Sem imagem, sem caixa: a dívida que tirou o sono do Beira-Rio antes do Gre-Nal
Sem imagem, sem caixa: a dívida que tirou o sono do Beira-Rio antes do Gre-Nal
Elenco colorado recusou concentração na véspera do clássico por atraso nos direitos de imagem; clube reconhece rombo de R$ 10 milhões e mira a janela de transferências para respirar financeiramente
Antes de qualquer bola rolar no Gre-Nal 453, um silêncio incomum tomou conta da rotina do Internacional. Na véspera da decisão contra o rival, o elenco optou por não se concentrar — um gesto que falou mais alto do que qualquer escalação. Por trás da atitude, dois meses de atraso nos direitos de imagem, um débito que a diretoria colorada finalmente admitiu existir, e que agora ameaça redesenhar os planos do clube para o restante da temporada.
Um protesto que antecedeu o 0 a 0
O empate sem gols no clássico não foi apenas um resultado dentro das quatro linhas. Ele carregou, nos bastidores, o peso de uma insatisfação represada. Os jogadores decidiram abrir mão da concentração tradicional como forma de sinalizar o desconforto com os pagamentos parados, e a diretoria, em vez de resistir, optou por aceitar a decisão do grupo. Foi somente depois da partida que a cúpula colorada confirmou publicamente o que já circulava nos corredores do CT: as pendências eram reais.
Barcellos confirma: parte dos salários também está em atraso
O presidente Alessandro Barcellos foi além do reconhecimento sobre os direitos de imagem. Ele admitiu que uma parcela dos vencimentos do elenco segue sem ser quitada, ampliando o alcance da crise financeira que já não se resume a um único tipo de pagamento. A confirmação, vinda diretamente do mandatário, retira qualquer margem de dúvida sobre a gravidade do momento vivido pelo clube fora de campo.
Janela de transferências vira tábua de salvação
Sem o montante necessário guardado, a diretoria colorada voltou os olhos para o mercado da bola como via de escape mais imediata. Contatos com empresários que atuam na intermediação de negócios já foram iniciados, num movimento que busca antecipar receitas capazes de aliviar a pressão sobre o caixa. Não existe, por ora, uma lista fechada de nomes negociáveis — a orientação interna é de que qualquer atleta do elenco pode se tornar peça de uma eventual venda, desde que surja uma proposta que faça sentido financeiro para o clube.
A prioridade agora é recompor o equilíbrio financeiro sem perder de vista os compromissos da temporada.
Direção do Internacional — em avaliação interna sobre o cenário de caixa
O ambiente do elenco como variável esportiva
Para a comissão técnica, regularizar os pagamentos deixou de ser apenas uma pauta administrativa e passou a ser tratado como condição para preservar a harmonia do grupo. O Internacional segue metido na briga contra o rebaixamento no Brasileirão, e cada rodada que se aproxima exige um elenco mentalmente inteiro — algo mais difícil de garantir quando salários e direitos de imagem seguem em aberto.
Enquanto tenta equacionar as contas, o clube caminha em duas frentes simultâneas: correr atrás de recursos para colocar os pagamentos em dia e, ao mesmo tempo, sondar o mercado em busca de saídas que tragam alívio financeiro imediato. As próximas semanas devem definir se essas frentes convergem a tempo de not abalar ainda mais o ambiente interno.
Entre a cobrança silenciosa dos jogadores e a urgência da diretoria por respostas, o Internacional entra em uma janela de transferências que promete pesar tanto no orçamento quanto no equilíbrio emocional do elenco — um duplo desafio às vésperas de novas rodadas decisivas pela permanência na elite.