Inter protocola protesto formal na CBF contra arbitragem da derrota para o Fluminense
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Tem derrota que dói pelo placar e tem derrota que dói pela sensação de injustiça. No Maracanã, o Internacional viveu as duas ao mesmo tempo. Depois de construir uma vitória com o próprio esforço e vê-la escapar entre os dedos no último lance do jogo, o clube colorado não guardou a indignação para dentro dos quatro álinhas: foi à Confederação Brasileira de Futebol protocolar um protesto formal contra a arbitragem de Lucas Casagrande na derrota por 2 a 1 para o Fluminense, nesta quarta-feira (28), pela 33ª rodada do Brasileirão. O capitão Alan Patrick, o técnico Eduardo Baptista e o presidente Alessandro Barcellos foram só os primeiros a colocar a boca no trombone.
Como foi o jogo
A partida começou truncada, com o Fluminense circulando a bola sem pressa e o Inter fechado, sem se expor. O primeiro chute a gol só saiu aos 23 minutos, em finalização de Cannobio. O time gaúcho precisou de quase todo o primeiro tempo para aparecer no ataque, com Bernabei arriscando de fora da área aos 42 minutos. A etapa inicial terminou mesmo em 0 a 0, sem sustos para nenhum dos goleiros.
O roteiro mudou rápido na volta do intervalo. Com apenas 55 segundos de segundo tempo, Vitinho tocou pelo meio, Matheus Bahia avançou em velocidade pela esquerda e cruzou para Alan Patrick, que invadiu a área e bateu no cantinho, sem chances para o goleiro Fábio: Inter 1 a 0, gol do capitão.
O time de Eduardo Baptista administrava bem a vantagem quando, aos 30 minutos da segunda etapa, veio o lance que mudaria a história da noite. O lateral Renê, do Fluminense, cometeu falta sobre Bruno Gomes perto da área — já advertido com cartão amarelo anteriormente, segundo o relato do próprio Inter, por uma entrada dura sobre Ronaldo. O árbitro Lucas Casagrande marcou a infração, mas não aplicou o segundo amarelo que expulsaria o jogador carioca.
Três minutos depois, aos 33, veio o preço do perdão. Em cobrança de falta de Renê para a área, a defesa colorada afastou mal e Hércules, de primeira e de fora da área, bateu sem chances para Kauan Jesus: 1 a 1.
O capítulo final ficou para os acréscimos. Já nos minutos finais, o Inter falhou na marcação, Guga cruzou da direita, Wesley concluiu e Kauan Jesus fez uma grande defesa — mas no rebote, aos 51 minutos, Lucho Acosta não desperdiçou e decretou a virada: Fluminense 2 a 1 Inter, no último lance da partida.
O lance que não saiu da boca de ninguém
Horas depois do apito final, o assunto na Beira-Rio e no vestiário colorado ainda era o mesmo: a não expulsão de Renê. Para o Inter, o lance foi decisivo — o time estava na frente do placar quando o lateral do Fluminense deveria ter deixado o campo. O clube também cobrou um pênalti não marcado no primeiro tempo, em um puxão de Thiago Silva sobre Ronaldo dentro da área.
A crítica não ficou restrita ao ambiente colorado. O comentarista de arbitragem Diori Vasconcelos, da Rádio Gaúcha, também classificou a decisão como um erro grave.
"Fora da área e ele (juiz) não deu amarelo para o Renê. É uma pipocada inacreditável. O Renê, de maneira deliberada, agarra o Alan Patrick, acabou de levar cartão amarelo, e o árbitro dá uma pipocada e não expulsa o jogador do Fluminense" — Diori Vasconcelos, comentarista de arbitragem da Rádio Gaúcha
Alan Patrick: "Poderíamos ter vencido esse jogo"
Autor do gol colorado e capitão da equipe, Alan Patrick foi direto ao apontar os lances que, na visão dele, tiraram do Inter um resultado positivo na capital carioca.
"Faltou o árbitro expulsar o Renê quando a gente ainda estava ganhando. Teve um lance no primeiro tempo que foi pênalti em cima do Ronaldo. São lances que comprometeram" — Alan Patrick, capitão do Internacional
O meia também defendeu a estratégia utilizada por Eduardo Baptista, que montou uma equipe mais cautelosa para enfrentar o controle de jogo proposto pelo Fluminense.
