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Dívida de R$ 939 milhões, bloqueios da Fifa e cinco goleiros em um ano: o legado que o Inter deixa para 2027

Por: Redação FutebolRS 23/10/2026 Notícias
Com déficit disparando acima do previsto, punições internacionais que travam contratações e uma goleira sem dono fixo, a próxima diretoria colorada assume o clube em plena turbulência — e um eventual rebaixamento no Brasileirão pode tornar tudo ainda mais grave.
Especial · Internacional

23 de outubro de 2026 · Porto Alegre · Redação

O Beira-Rio segue de pé, mas as fundações rangem. Enquanto o Internacional corre contra o tempo para não cair à Série B neste fim de semana diante do Botafogo, outra queda, mais silenciosa, já está contabilizada nos balanços e nas súmulas do clube: uma dívida que passa de R$ 900 milhões, bloqueios internacionais que travam contratações e uma goleira que trocou de dono cinco vezes só em 2026. É esse pacote — parte financeiro, parte esportivo — que a próxima diretoria colorada, a ser eleita entre novembro e dezembro, vai encontrar pela frente a partir de 2027.

As contas que não fecham

Os números que o Inter apresentou ao Conselho Deliberativo ajudam a entender o tamanho do buraco. Em 2025, o clube fechou o ano com receita bruta de R$ 776 milhões, dívida nominal de R$ 939 milhões e um passivo total na casa de R$ 1,2 bilhão. Ao longo de 2026, a situação só piorou.

Nos primeiros sete meses do ano, o déficit somou R$ 160,1 milhões — R$ 50,8 milhões acima do rombo de R$ 109,3 milhões que estava previsto no orçamento. Segundo a própria direção, dois fatores pesaram nesse resultado fora da curva: a falta de um patrocinador máster e a ausência das vendas de jogadores que haviam sido projetadas para o ano.

Bloqueios da Fifa e o cerco da Anresf

O desequilíbrio nas contas já deixou de ser só um problema contábil e passou a travar o futebol na prática. Em agosto e setembro, o Inter recebeu duas punições da Fifa que impedem o clube de registrar novos jogadores, por conta de pendências nas contratações do zagueiro Juninho, junto ao Midtjylland, da Dinamarca, e do lateral Ramon, vindo do Olympiacos, da Grécia.

O que isso significa na prática: enquanto os débitos não forem resolvidos, o Inter não pode registrar reforços na CBF e na Fifa — mesmo que negocie e feche a contratação de um jogador, ele não poderá ser inscrito para atuar. Há expectativa de novas sanções até o fim do ano, o que ampliaria o problema justamente no período em que o clube normalmente monta o elenco para a temporada seguinte.

Em outubro, somou-se a isso um bloqueio preventivo imposto pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), ligado ao pedido de parcelamento coletivo que o Inter apresentou à Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD). O plano inicial abrange R$ 31 milhões em dívidas esportivas com jogadores e outros clubes.

Resolver essas pendências será decisivo para o planejamento de 2027. Não bastará à próxima diretoria identificar nomes disponíveis no mercado: será preciso ter respaldo financeiro para registrá-los e assumir os compromissos que vierem com cada contratação, com a meta de destravar o clube entre o final de dezembro e o início de janeiro.

O fantasma da Série B

Por que o rebaixamento pesaria tanto: uma queda à Série B reduziria de forma abrupta as receitas de TV, patrocínios e outras fontes, forçando o Inter a rever o orçamento e cortar a folha salarial. Nesse cenário, uma reformulação profunda do elenco deixaria de ser opção e se tornaria obrigação, com a saída de jogadores de salários mais altos.

O exemplo mais claro é o do meio-campista Villagra, emprestado pelo CSKA Moscou e um dos poucos nomes com desempenho satisfatório em meio a uma temporada difícil. Para comprar os direitos do argentino, o Inter precisaria desembolsar 4,6 milhões de euros — um investimento que seria difícil de justificar caso o clube dispute a Série B em 2027.

Cinco goleiros, nenhum dono da posição

Se as finanças já são um problema por si só, o setor mais simbólico da instabilidade colorada em 2026 está embaixo das traves. Cinco goleiros diferentes vestiram a camisa do Inter em jogos oficiais neste ano — Rochet, Anthoni, Matheus Cunha, Kauan Jesus e Ivan Quaresma —, e nenhum deles conseguiu se firmar como titular absoluto, seja por lesões, por falhas decisivas ou pelo pouco tempo de uso.

Lesionado / instável

Sergio Rochet

Afastado por lesões na panturrilha e na coluna, voltou a sofrer críticas por falhas contra Coritiba e Athletic-MG. Jogou 11 das 31 rodadas do Brasileirão e sofreu 19 gols em 12 partidas, com 6 jogos sem ser vazado e 3 cartões amarelos. Ficou no banco do Uruguai na derrota para a Espanha na Copa do Mundo.

Mais utilizado

Anthoni

Foi quem mais atuou pelo Inter em 2026, puxado por lesões e falhas dos concorrentes. Teve boa atuação contra o Corinthians, mas também mostrou insegurança. Jogou 13 das 31 rodadas do Brasileirão e sofreu 22 gols no total. Volta como titular contra o Botafogo após abscesso na perna e febre.

Fora dos planos

Matheus Cunha

Chegou por empréstimo em 17 de julho, em meio à crise na posição. Marcado por falhas, foi expulso aos 14 minutos contra o Mirassol — episódio que selou sua saída dos planos. Sofreu 14 gols em 8 jogos do Brasileirão e acumula 1 amarelo e 1 vermelho.

Revelação

Kauan Jesus

Aos 23 anos, ganhou a primeira chance como titular na derrota para o Mirassol, quando Matheus Cunha foi expulso aos 13 minutos. Sofreu 2 gols, mas se destacou com defesas importantes. Parte da torcida pede sua manutenção no time, mas a chance de ser titular contra o Botafogo é remota.

Completam a lista Ivan Quaresma, que jogou uma única partida — derrota de virada para o Ypiranga de Erechim pelo Gauchão, com equipe alternativa, e foi liberado ao Remo doze dias depois — além de Diego Esser, promovido ao profissional em janeiro sem entrar em campo, e Keiller, que treinou até março e seguiu para o Coritiba sem custos, também sem atuar.

Quem vai herdar o problema

A eleição que vai definir o próximo presidente do Inter já está em curso, com três chapas inscritas disputando o comando do clube a partir de 2027.

Chapa 1

José Amarante

Movimento Sou Inter.

Chapa 2

Leonardo Aquino

Movimento Sangue Colorado.

Chapa 3

Roberto Melo

Movimento Inter Grande.

Qualquer que seja o vencedor, o desafio é o mesmo: conciliar a recuperação financeira com a montagem de um elenco competitivo, em uma posição — a de goleiro — que nem mesmo cinco nomes testados conseguiram resolver em 2026. A divisão em que o Inter disputar o Brasileiro de 2027 vai determinar o tamanho do orçamento disponível para essa reconstrução.


O calendário já está travado: o primeiro turno da eleição ocorre em 9 de novembro, no Conselho Deliberativo, e a votação dos associados está marcada para 12 de dezembro. Antes disso, o Inter em campo tenta resolver, ao menos por um fim de semana, parte da sua instabilidade mais visível — a do gol — quando recebe o Botafogo neste sábado, no Beira-Rio, com Anthoni de volta à titularidade após o problema físico que o tirou de combate. Fora de campo, porém, o próximo capítulo só começa a ser escrito depois do apito final da urna, em dezembro.

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