Dibu Martínez revela que dedo quebrado ficará deformado para sempre por ter jogado o Mundial sem cirurgia
Tem dor que passa com o tempo e tem dor que fica gravada no corpo como lembrança permanente de uma escolha. Para Emiliano "Dibu" Martínez, essa lembrança mora na mão direita, numa deformidade que o goleiro vai carregar para o resto da vida. O argentino, campeão mundial em 2022 e vice em 2026, revelou que um dos dedos da mão nunca vai voltar ao normal porque ele decidiu não operar uma fratura para poder jogar o Mundial dos Estados Unidos, México e Canadá.
A lesão aconteceu ainda em maio, durante a final da Liga Europa, enquanto Dibu defendia o Aston Villa. Na época, os médicos deram o diagnóstico que mudaria tudo: se ele passasse pela cirurgia, não teria tempo de se recuperar para a Copa. A escolha foi clara — e o goleiro topou pagar o preço físico para não ficar de fora da competição.
A decisão que selou a deformidade
Em entrevista ao jornalista argentino Gastón Edul, Dibu Martínez explicou por que o dedo nunca mais vai ter o movimento de antes.
"Vai ficar assim pelo resto da minha vida. Se eu tivesse operado, ficaria normal."
A presença do goleiro na Copa esteve em dúvida até poucos dias antes da estreia da seleção argentina. Ele chegou a treinar sem luva na mão direita em alguns momentos, tentando testar os limites da lesão. Depois, a fornecedora de material esportivo da Argentina desenvolveu um modelo de luva especial para ele, com reforço extra de proteção justamente na mão machucada.
Dor que virava lágrima à noite
Mesmo com a luva adaptada, a dor não deu trégua durante toda a campanha do vice-campeonato mundial. Dibu Martínez descreveu momentos de sofrimento físico em cada defesa — e também fora de campo, quando a dor o acompanhava até debaixo das cobertas.
"Quando eu mergulhava para uma defesa, colocava a mão no chão e via estrelas. De noite, eu chorava por causa do dedo. Estes são os riscos que você aceita pela seleção. Eu faria tudo de novo."
O impacto no mercado: a Juventus que desistiu
O problema no dedo não ficou restrito ao campo — também pesou no mercado da bola. Dibu Martínez deixou o Aston Villa e assinou com o Chelsea, mas antes disso, segundo reportagem do site "The Athletic", recebeu sondagem da Juventus. O clube italiano, no entanto, recuou da negociação justamente por causa da condição da mão direita do goleiro.
"Eles disseram que era impossível eu jogar daquele jeito, que eu precisava de uma cirurgia. O Chelsea não se importou."
A fala de Dibu Martínez expõe um lado pouco falado do alto rendimento: o sacrifício físico que fica escondido atrás das defesas espetaculares e das comemorações de taça. Enquanto o goleiro segue sua nova fase no Chelsea, a mão direita carrega, discretamente, o preço de ter escolhido a seleção argentina acima do próprio corpo.