Sob pressão do relógio, Inter monta plano de emergência para quitar dívida milionária com o elenco
Sob pressão do relógio, Inter arma plano de emergência para quitar dívida milionária com o elenco
Duas folhas de direito de imagem e parte do 13º salário de 2025 seguem em aberto; clube busca patrocínios pontuais, negocia vendas e evita alongar o rombo para a próxima gestão
Existe um tipo de silêncio que pesa mais do que qualquer discurso, e é esse o clima que ronda os corredores do CT Parque Gigante nos últimos dias. Antes mesmo de o apito inicial do Gre-Nal soar, o elenco colorado já havia dado um recado: sem regularização dos salários atrasados, não haveria concentração. O aviso, silencioso e firme, escancarou uma crise que a diretoria tenta agora conter com um verdadeiro plano de contingência.
Uma dívida que passa dos R$ 10 milhões
O Internacional deve ao elenco duas folhas de pagamento referentes a direito de imagem e uma fração do 13º salário de 2025. Somado, o valor ultrapassa a casa dos R$ 10 milhões — cifra que, mais do que um número em planilha, tornou-se o pano de fundo emocional de uma semana de clássico. A insatisfação dos atletas, represada por respeito ao momento competitivo, veio à tona na recusa em cumprir a etapa de concentração.
As frentes abertas pela diretoria
Cientes de que a bola de neve pode gerar punições ainda mais severas — o transfer ban já imposto nesta semana é apenas a mais recente delas —, os principais executivos das diversas áreas do clube se reuniram para transformar urgência em estratégia. O resultado é um conjunto de medidas que caminham em paralelo, todas com o mesmo objetivo: colocar dinheiro em caixa o mais rápido possível.
1ª frenteUma marca de pneus já fechou a compra do patrocínio máster da camisa por quatro partidas, por cerca de R$ 1 milhão. A diretoria negocia parceiros dispostos a vínculos mais longos.
2ª frenteAlternativa considerada, mas vista com cautela pelos trâmites mais lentos e pelo receio de deixar mais uma dívida herdada para a gestão que assume em janeiro.
3ª frenteDependeria de aval do Conselho Deliberativo e gera resistência interna, por comprometer receitas já comprometidas com a próxima diretoria.
4ª frenteClube avisou empresários que aceitará propostas dentro do valor de mercado. Carbonero é o nome mais próximo de sair, com sondagem do Krasnodar, da Rússia.
Base sub-20 pode ajudar no caixa
Outra via observada com atenção é a categoria de base. Jovens do sub-20 despertam interesse de clubes de fora e podem ter saída facilitada, já que não desfalcariam de imediato o time comandado por Paulo Pezzolano nas disputas do Brasileirão e da Copa do Brasil. É uma equação que tenta equilibrar presente e futuro sem sacrificar o planejamento esportivo da temporada.
"Não houve falta de entrega em campo. O grupo entendeu o momento do clube e mesmo sem a concentração se doou no Gre-Nal como sempre fez." — Dirigente do Internacional, sob reserva