Juventude visita um Cuiabá que já não tem nada a perder — exceto a Copa FMF
Tem jogo que carrega peso de decisão dos dois lados do campo, e tem jogo que pesa só para um time. É nesse segundo cenário que o Juventude entra na Arena Pantanal no próximo sábado (7), às 20h, pela 37ª rodada da Série B. Do outro lado, o Cuiabá joga sem pressão alguma na tabela nacional — a cabeça do Dourado já está em outro campeonato, e isso pode significar um time de reservas esperando o Papo em pleno Mato Grosso.
O Juventude na briga, o Cuiabá de passagem
A diferença de contexto entre as equipes não poderia ser maior. O Juventude chega ao duelo na segunda colocação da Série B, com 65 pontos em 36 jogos, colado na liderança e com uma das vagas de acesso direto à Série A praticamente nas mãos. Cada ponto conquistado nessa reta final tem valor de ouro para o Papo.
Já o Cuiabá soma 47 pontos e aparece na 13ª posição, zona morta da tabela — sem risco de queda e sem chance real de brigar por nada relevante no torneio nacional. A equipe mato-grossense viveu oscilações a competição inteira, chegou a flertar com o Z4 nas rodadas iniciais (caiu até a 17ª colocação) e teve como melhor momento o 10º lugar. Hoje, segue a Série B só cumprindo calendário.
Dourado em crise de resultados
A situação do Cuiabá na Série B é de franca dificuldade. São cinco jogos sem vencer, com quatro derrotas seguidas — a mais recente, em casa, por 2 a 1 diante do São Bernardo. Um retrospecto que reforça a sensação de que o time mato-grossense está mesmo de corpo mole na competição nacional.
Foco total na Copa FMF
O motivo da desatenção do Cuiabá com a Série B tem nome e data: Copa FMF, torneio estadual que oferece vaga direta na Copa do Brasil de 2027. O Dourado está na semifinal e saiu na frente com uma vitória contundente por 3 a 0 sobre o União de Rondonópolis, no Estádio Luthero Lopes. Lorenzo e Vinícius Peixoto marcaram ainda no primeiro tempo, e Jean Dias — ex-Caxias — fechou a conta na etapa final.
O jogo de volta está marcado para esta quarta-feira (4), e o Cuiabá entra em campo com a vantagem de poder perder por até dois gols de diferença e ainda assim avançar à final. Caso confirme a classificação, a grande decisão da Copa FMF acontece na próxima terça-feira (10), às 20h30min — ou seja, três dias depois de enfrentar o Juventude.
Esse calendário apertado abre a possibilidade concreta de o técnico do Cuiabá poupar titulares no sábado para preservar o elenco visando o título estadual e a vaga milionária na Copa do Brasil. A vitória na ida da semifinal também carimbou uma marca histórica para o clube: o goleiro João Carlos completou 100 jogos pela equipe.
Eduardo Barros, o técnico que já vestiu o manto alviverde
Quem comanda o Cuiabá nesse momento é uma cara conhecida da torcida do Juventude. Natural de Campinas-SP, Eduardo Barros é formado em Educação Física pela Unicamp e pós-graduado em Administração de Empresas pela FGV. Começou no futebol em 2008, como auxiliar e treinador da base do Paulínia, e depois passou pelas categorias de formação de Novorizontino, Coritiba, Osasco Audax e Athletico Paranaense.
No Furacão, foi auxiliar do time principal e assumiu interinamente em duas ocasiões: em 2019, após a saída de Tiago Nunes (cinco vitórias e três empates), e em 2020, no lugar de Dorival Júnior, dirigindo a equipe em 14 partidas.
Em 2022, Eduardo Barros integrou a comissão técnica do Juventude durante a disputa da Série A no Estádio Alfredo Jaconi. Na sequência, aceitou o convite para acompanhar Fernando Diniz no Fluminense — trabalho que resultou no título da Libertadores de 2023. Agora, à frente do Cuiabá, ele reencontra o Papo justamente em um momento decisivo da Série B, só que comandando o time do outro lado do campo.
O que esperar do confronto
Para o Juventude, o cenário é favorável no papel: um adversário sem motivação na tabela, que pode escalar reservas de olho na decisão estadual de três dias depois. Mas o Papo sabe que times sem pressão também costumam jogar mais soltos, sem o peso da obrigação de resultado — e isso exige atenção do time gaúcho, que não pode se dar ao luxo de tropeçar nessa fase da competição.