"A gente sabia que o Fluminense ia propor o jogo. Dentro da nossa estratégia, a gente jogou bem. Poderíamos ter vencido esse jogo. Por isso, saímos daqui frustrados. Agora, vamos ver o que podemos melhorar para o próximo jogo" — Alan Patrick
Apesar da frustração, o capitão pediu apoio da torcida colorada para a sequência da temporada, destacando que o grupo está em evolução mesmo em meio à pressão da briga contra o rebaixamento.
"Não passamos por uma sequência de resultados ruins. O time está evoluindo e está mostrando isso. Temos que seguir esse caminho. O torcedor pode apostar nesse grupo, como fizeram no jogo passado. Precisamos deles. O time está comprometido para sair dessa situação. Sabemos que vai ser jogo a jogo, mas sabemos que é inadmissível, diante da grandeza do Inter, estar lutando pelo segundo ano seguido vivendo essa situação" — Alan Patrick
Barcellos fala em "assalto" e cobra árbitros mais experientes
Quem foi mais longe nas críticas foi o presidente Alessandro Barcellos. Ainda no Maracanã, o dirigente usou um termo forte para definir a sensação do clube após a derrota.
"A sensação é de que nós fomos assaltados aqui." — Alessandro Barcellos, presidente do Internacional
Barcellos detalhou os lances que, para ele, comprovam o prejuízo sofrido pelo Inter diante do Fluminense.
"O cara (Renê) quase quebrou a perna do nosso atleta. O VAR não chamou. Ou a falta do Renê não era pra vermelho?" — Alessandro Barcellos
O presidente colorado ainda cobrou da CBF escalações de arbitragem mais experientes para jogos decisivos na reta final do Campeonato Brasileiro, já que o Inter disputa diretamente com Grêmio e Corinthians a permanência na Série A.
"O que aconteceu aqui infelizmente é um retrocesso. Nós estamos na reta final do campeonato, nós temos que ter os melhores árbitros, estão escalando árbitros inexperientes." — Alessandro Barcellos
Barcellos também foi cético quanto à efetividade de reclamações formais à CBF, mesmo revelando que o clube decidiu, enfim, se manifestar publicamente.
"Nós não paramos um minuto de nos mobilizarmos e nos manifestarmos internamente com a CBF, entendendo que era o meio correto. E não adiantou. Então talvez tenhamos demorado mesmo para fazer uma manifestação pública. Todos os lances de alguma forma têm explicação e eles reconhecem que é de interpretação, mas nada acontece." — Alessandro Barcellos
Nota oficial e a representação na CBF
Além das falas no gramado, o Internacional publicou uma nota oficial repudiando a atuação da arbitragem e do VAR na partida, classificando os erros como graves e capazes de comprometer a integridade da competição.
O clube confirmou que vai formalizar reclamação junto à CBF e pediu providências para os próximos confrontos decisivos do Brasileirão.
O que diz o técnico
Eduardo Baptista também endossou o discurso de protesto, mas fez questão de valorizar a atuação da equipe dentro de campo, especialmente no segundo tempo.
"São dois sentimentos. Um o nosso presidente já falou aqui, a indignação com o que foi feito hoje. O resultado foi alterado. E a outra é de tristeza por tudo que a gente construiu, por toda a estratégia. Principalmente no segundo tempo, a equipe se portou bem, voltou diferente. A gente constrói o gol, cria oportunidades, cria um volume para a gente ganhar o jogo" — Eduardo Baptista, técnico do Internacional
Panorama na tabela
35 pontos, 16ª posição
O Inter corre risco de terminar a rodada na zona de rebaixamento, dependendo dos resultados de Grêmio e Corinthians na 33ª rodada do Brasileirão.
Terceira rodada seguida prejudicado
Segundo a nota oficial do clube, é a terceira rodada consecutiva em que o Inter sai de campo reclamando de erros de arbitragem.
Com a bola rolando, o que fica é a corrida contra o tempo. O Inter volta a campo na próxima terça-feira (3), às 21h30min, no Beira-Rio, diante do Coritiba, pela 34ª rodada do Brasileirão. O protesto na CBF pode não mudar o placar do Maracanã, mas a mensagem do clube é clara: na reta final de uma temporada de briga contra o descenso, cada erro de arbitragem pesa como um ponto perdido — e o Colorado quer que isso pare de se repetir dentro de campo.