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Barcellos é denunciado por ofender arbitragem após derrota do Inter; clube suspeita de manobra para salvar o Corinthians

Por: Redação FutebolRS 29/10/2026 Notícias
Presidente colorado nega os xingamentos registrados na súmula do jogo contra o Fluminense; julgamento no STJD será em 5 de novembro, com o Inter sob pressão na luta contra o rebaixamento
Internacional

29 de outubro de 2026 · Maracanã, Rio de Janeiro · Redação

Tem noite em que a derrota dói menos pelo placar e mais pelo que vem depois dela. Foi assim na zona mista do Maracanã, na quarta-feira, quando o Inter caiu por 2 a 1 para o Fluminense e viu a frustração em campo se transformar em um episódio que agora corre no Superior Tribunal de Justiça Desportiva: o árbitro Lucas Casagrande registrou na súmula da partida que o presidente colorado, Alessandro Barcellos, teria proferido xingamentos contra a equipe de arbitragem logo após o apito final. O dirigente nega. O clube, por sua vez, enxerga nos lances do jogo um padrão que incomoda e levanta suspeitas — sem provas até agora — de que haveria interesse em manter o Corinthians na Série A.

O jogo e a reclamação que vinha antes do apito final

A derrota em si já havia deixado o Inter inconformado. O time colorado reclama de um pênalti não marcado em cima de Ronaldo ainda no primeiro tempo e, principalmente, de uma falta dura do lateral-esquerdo Renê sobre o mesmo atacante na segunda etapa — momento em que o Inter vencia por 1 a 0 e, na visão do clube, o jogador do Fluminense deveria ter sido expulso. A arbitragem de vídeo, comandada por Heber Roberto Lopes, não interferiu na jogada.

Foi esse lance, mais do que o resultado, que guiou a fala de Barcellos na saída do Maracanã. Irritado, o presidente não poupou críticas à arbitragem antes mesmo de qualquer bastidor envolvendo a súmula virar notícia.

“Sensação é de que nós fomos assaltados hoje aqui no Maracanã.”
— Alessandro Barcellos, presidente do Inter
“Renê quase quebrou a perna do Ronaldo e não teve interferência do VAR. O Heber Roberto Lopes, que já era ruim no campo, ficou pior no VAR.”
— Alessandro Barcellos

O relato da súmula: xingamentos na zona mista

O capítulo mais grave do episódio veio nesta quinta-feira, com a divulgação da súmula oficial da partida. Segundo o documento assinado pelo árbitro Lucas Casagrande, enquanto a equipe de arbitragem se dirigia ao vestiário, pessoas com uniforme da delegação do Inter teriam proferido ofensas de forma agressiva, a ponto de precisarem ser contidas pela segurança que acompanhava os árbitros. Em meio ao tumulto, o relato aponta Barcellos como o único identificado nominalmente.

“Ao final da partida, na zona mista, enquanto a equipe de arbitragem estava indo em direção ao seu vestiário, pessoas com uniforme da delegação do SC Internacional proferiram várias ofensas de forma agressiva para a equipe de arbitragem, sendo contidas pela equipe de segurança da arbitragem. No entanto, diante deste tumulto, foi possível identificar apenas o presidente do SC Internacional, Sr. Alessandro Barcellos, o qual proferiu aos gritos e de forma agressiva e reiteradas vezes as seguintes palavras: 'Seu m*, vai tomar no c*, seu ladrão, era para expulsar. Vai tomar no c*'.”
— Trecho da súmula da partida, assinada pelo árbitro Lucas Casagrande

Procurado pela reportagem de Zero Hora, Barcellos nega ter proferido os xingamentos descritos pelo árbitro. A versão do dirigente contrasta diretamente com o que está registrado no documento oficial da CBF, e será justamente esse confronto de versões que o STJD terá de avaliar.

Julgamento marcado: Barcellos já foi denunciado e terá de comparecer ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva na próxima quinta-feira, dia 5 de novembro. O caso pode resultar em punição ao presidente do Inter.

A desconfiança nos bastidores: um "movimento" para salvar o Corinthians?

A crise, porém, não se encerra na súmula. Nos bastidores do clube gaúcho, dirigentes já vinham observando com desconfiança uma sequência de decisões de arbitragem em jogos decisivos da reta final do Brasileirão — e associam esse padrão a uma hipótese que circula internamente: a de que haveria interesse em manter o Corinthians na Série A, time que, como o Inter, luta contra o rebaixamento. A suspeita integra o discurso interno da diretoria colorada, mas não vem acompanhada de provas concretas que a sustentem.

Essa leitura ajuda a explicar o tom da fala de Barcellos já na coletiva pós-jogo, quando ele tratou o episódio não como um caso isolado, mas como parte de um problema recorrente que o futebol brasileiro, segundo ele, vem tentando varrer para debaixo do tapete.

“Fomos assaltados aqui hoje. É uma situação muito ruim porque a gente que faz futebol não quer ficar retomando esses temas constantemente, porque faz parte de uma espécie de pacto de todos que fazem e têm discutido futebol, de tentar elevar o nível dessas questões da arbitragem. Só que é impossível fazer isso com o que a gente vem vindo e vinha observando.”
— Alessandro Barcellos, em entrevista coletiva após a derrota para o Fluminense

O que está em jogo para o Inter

Além do desgaste institucional, o momento é sensível para o Inter dentro de campo. O clube segue na briga para se afastar da zona de rebaixamento do Brasileirão, e a possível punição ao presidente chega justamente em uma reta final de temporada que já é tratada como decisiva pelo elenco e pela comissão técnica. O técnico Eduardo Baptista, após lamentar a derrota no Maracanã, já pediu reação da equipe para o próximo compromisso.

O caso Barcellos segue dois caminhos paralelos: de um lado, o julgamento no STJD, marcado para 5 de novembro, que vai decidir se o presidente do Inter é punido pelas ofensas registradas na súmula; de outro, a cobrança dentro de campo, com o time colorado precisando responder rapidamente. A próxima chance vem já na terça-feira, quando o Inter recebe o Coritiba no Beira-Rio, pela 34ª rodada do Brasileirão, em jogo que ganha um peso extra diante da turbulência fora de campo.

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