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Diego Souza é suspenso por 360 dias após usar licença falsa de treinador

Por: Redação FutebolRS 03/11/2026 Notícias
Ex-atacante do Grêmio e técnico do Joinville é condenado pelo TJD-SC por utilizar documento comprado de esquema fraudulento argentino, e ainda terá de pagar multa de R$ 20 mil
Bastidores

03 de novembro de 2026 · Santa Catarina · Redação

Carreira que começava a ganhar forma na beira do campo virou motivo de punição pesada. O Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD-SC) suspendeu, nesta terça-feira (3), o técnico Diego Souza por 360 dias. O ex-atacante do Grêmio, hoje no comando do Joinville, foi condenado por utilizar uma licença de treinador falsificada, além de ter sido multado em R$ 20 mil.

O caso é um desdobramento direto do escândalo de licenças fraudadas que atingiu o futebol sul-americano nos últimos meses. Diego Souza está entre os profissionais que compraram o documento falso da Associação de Técnicos de Futebol Argentino (ATFA), negociado pelo ex-volante argentino Alejandro Mancuso — que teve passagens por Flamengo, Palmeiras e seleção da Argentina, e hoje é apontado como o responsável pelo esquema.

Punição definitiva após suspensão preventiva

A condenação desta terça-feira não é a primeira medida tomada contra o treinador. No dia 23 de outubro, Diego Souza já havia recebido uma punição preventiva de 30 dias, enquanto o caso era apurado. Agora, com o julgamento concluído, a pena sobe para 360 dias de suspensão, e o técnico ainda pode recorrer ao Pleno do TJD-SC e, posteriormente, ao Supremo Tribunal de Justiça Desportiva (STJD).

A licença comprada de Mancuso data de 2023, período em que Diego Souza ainda defendia o Grêmio como jogador. Segundo o próprio ex-atacante, em depoimento ao UOL, o argentino se apresentava como "diretor internacional da ATFA" e argumentava que atletas famosos não precisariam passar pelos trâmites tradicionais para conseguir a licenciatura de treinador.

Da estreia como técnico à perda do registro

Diego Souza havia iniciado sua trajetória na casamata justamente à frente do Joinville, assumindo a equipe catarinense na Copa Santa Catarina. Em entrevista concedida à Zero Hora em setembro, antes de o esquema de licenças ser revelado, o treinador comentou sobre os primeiros passos na nova função.

— Então, eu fiz a minha licença, fui estudando ali quietinho e tive essa oportunidade de assumir o Joinville na Copa Santa Catarina e começar a minha carreira de treinador.

O cenário mudou rapidamente quando a fraude ligada a Mancuso começou a ser investigada. No início de outubro, em entrevista coletiva, Diego Souza se colocou como vítima do esquema — um grupo que, segundo apurações, também envolveu outros ex-atletas que alegam ter sido enganados pelo argentino.

— Hoje, eu me arrependo muito disso, porque a gente sabe que ele (Mancuso) fez de má-fé. É um estelionatário. Então, meus advogados já estão tomando conta disso tudo. Vou processá-lo civilmente, criminalmente e vou, sem dúvida nenhuma, me defender do que possa vir.

Na mesma manhã da entrevista, Diego Souza teve seu registro cancelado no BID da CBF. Desde então, o Joinville trabalha para regularizar a situação do treinador junto à entidade, enquanto o processo disciplinar seguia seu curso em Santa Catarina.

Pontos confirmados até o momento: suspensão de 360 dias e multa de R$ 20 mil aplicadas pelo TJD-SC; punição preventiva anterior de 30 dias (23/10); registro de Diego Souza já havia sido cancelado no BID da CBF antes do julgamento definitivo. Recursos ao Pleno do TJD-SC e ao STJD ainda são possíveis.

O caso de Diego Souza se soma a uma lista de técnicos que teriam recorrido ao mesmo esquema para obter credenciais sem passar pelo processo formal de formação, revelado nos últimos meses envolvendo o nome de Alejandro Mancuso. Para o Joinville, a punição representa um novo capítulo de instabilidade no comando técnico, já que o clube agora precisa decidir os próximos passos enquanto a situação documental do treinador é regularizada.

O que vem a seguir: Diego Souza ainda pode recorrer da decisão ao Pleno do TJD-SC e, em última instância, ao STJD. O FutebolRS acompanha os desdobramentos do caso e a situação do técnico junto ao Joinville e à CBF.

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