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Juventude é o 3º time menos endividado da Série B, enquanto Caxias detalha teto salarial e novo preparador físico para 2027

Por: Redação FutebolRS 23/10/2026 Notícias
Levantamento da Anresf coloca o Verdão entre os clubes mais saudáveis financeiramente do país, enquanto o Grená caxiense trabalha com orçamento enxuto e reforça a comissão técnica para a temporada que vem.
Bastidores · Série B e Gauchão

23 de outubro de 2026 · Caxias do Sul · Redação

Enquanto um lado da cidade comemora números no azul, o outro organiza a planilha para gastar pouco e acertar muito. Nesta semana, Juventude e Caxias, clubes que dividem o mesmo município gaúcho, mostraram caminhos distintos — mas igualmente disciplinados — para lidar com dinheiro em tempos de futebol caro. Um estudo da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf) revelou que o Juventude é o terceiro clube menos endividado da Série B do Brasileirão, com uma dívida de R$ 22 milhões. No mesmo período, o Caxias avançou no planejamento para 2027, anunciando o retorno do preparador físico Alexandre Andreis e confirmando que vai trabalhar com um teto salarial que não deve passar de R$ 500 mil para a disputa do Gauchão.

Juventude, o terceiro da fila dos mais organizados

O levantamento da Anresf considerou dados de todos os 20 clubes da Série B até 30 de junho de 2026, somando dívidas de curto e longo prazo — sem contar receitas recebidas antecipadamente, como patrocínio e cotas de TV. Nessa conta, o Juventude aparece atrás apenas de CRB (R$ 0,9 milhão) e Operário-PR (R$ 4,2 milhões) como os times com menor passivo da divisão.

CRB
R$ 0,9 mi
1º menos endividado
Operário-PR
R$ 4,2 mi
2º menos endividado
Juventude
R$ 22 mi
3º menos endividado

Na outra ponta da tabela, o Sport lidera como o clube mais endividado da Série B, com R$ 324 milhões, seguido por Náutico (R$ 291 milhões) e Fortaleza (R$ 276 milhões). O Criciúma, time mais próximo do Juventude nesse ranking, soma R$ 30 milhões — ainda assim, R$ 8 milhões a mais que o Verdão.

Do total de R$ 22 milhões em dívidas do Juventude, R$ 19 milhões vencem em até 12 meses (curto prazo) e R$ 3,2 milhões a longo prazo. O detalhamento mostra que o clube não tem nenhum valor em atraso com atletas, funcionários, outros clubes ou com o poder público — inclusive quitou mais de R$ 5 milhões em débitos com a União neste mês de outubro, o que garantiu ao Ju a Certidão Negativa de Débitos (CND).

Raio-X das finanças do Juventude (até 30/06/2026)

  • Dívida totalR$ 22 milhões
  • Curto prazoR$ 19 milhões
  • Longo prazoR$ 3,2 milhões
  • Trabalhistas, impostos e parcelamentosR$ 9,9 milhões
  • FornecedoresR$ 8,2 milhões
  • Empréstimos e outras dívidasR$ 2,9 milhões
  • Provisões para processosR$ 1,4 milhão
  • Receitas recebidas antecipadamenteR$ 6,8 milhões
  • Bens e direitos (ativo)R$ 92 milhões
  • Patrimônio líquidoR$ 63 milhões

O presidente do Juventude, Fábio Pizzamiglio, celebrou o resultado como fruto de um trabalho que atravessa mais de uma gestão no clube.

"Como presidente, tenho muito orgulho desse resultado, construído com organização, planejamento, responsabilidade e, principalmente, com o empenho de muitas pessoas. Um processo que, sejamos justos, começou em gestões anteriores, com dirigentes abnegados que fizeram a sua parte para colocar o Juventude neste caminho."

Pizzamiglio também fez um balanço do esforço financeiro dos últimos anos à frente do clube.

"Em termos de caixa, eu acho que evoluímos bastante. Eu acho que deve ter sido uns 30 milhões pagos em dívida nesses anos de gestão."

