Sem prazo no calendário: Inter admite dificuldade para zerar dívidas e livrar o clube de novo transfer ban
Sem prazo no calendário: Inter admite dificuldade para zerar dívidas e livrar o clube de novo transfer ban
Colorado aparece na lista de devedores da Fifa, tenta equilibrar folha salarial e negocia parcelamentos para não somar uma segunda punição da entidade
Não há calendário fechado, nem promessa arriscada por parte da diretoria colorada. O que existe, hoje, é um esforço silencioso para tirar o Inter da lista de devedores da Fifa e evitar que o clube volte a conviver com as amarras de um transfer ban. A cúpula do Beira-Rio não nega: o momento financeiro é dos mais delicados dos últimos anos, e resolver essa equação exige tempo — um tempo que ninguém dentro do clube ousa estimar publicamente.
Uma punição que ainda pesa
A sanção mais recente aplicada pela entidade máxima do futebol impede o Inter de registrar novos atletas enquanto a pendência não for resolvida. Na prática, o efeito colateral acabou sendo ao menos administrável: com a janela de reforços praticamente encerrada, o clube ganhou um fôlego extra para organizar as contas sem o peso imediato de precisar inscrever contratações. Mas o alívio é parcial e temporário — a dívida que originou o bloqueio, cobrada pelo Midtjylland em razão da negociação do zagueiro Juninho, segue em aberto, e é ela que trava qualquer avanço mais rápido rumo à normalização.
Prioridades em disputa dentro do caixa
O cenário interno é de escassez de recursos frente a um volume de compromissos que não para de crescer. Contratar reforços pontuais, manter os salários em dia, evitar uma nova sanção internacional e fechar o ano com as contas organizadas formam um quebra-cabeça que a atual gestão tenta montar com poucas peças disponíveis. Diante desse cenário, o clube estabeleceu uma ordem de prioridades: hoje, o compromisso mais urgente é justamente garantir que a folha salarial do elenco não atrase no Beira-Rio, blindando o vestiário de mais um foco de instabilidade.
O problema de fluxo de caixa é real, e por isso trabalhamos para não deixar novas pendências se transformarem em punições formais junto à Fifa.
Fonte ligada à diretoria do Internacional
Racing e o compromisso com Carbonero
Entre as frentes de negociação, uma recebe atenção redobrada: os valores devidos ao Racing, da Argentina, pela contratação do atacante Carbonero. A intenção declarada da direção é honrar rigorosamente os prazos combinados com o clube argentino, evitando que esse processo se some à lista de problemas já enfrentados junto à entidade internacional. Cumprir esse cronograma é visto internamente como prioridade estratégica, um sinal de que o Inter busca reconstruir credibilidade nas negociações externas.
O alerta silencioso do Dansoman Wise
Há ainda uma pendência que caminha em ritmo mais discreto, mas que preocupa. O Dansoman Wise, clube de Gana, cobra valores relativos à transferência do volante Benjamin e, até o momento, optou por não acionar a Fifa formalmente. As partes negociam um novo acordo de pagamento, mas o entendimento é frágil: caso os termos não sejam cumpridos, a entidade ganense pode levar a cobrança à instância máxima do futebol mundial, abrindo caminho para uma nova dor de cabeça jurídica ao Colorado.
O temor da diretoria vai além dos casos já conhecidos. Não está descartado que outras negociações com pagamentos em atraso apareçam na mesa nos próximos dias, ampliando ainda mais a lista de compromissos que competem entre si por um caixa que, reconhecidamente, não dá conta de tudo ao mesmo tempo.
Sem prazo definido para o fim do bloqueio e com múltiplas frentes de cobrança em aberto, o Inter caminha por um período de administração fina, em que cada decisão financeira carrega o peso de evitar um novo capítulo de crise. A missão de reequilibrar o clube até o fim do ano segue em curso — e, por ora, sem data certa para ser concluída.