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Justiça do Rio autoriza disputa competitiva pela SAF do Vasco e abre caminho para novos concorrentes de Lamacchia

Por: Redação FutebolRS 29/08/2026 Notícias
A 4ª Vara Empresarial da Capital fluminense definiu as regras do processo competitivo para a venda da SAF vascaína, permitindo que outros interessados apresentem propostas para disputar com Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, negócio avaliado em mais de R$ 2 bilhões.
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Justiça do Rio autoriza disputa competitiva pela SAF do Vasco e abre caminho para novos concorrentes de Lamacchia

4ª Vara Empresarial da Capital fixa as regras do edital que pode colocar rivais na disputa pelo controle acionário do clube de São Januário

29 de agosto de 2026 · Rio de Janeiro · Redação futebolrs.com.br

Enquanto São Januário respira futebol de intertemporada, é nos corredores de um tribunal empresarial que se decide o futuro societário do Vasco da Gama. A Justiça do Rio de Janeiro deu, nesta sexta-feira, o sinal verde para que o processo de venda da SAF cruzmaltina siga adiante — mas não sem antes impor uma condição que muda o tabuleiro: a disputa precisa ser aberta, e outros pretendentes podem, agora, tentar furar a fila do favorito.

Uma decisão que redesenha as regras do jogo

A determinação partiu do Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital e estabelece o rito para a chamada disputa competitiva pela Unidade Produtiva Isolada — a UPI Equity — que corresponde à fatia societária colocada à venda. Na prática, o clube foi autorizado a dar sequência ao processo, desde que respeite as balizas fixadas pelo próprio Judiciário, que preveem a abertura de espaço para propostas concorrentes.

O comunicado oficial, divulgado pelo Vasco em suas redes e canais institucionais, foi direto ao citar a origem do rito: a alienação está prevista no Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores e já homologado judicialmente, cabendo agora ao edital — e às determinações do próprio Juízo da Recuperação — definir os detalhes práticos da concorrência.

Lamacchia segue na dianteira, mas não mais sozinho

Até aqui, o nome que dominava as conversas em torno da SAF vascaína era o de Marcos Lamacchia, empresário e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Há meses ele negocia a aquisição de 90% das ações do clube, em uma operação avaliada em pouco mais de R$ 2 bilhões — valor que tanto o próprio investidor quanto o presidente cruzmaltino, Pedrinho, tratavam publicamente como um acerto praticamente selado.

A decisão da Justiça, no entanto, reabre a disputa formalmente. O edital passa a permitir que interessados apresentem contrapropostas para concorrer com a de Lamacchia, inclusive sob sigilo, caso prefiram não revelar sua identidade nesta fase inicial.

⚠ Atenção: a decisão não invalida a proposta de Lamacchia, mas obriga que ela seja testada frente a outros interessados antes de qualquer definição final sobre o controle da SAF.

A alienação da UPI Equity é objeto de requerimento de deflagração de processo competitivo apresentado pelo CRVG e pela Vasco SAF, conforme previsto no Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores e homologado judicialmente, observadas as condições a serem estabelecidas no respectivo edital e as determinações do Juízo da Recuperação Judicial.

Comunicado oficial — Vasco da Gama

Anresf de olho em conflitos de interesse

Todo esse processo é acompanhado, desde o início, pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), que já tomou medidas concretas para blindar a operação. O órgão proibiu recentemente que o Vasco contraia novos empréstimos junto à Crefisa e vetou a manutenção de relações institucionais com o Palmeiras — restrições que integram uma medida cautelar ligada à abertura de um procedimento para apurar eventual conflito de interesses na venda da SAF.

O pano de fundo dessa cautela é evidente: Lamacchia é enteado de Leila Pereira, e sua mãe, Junia, também está entre os sócios da Blue Star, consultoria financeira e de investimentos sediada em São Paulo da qual ele é CEO desde 2008. Formado em Administração de Negócios pela Universidade de Miami, com especializações em Contabilidade, Direito Empresarial e passagem pela FGV, o empresário já ocupou cargos no Eagle Bank, no Conglomerado Alfa, na Fiesp e foi diretor da própria Crefisa entre 2004 e 2009 — um currículo que entrelaça justamente as instituições agora sob restrição da Anresf.

Com o edital autorizado e as regras da disputa competitiva definidas, o próximo capítulo da novela societária de São Januário passa a depender de quem, de fato, decidir colocar dinheiro na mesa. Lamacchia segue como favorito, mas a Justiça fluminense garantiu que, desta vez, ele não caminhará sozinho até a linha de chegada.

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