"É a hora dos ajustes finos, poder assistir ao jogo com calma. Passamos esses dois jogos, que eu entendia como um momento bastante difícil. Sexta-feira é outra final. Como contra o Botafogo vai ser outra final. Conheço bem o Mirassol, vamos ter que trabalhar bastante para fazer um Inter cada vez mais forte nessa reta final." Eduardo Baptista, técnico do Inter

O que está em jogo nas próximas rodadas

Se vencer o Mirassol fora de casa na próxima sexta-feira, o Inter sai do Z-4. É o primeiro teste real da reconstrução de Baptista contra um rival direto fora do Beira-Rio. Para o Grêmio, o próximo compromisso é em casa, na Arena — mas a pressão pelo primeiro triunfo como visitante na temporada só aumenta a cada rodada que passa, assim como a urgência de Renato Portaluppi em encontrar uma fórmula que devolva gols a um time que marcou menos do que quase toda a Série A.

Com 32 e 31 pontos, Inter e Grêmio seguem separados por detalhes finos na tabela, mas por uma distância considerável no grau de dificuldade dos jogos que restam. O Colorado aposta na confiança recém-construída por Eduardo Baptista e numa tabela mais branda. O Tricolor precisa, em oito rodadas, resolver um problema que persiste desde o início da temporada: fazer gol. A matemática da salvação já está escrita — os 43 pontos. Falta aos dois rivais a parte mais difícil, que é fazer o resultado em campo.

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