No apagar das luzes, Alerrandro cobra pênalti, Inter vence o Coritiba e dorme fora do Z-4
- Sem Alan Patrick, Inter escala Carbonero para duelo direto contra o rebaixamento no Beira-Rio
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Teve noite em que o gol demora tanto a aparecer que a própria torcida esquece de respirar. Foi assim no Beira-Rio: um jogo travado, nervoso, sem brilho, que só se resolveu quando o cronômetro já marcava os acréscimos. Alerrandro, criticado e até vaiado em lances anteriores, cobrou o pênalti com a frieza que faltou ao time inteiro durante os 90 minutos e deu ao Inter uma vitória de 1 a 0 sobre o Coritiba, nesta terça-feira (3), pela 34ª rodada do Brasileirão. O resultado tirou o Colorado da zona de rebaixamento, ao menos até a rodada seguinte, e o colocou na 16ª posição, com 38 pontos.
Um primeiro tempo sem fluidez
Sem Alan Patrick, lesionado e fora da partida, o técnico Eduardo Baptista apostou em Carbonero para ocupar o espaço do principal armador do time. A ausência pesou. O Inter começou pressionado e sem naturalidade para construir jogadas, enquanto o Coritiba, bem postado atrás, administrava o jogo com tranquilidade.
Aos 16 minutos, Tinga tabelou com Pedro Rocha e recebeu de volta dentro da área, mas finalizou fraco, facilitando a defesa de Kauan Jesus. O Colorado só respondeu aos 22, em cobrança de escanteio de Matheus Bahia que Juninho cabeceou com força, exigindo boa defesa de Pedro Morisco.
O time gaúcho cresceu a partir daí e teve a chance mais clara do primeiro tempo aos 32 minutos: Bruno Gomes cruzou com perfeição e Matheus Bahia, surgindo como elemento surpresa, cabeceou à queima-roupa. Morisco fez um milagre para evitar o gol. Quatro minutos depois, veio o susto: a zaga colorada falhou em um lançamento, Breno Lopes recebeu na direita e balançou as redes, mas o lance foi anulado por impedimento. A etapa ainda teve um voleio perigoso de Thiago Maia, desviado pela zaga do Coxa, antes de terminar sem gols — uma produção muito abaixo do que a necessidade colorada exigia.
Segunda etapa de pressão e desespero
O segundo tempo começou com um contra-ataque que quase saiu: aos 3 minutos, Alerrandro pegou a sobra de um escanteio mal afastado pelo Coritiba, mas o lance morreu nos pés de Bruno Gomes, que não teve velocidade para concluir. Aos 6, o próprio Alerrandro girou sobre a marcação de Tiago Cóser e bateu, mas Morisco espalmou. Aos 15, Thiago Maia recuperou a bola e acionou Vitinho, que cruzou para Carbonero cortar para dentro e finalizar — mais uma defesa do goleiro paranaense.
Sem encontrar caminhos, Eduardo Baptista fez a primeira mudança aos 21 minutos, trocando Matheus Bahia por Bernabei. Carbonero tentou de novo aos 28, de fora da área, sem sucesso. Aos 30, o técnico colorado reforçou o ataque com as entradas de Calebe e Bruno Henrique, nos lugares de Aguirre e Thiago Maia. Seis minutos depois, chegou a vez de João Bezerra e Ronaldo substituírem Carbonero e Bruno Gomes, numa aposta de tudo ou nada. Aos 40, Mercado ainda cabeceou para fora após escanteio cobrado por Bruno Henrique.
O pênalti que mudou a noite
Quando a esperança colorada parecia se esgotar, aos 46 minutos, o ex-zagueiro do Inter Rodrigo Moledo subiu com o pé muito alto para disputar uma bola aérea e acertou o ombro de Juninho. No campo, o árbitro Fernando Antonio Mendes de Salles Nascimento Filho não marcou nada, mas foi chamado ao VAR e reviu a decisão: pênalti para o Inter.
— O Moledo vai com o pé muito alto. Ele tenta disputar a bola com o jogador do Inter, levanta a perna e atinge com as travas da chuteira o ombro do Juninho. Para mim é pênalti — analisou Diori Vasconcelos, comentarista de arbitragem da Rádio Gaúcha.
Na cobrança, aos 49 minutos, Alerrandro não tremeu. Bateu forte, no alto, sem chances para Pedro Morisco. O gol, que veio do pé do jogador que horas antes era vaiado pela própria torcida, selou a virada de página de uma noite inteira de sufoco.
Destaques da partida
Alerrandro
Desperdiçou chances no primeiro e no segundo tempo, mas manteve a confiança para bater com perfeição o pênalti decisivo nos acréscimos.
Pedro Morisco
Fez ao menos quatro defesas importantes pelo Coritiba, incluindo um milagre em cabeçada de Matheus Bahia no primeiro tempo.
Alan Patrick
A ausência do armador, substituído por Carbonero na escalação, deixou o Inter com dificuldade de construção durante boa parte do jogo.
Rodrigo Moledo
Ex-zagueiro colorado, cometeu o pênalti que definiu o jogo contra o time que defendeu no passado.
Ficha técnica
| Internacional | Kauan Jesus; Bruno Gomes (Ronaldo, 36'/2°T), Mercado e Juninho; Aguirre (Calebe, 30'/2°T), Villagra, Thiago Maia (Bruno Henrique, 30'/2°T) e Matheus Bahia (Bernabei, 22'/2°T); Carbonero (João Bezerra, 36'/2°T), Vitinho e Alerrandro. Técnico: Eduardo Baptista. |
| Coritiba | Pedro Morisco; Tinga, Tiago Cóser, Jacy e Bruno Melo; Thiago Santos (Richard, 38'/2°T), Sebas Gómez, Nicolás Fonseca (Vini Paulista, 24'/2°T) e Josué; Breno Lopes (Lavega, 24'/2°T) e Pedro Rocha (Bustos, 24'/2°T). Técnico: Guilherme Bossle. |
| Gol | Alerrandro, pênalti, 49'/2°T |
| Cartões amarelos | Vitinho, Mercado e João Bezerra (Inter); Tiago Cóser e Nicolás Fonseca (Coritiba) |
| Arbitragem | Fernando Antonio Mendes de Salles Nascimento Filho (PA), auxiliado por Nailton Junior de Sousa Oliveira (CE) e Acacio Menezes Leão (PA). VAR: Caio Max Augusto Vieira (GO) |
| Local | Beira-Rio, Porto Alegre |
| Público | 36.412 (33.507 pagantes) |
| Renda | R$ 1.514.667,00 |
E agora?
A vitória tira o Inter do Z-4 e leva o time à 16ª posição, com 38 pontos — a mesma pontuação de Vasco e Vitória. Mas o alívio pode ser temporário: Grêmio (37 pontos) e Corinthians (36 pontos) entram em campo nesta quarta-feira (4) e, em caso de vitória, podem devolver o Colorado à zona de rebaixamento antes mesmo da próxima rodada. O Inter só volta a jogar no dia 19 de novembro, contra o Vasco, em São Januário — tempo que a comissão técnica de Eduardo Baptista terá para corrigir os problemas de criação apresentados sem Alan Patrick em campo.