Luís Castro embarca para Portugal e evita embate com Renato: "Não seria ético"
Tem embarques que são só despedida e outros que carregam o peso de uma temporada inteira nas costas. Na noite desta terça-feira (20), Luís Castro cruzou o saguão do Aeroporto Salgado Filho rumo a Portugal, mas deixou no ar algo maior do que uma simples viagem: o eco de uma polêmica que não escolheu sair de cena. Questionado pela imprensa sobre as críticas recentes de Renato Portaluppi ao seu trabalho no Grêmio, o português optou pelo silêncio diplomático, repetindo que agir de outra forma "não seria ético".
A conversa durou pouco mais de sete minutos. Nesse tempo, Castro não citou Renato nominalmente, não respondeu provocação por provocação e tratou o momento do Tricolor como algo acima de desavenças pessoais. Para o ex-comandante, a prioridade agora é uma só: o Grêmio precisa de paz para sobreviver à reta final do Brasileirão e seguir vivo na Copa do Brasil.
O silêncio como resposta
Luís Castro deixou o comando do Tricolor em setembro, mas continua acompanhando de perto a repercussão de seu trabalho em Porto Alegre, mesmo de longe. Ao ser perguntado diretamente sobre as falas de Renato, preferiu blindar a própria conduta profissional em vez de entrar na discussão pública.
"Uma coisa importante é que a equipe e o clube precisam de paz até o fim do ano. Disputar a Copa do Brasil e deixar o clube na Série A. Não tenho nada a comentar. Minha conduta profissional me impede. Não seria ético. Não comento o trabalho e palavras do meu colega. Minha conduta profissional é essa."
"Deixamos o time fora do Z-4"
Cobrado sobre sua parcela de responsabilidade na campanha ruim do Grêmio no Brasileirão, o português fez questão de demarcar o período em que esteve à frente da equipe. Segundo ele, é responsável apenas até o dia 10 de setembro — data em que, segundo o próprio treinador, o time ainda estava fora da zona de rebaixamento.
"Não quero debate público. Quero preservar o Grêmio. Trabalhamos e nos dedicamos por completo. Deixamos o time fora do Z-4 e classificados à semifinal da Copa do Brasil."
A fala reforça a tentativa de Castro de separar sua gestão da crise que se agravou depois de sua saída. Mesmo assim, ele evitou qualquer tom de cobrança ou revanche em relação ao sucessor ou à diretoria, repetindo o discurso de que o momento pede unidade, não mais ruído.
"Ninguém está acima do Grêmio"
O ponto mais enfático da entrevista veio quando o treinador falou sobre a forma como recebeu as críticas. Sem se dizer surpreso ou abalado, Castro colocou o escudo do clube acima de qualquer embate de egos.
"Não fico surpreso ou decepcionado. Percebemos que o clube tem muito privilégio e todos devem defender. Ninguém está acima do Grêmio. O prestígio não é vencer ou perder. É ser digno e honesto durante a caminhada."
Multa rescisória sem resposta
Sobre os bastidores da sua saída, Luís Castro afirmou não ter conhecimento do andamento das negociações envolvendo a multa rescisória do contrato. O assunto, que ainda não foi resolvido entre as partes, ficou de fora do discurso público do treinador, que preferiu não se alongar sobre questões contratuais no aeroporto.
Em números, a passagem de Castro pelo Grêmio na temporada somou 50 jogos, com 19 vitórias, 15 empates e 16 derrotas — um aproveitamento de 47%. O português deve retornar a Porto Alegre em algumas semanas e disse torcer para encontrar o clube em situação melhor na tabela do Brasileirão.
Com oito rodadas pela frente, o Tricolor tenta reverter o jejum de vitórias já na próxima partida, diante do Coritiba, fora de casa. O discurso de união pedido por Luís Castro ecoa justamente no momento em que o clube mais precisa dele: dentro do Z-4, sem vitórias recentes e com a torcida cobrando uma reação imediata.