Na raça, Grêmio empata com o Atlético-MG e garante a 10ª final de Copa do Brasil
Tinha fumaça de pirotecnia no ar, cantoria em todos os cantos da Arena MRV e um torcedor mineiro gritando "eu acredito" antes mesmo da bola rolar. No meio desse clima de arrebentação, bem no centro do temporal que ainda estava por vir, resistiu o Grêmio. O Tricolor sofreu, sofreu bastante, mas segurou a pressão do Atlético-MG neste sábado (7), empatou em 1 a 1 e carimbou, pela décima vez em sua história, uma vaga na final da Copa do Brasil.
O resultado na Arena MRV, em Belo Horizonte, foi construído sobre a vantagem de 2 a 0 que o Grêmio havia levado de Porto Alegre. Carlos Vinícius, artilheiro da temporada, marcou de cabeça ainda no primeiro tempo, anulando o golaço mineiro de Renan Lodi e fechando a eliminatória com números suficientes para a classificação.
A decisão está marcada para o dia 6 de dezembro, em jogo único, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília — a primeira final da história da competição a ser disputada dessa forma. O adversário sai do confronto entre Vasco e Palmeiras, que jogam neste domingo (8), às 17h, em São Januário, com o Vasco precisando reverter a derrota por 1 a 0 da ida.
Pressão mineira, resposta tricolor
Renato Portaluppi manteve a aposta no sistema com três zagueiros. Sem Gustavo Martins, suspenso, Kannemann entrou para formar a linha de fundo com Wallace e Balbuena. Marlon foi para o jogo mesmo com dores na panturrilha, e Noriega e Villasanti seguraram o meio-campo, com João Pedro pela direita. No ataque, o trio formado por Enamorado, Amuzu e Carlos Vinícius.
Do outro lado, o técnico Eduardo Domínguez surpreendeu ao escalar Natanael na lateral e improvisar Igor Gomes como centroavante. A entrada em campo já deu o tom da noite: um show pirotécnico na Arena MRV criou uma névoa tão intensa que atrasou o início da partida em nove minutos.
Com a torcida cantando alto desde o apito inicial, o Atlético-MG dominou o primeiro tempo. Kannemann bloqueou duas finalizações em menos de dez minutos, e Weverton apareceu bem para evitar o gol em chute de Castaño e em cabeçada de Vitão. A pressão parecia inevitável, e aos 26 minutos ela resultou em gol: Renan Lodi recebeu livre na entrada da área e acertou um chute no ângulo esquerdo de Weverton. Golaço que fez a Arena MRV tremer.
O Grêmio, que parecia encurralado, encontrou a resposta no contra-ataque — a marca registrada do time de Renato nesta Copa do Brasil. Amuzu disparou em velocidade após sobra da defesa mineira e foi derrubado por Castaño, última linha antes de Everson, numa falta que poderia ter sido expulsão, mas não foi. Da cobrança, Marlon cruzou na área, Noriega aproveitou o rebote e cabeceou para a área, onde Carlos Vinícius desviou para o gol: 1 a 1, aos 37 minutos.
O empate funcionou como um balde de água fria sobre o Mineirão improvisado em Arena MRV. Até o intervalo, o Grêmio controlou o ritmo da partida, e Wallace saiu de campo cumprimentando os companheiros, no clima de quem sabia da importância daquele gol.
Segundo tempo de administração e um salvamento no temporal
Enamorado, com cartão amarelo, e Marlon, sentindo a panturrilha, não voltaram para a segunda etapa. Renato colocou Dodi e Caio Paulista em campo para fechar ainda mais o time. O Atlético-MG seguiu com a bola, mas sem a mesma intensidade do primeiro tempo.
O Grêmio teve a chance de ampliar: Wallace roubou a bola, tabelou com Carlos Vinícius e saiu de frente para o gol com apenas um marcador, mas a tentativa de passe para Amuzu saiu errada e desperdiçou a oportunidade.
Do lado mineiro, a torcida pediu e viu entrar Fred, ex-Inter, que estava se recuperando de lesão. O meia quase decidiu aos 26 minutos, quando tocou para Renan Lodi, que bateu forte e viu Weverton fazer outra grande defesa. Pouco depois, já sob forte chuva — o temporal avisado pelas autoridades finalmente chegou aos 25 minutos da segunda etapa —, Fred achou um passe entre os zagueiros gremistas para Igor Gomes, e Weverton voltou a salvar o resultado tricolor.
Com o campo alagando e a bola perdendo velocidade, o Atlético-MG ainda sofreu a expulsão de Vitão, nos minutos finais, por falta dura em Braithwaite — outro reflexo do apagar das luzes mineiro na Arena MRV. Depois do apito final do árbitro Ramon Abatti Abel, a festa ficou só com os cerca de 2,5 mil gremistas presentes no setor visitante.
Destaques da noite
Carlos Vinícius — Artilheiro da temporada, balançou as redes de cabeça no momento exato, aos 37 minutos do primeiro tempo, garantindo a vaga na decisão.
Weverton — Mais uma vez o melhor em campo pelo lado gremista, com defesas decisivas em cima de Castaño, Vitão, Renan Lodi e Igor Gomes.
O que eles disseram
Não foram fornecidas falas de jogadores ou do técnico Renato Portaluppi sobre a classificação até o momento.
Dinheiro, Libertadores e o que vem a seguir
A classificação para a final já garante R$ 34 milhões aos cofres gremistas, premiação referente ao vice-campeonato. Caso o Tricolor seja campeão, o valor sobe para R$ 78 milhões. Somando as fases anteriores, o clube já havia faturado R$ 18 milhões desde a quinta fase da competição.
A vaga na final também abre a porta para a Libertadores de 2027 — mas não de forma automática. Para disputar o torneio continental, o Grêmio precisa evitar o rebaixamento no Brasileirão, já que a Conmebol exige que os clubes participantes estejam na primeira divisão nacional no ano seguinte.
Os cenários variam de acordo com o adversário da final. Se for o Vasco, o Grêmio só garante vaga direta na fase de grupos da Libertadores sendo campeão da Copa do Brasil. Já se o rival for o Palmeiras — que já está classificado via Brasileirão —, o Tricolor garante vaga na fase de grupos mesmo em caso de vice-campeonato, desde que permaneça na Série A.
- Final contra o Vasco: Grêmio garante fase de grupos apenas sendo campeão.
- Final contra o Palmeiras: Grêmio garante fase de grupos mesmo como vice.
- Em qualquer cenário, a condição é permanecer na Série A do Brasileirão.
O Grêmio chega à sua décima final de Copa do Brasil depois de ter levantado o troféu em 1989, 1994, 1997, 2001 e 2016 — a última decisão havia sido em 2020, quando o time perdeu para o Palmeiras. Agora, a torcida que tanto empurrou a equipe nas últimas semanas finalmente teve motivo para fazer a festa fora de casa. Mas a temporada ainda não dá trégua: antes de pensar em Brasília, o Tricolor tem quatro rodadas do Brasileirão pela frente, numa briga direta contra o rebaixamento que vai definir se o sonho da Libertadores sai do papel.