Caxias reforça comissão técnica para 2027

Do outro lado da cidade, o Caxias deu mais um passo na reestruturação do departamento de futebol pensando já na temporada de 2027. O clube anunciou nesta quinta-feira (22) o retorno do preparador físico Alexandre Andreis, que substitui Thiago Cetolin, desligado do Grená. Andreis vai integrar a comissão comandada pelo técnico Thiago Gomes.

Mestre em Fisiologia do Exercício, professor da CBF Academy e com Licença A para preparadores físicos, Andreis retorna ao Estádio Centenário 15 anos depois de sua primeira passagem pelo clube, em 2012. No currículo, soma mais de duas décadas de futebol profissional, com trabalhos em Avaí, Criciúma, Gama, Chapecoense, Ypiranga, Brusque, Figueirense e Floresta, além de acessos estaduais e nacionais e o título da Série C pelo Criciúma.

O profissional deve desembarcar em Caxias do Sul nos próximos dias para alinhar o cronograma de trabalho com o executivo de futebol Fernando Leite, o vice de futebol Ranielli Cechinato e o técnico Thiago Gomes, dando sequência ao planejamento da pré-temporada, prevista para a segunda quinzena de novembro.

Teto de R$ 500 mil: o desafio de montar o time com pouco

Pressionado pelo passivo financeiro herdado de 2026, o Caxias vai adotar rigor orçamentário na montagem do elenco para o início de 2027. A diretoria estipulou um teto salarial que deve ficar pouco acima de R$ 450 mil, sem passar de R$ 500 mil, para a disputa do Campeonato Gaúcho — valor considerado, pelo histórico recente do futebol estadual, suficiente para brigar pelas fases finais do torneio.

A diretoria do Caxias já projeta ampliar os investimentos mais adiante, voltados à disputa da Série C do Brasileirão — mas reconhece que folha salarial alta não é garantia de resultado em campo, lição reforçada pelo próprio clube em 2026.

O técnico Thiago Gomes assume o desafio de acertar nas contratações com margem de erro reduzida e recorre à própria experiência para explicar como pretende lidar com o orçamento curto.

"Quanto menor o orçamento de um clube, mais assertivo você precisa ser nas contratações. A margem de erro reduz. O desafio é grande, mas em 2023, quando trabalhei no São José, vivemos exatamente essa realidade. Tínhamos a menor folha da Série C e batemos na trave no jogo do acesso contra o Brusque, naquele lance do VAR. Chegamos até a última rodada do quadrangular brigando diretamente pela vaga."

O treinador ainda citou um exemplo recente de que dinheiro não é sinônimo de sucesso esportivo, lembrando o caso do Botafogo-PB na Série C de 2026.

"É plenamente possível obter alta performance com um orçamento menor. O caminho passa pela nossa criatividade na busca por atletas, pelo nosso network e pela capacidade de buscar empréstimos com clubes parceiros que aceitem arcar com um percentual maior dos salários. Exige conhecimento do mercado e da Série C, pegar o telefone, ligar para o jogador e apresentar o projeto."

Para Thiago Gomes, a tradição do clube e a vitrine do Estádio Centenário também pesam na hora de convencer reforços a aceitar salários menores.

"A marca do Caxias possui uma força gigante no futebol brasileiro. Muitas vezes, o atleta prefere vestir a nossa camisa, disputar a Primeira Divisão do Gauchão e ter a visibilidade da Série C por um clube tradicional para projetar sua carreira nacionalmente, do que aceitar salários ligeiramente maiores em equipes sem a mesma expressão."

Enquanto o Juventude segue na reta final da Série B 2026 sustentado por uma gestão financeira apontada como exemplo nacional, o Caxias já olha para 2027 com um planejamento que mistura comissão técnica renovada e orçamento controlado. Dois caminhos, um mesmo objetivo: evitar que o caixa vazio vire adversário dentro de campo.

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