Kaká chora ao entrar no Hall da Fama do Milan antes do Derby della Madonnina
Tem gol que se comemora erguendo os braços pro céu. E tem homenagem que faz o mesmo gesto voltar, mesmo sem bola rolando. Foi assim neste sábado no San Siro: antes da bola rolar para o clássico entre Milan e Inter, válido pela décima rodada do Campeonato Italiano, Kaká recebeu uma placa comemorativa por sua entrada no Hall da Fama do clube rubro-negro e não conseguiu esconder as lágrimas diante da torcida que o viu virar lenda.
O ex-meia brasileiro, hoje com 44 anos, foi anunciado em maio como um dos novos integrantes do Hall da Fama do Milan, junto com o holandês Ruud Gullit e o técnico Carlo Ancelotti — hoje à frente da Seleção Brasileira. Neste sábado, a cerimônia de homenagem aconteceu no gramado do San Siro, horas antes do pontapé inicial do clássico milanês.
Uma era de ouro vestindo o manto rossonero
Kaká desembarcou no Milan em 2003 e por ali construiu a fase mais vitoriosa da carreira. Entre 2003 e 2009, o brasileiro foi protagonista de um time que voltou a dominar a Europa, e retornaria ainda por mais uma temporada, em 2013/14, para fechar o ciclo com a camisa rubro-negra.
Na primeira passagem, acumulou cinco títulos que colocam seu nome entre os maiores ídolos da história do clube: o Campeonato Italiano de 2003/04, a Supercopa Italiana de 2004, a Liga dos Campeões da Uefa em 2006/07, a Supercopa da Uefa de 2007 e o Mundial de Clubes do mesmo ano.
Recordes em destaque
Liga dos Campeões 2006/07
Auge europeu de Kaká com a camisa do Milan, coroado meses depois com a Bola de Ouro.
Título mundial em 2007
Fecha a temporada mais vitoriosa do brasileiro com o clube italiano.
Último melhor do mundo do Milan
Kaká é até hoje o último jogador rossonero a vencer o prêmio de melhor do mundo da France Football.
Prêmio Fifa World Player 2007
No mesmo ano, levou também o reconhecimento da entidade máxima do futebol mundial.
Companheiros de hall: Gullit e Ancelotti
A entrada de Kaká no Hall da Fama não veio solitária. Ruud Gullit, um dos grandes meias holandeses que vestiu a camisa do Milan, e Carlo Ancelotti, que brilhou tanto como jogador quanto como técnico do clube italiano, completam a turma homenageada em 2026. Ancelotti, hoje comandando a Seleção Brasileira, reforça um elo curioso entre o passado rossonero e o presente do futebol nacional: o técnico que ajudou a formar parte da identidade vencedora do Milan agora comanda o país que revelou seu companheiro de hall.
Lágrimas antes do clássico
Ao receber a placa e ouvir a ovação da torcida, Kaká não escondeu a emoção. Antes de deixar o gramado para a partida contra a Inter, ainda fez questão de saudar o público e repetir o gesto que marcou época nos gramados europeus: os braços erguidos para o céu, a mesma comemoração que embalou gols decisivos em noites de Champions League e de Campeonato Italiano com a camisa rubro-negra.
Quase duas décadas depois de erguer a Bola de Ouro como o melhor jogador do mundo, Kaká volta a ocupar o centro do palco no San Siro — não mais pelos pés, mas pela história que construiu ali. A cena de um ídolo emocionado diante da torcida rubro-negra, horas antes de um Derby della Madonnina, reforça como o nome do brasileiro segue costurado à identidade do Milan, mesmo mais de uma década depois de deixar os gramados do clube.