Juventude retoma a liderança da Série B e encara o São Bernardo sem depender de ninguém
Tem uma certa beleza em carregar o próprio destino nas mãos. É isso que o Juventude sente agora, às vésperas do domingo (11), quando recebe o São Bernardo, às 16h, no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, pela 33ª rodada da Série B. O Verdão retomou a ponta da tabela na rodada passada e, de agora até o fim da competição, não depende de resultado de ninguém: basta vencer os seis jogos que restam para erguer a taça da segunda divisão, 32 anos depois da última vez.
Seis finais, e a primeira começa em casa
O discurso dentro do vestiário alviverde é simples e repetido: um jogo por vez, sem olhar pro lado. O centroavante Alisson Safira resumiu o momento antes do confronto com os paulistas.
— O importante é somar daqui para frente. Temos mais seis finais, então é importante somar jogo a jogo. Hoje a gente não depende de ninguém para o nosso grande objetivo. Depende só da gente. E temos que continuar trabalhando e vencendo os jogos, para que continuemos assim até a reta final.
A retomada da liderança não veio por acaso. O Juventude embalou três vitórias consecutivas — sobre Operário-PR, América-MG e Ponte Preta, esta última disputada sob chuva em Indaiatuba (SP) — e, com o tropeço do Vila Nova-GO diante do Cuiabá, fechou a 32ª rodada de volta ao topo. Contra o São Bernardo, o time de Maurício Barbieri busca a quarta vitória seguida, algo que ainda não havia conseguido nesta edição da competição.
— Voltamos a ter uma sequência de vitórias no momento certo da competição. Emplacamos três vitórias seguidas, e é isso que coloca a gente no topo da tabela de novo. Daqui pra frente é assim: esperar o tropeço dos adversários e fazer a nossa missão em casa.
Desgaste físico e um grupo que não reclama
A sequência de jogos decisivos tem cobrado o preço no corpo dos atletas. Lesões, suspensões e o cansaço acumulado forçam Barbieri a mexer na equipe partida após partida. Ainda assim, segundo Safira, a base montada ao longo do ano segue respondendo.
— Vários atletas sentindo o cansaço, o desgaste, pedindo para serem substituídos. Mas o nosso grupo é muito bom, o nosso grupo é muito eficiente. Quem entra também está sempre pronto para entregar o melhor. E é com a força do grupo que nós vamos conseguir nosso objetivo.
Minutos antes de entrar em campo contra a Ponte Preta, o elenco recebeu uma homenagem que marcou o grupo: fotos dos familiares espalhadas pelo vestiário do estádio Ítalo Limongi.
— Eles fizeram uma surpresa pra gente, com a foto dos nossos familiares. Muito bom, muito emocionante, acho que ninguém esperava. Chegamos ali no vestiário e estavam as fotos dos nossos familiares. E deu resultado em campo.
A rotina de quem vive o futebol profissional em busca de um título nacional tem seu custo pessoal, como lembrou o próprio centroavante.
— É praticamente um dia com a família e três com os companheiros. Seja em viagem, seja em hotel, minha filha sente bastante saudade. Tem que ficar ligando sempre. Quando chego em casa, ela já fala: "papai tem que ganhar". Ela é pequenininha, mas entende, sempre dando força, sempre apoiando, isso faz muita diferença.
O que está em jogo
1º lugar isolado
59 pontos em 32 jogos, com 17 vitórias, 8 empates e 7 derrotas.
32 anos de espera
O último título da Série B do Juventude é de 1994. Uma vitória na reta final pode encerrar o jejum.
— Nosso grupo é fechado, comprometido. Não tem intriga, não tem nada. É um grupo excelente de trabalhar. E com certeza isso faz diferença na etapa final, porque sempre que o professor precisar, quem entrar vai dar a vida, vai trabalhar bem e vai suprir a necessidade do time.
Onde assistir
Com a torcida esperada em peso e o calendário jogando a favor de quem manda no próprio jogo, o Juventude entra em campo neste domingo sabendo que cada rodada agora vale como uma final. Seis partidas separam o Verdão do bicampeonato da Série B — e tudo começa, mais uma vez, dentro de casa.