Inter perde Sanabria e Grêmio soma quatro lesões em duas semanas às vésperas de decisões no Z-4
Outubro ainda não acabou e já cobra seu preço nos dois maiores clubes do Rio Grande do Sul. Enquanto a tabela do Brasileirão aperta o cerco e empurra Inter e Grêmio para dentro do Z-4, os departamentos médicos dos dois clubes se enchem de nomes importantes. No Beira-Rio, o paraguaio Tonny Sanabria voltou a sentir a panturrilha esquerda e ficou fora da viagem para enfrentar o Mirassol nesta sexta-feira, deixando Alerrandro sozinho na artilharia colorada. Na Arena, o Grêmio amanheceu a semana contando o quarto lesionado em 15 dias, depois que Nardoni e João Borne se juntaram a Matheus Nascimento e Jovane Cabral na lista de ausências para o jogo com o Cruzeiro, domingo. Dois times, duas urgências, o mesmo calendário apertado contra o rebaixamento.
Inter: Alerrandro sem alternativa no ataque
A novidade negativa chegou na véspera da viagem a São Paulo. Sanabria, que treinava normalmente no CT Parque Gigante e parecia próximo de voltar a ficar à disposição, sentiu novamente a panturrilha esquerda — exatamente a região que o tirou de combate quando defendia a seleção paraguaia. O clube não divulgou prazo de recuperação, e o atacante não embarcou com o restante do grupo rumo ao Maião, onde o Inter enfrenta o Mirassol nesta sexta-feira, às 20h.
Com isso, o técnico Eduardo Baptista perde a única alternativa de origem para a função de centroavante e segue dependendo exclusivamente de Alerrandro. Sanabria chegou na janela do meio do ano, depois de passagem pelo Cremonese, da Itália, e tem contrato até o final de 2029 — mas, em seis jogos pelo Colorado, ainda não balançou as redes.
O momento é delicado porque o duelo com o Mirassol, no Maião, vale seis pontos na briga direta contra o rebaixamento. Uma vitória tira o Inter da zona e abre distância do adversário; um tropeço pode empurrar o Colorado ainda mais para o fundo da tabela, com o agravante de o time paulista ter 51% de aproveitamento na temporada.
Grêmio: quatro baixas em duas semanas
Enquanto o Inter lida com a ausência isolada de Sanabria, o Grêmio enfrenta um problema em cadeia. Em apenas 15 dias, o técnico Renato Portaluppi perdeu quatro jogadores para o departamento médico, e apenas um deles está perto de voltar.
Nardoni
Lesão na posterior da coxa esquerda, constatada em ressonância após desconforto no treino de quarta-feira. Fica fora contra Cruzeiro e Coritiba.
João Borne
Lesão na posterior da coxa direita, mesmo diagnóstico e mesma previsão de retorno em cerca de 15 dias.
Jovane Cabral
Lesão muscular no retofemoral da coxa esquerda, sofrida pela seleção de Cabo Verde na data Fifa. Retorno previsto só em novembro.
Matheus Nascimento
Sentiu dores no tornozelo antes do jogo com o Remo. Já treina no campo e deve voltar contra o Coritiba, no dia 26.
Nardoni e João Borne eram esperados, ao menos, no banco de reservas contra o Cruzeiro — a expectativa era de que ganhassem minutos conforme recuperassem ritmo. Agora, o Grêmio terá que seguir sem os dois também no confronto com o Coritiba, no dia 26 de outubro.
Calendário não dá trégua
Depois de Cruzeiro e Coritiba, o Tricolor ainda enfrenta Athletico-PR e Flamengo pelo Brasileirão, além do Atlético-MG pela Copa do Brasil, antes de a temporada parar para mais uma data Fifa, entre 9 e 17 de novembro. Ou seja: o Grêmio vai precisar atravessar o trecho mais decisivo do ano com o departamento médico cheio.
Ataque gremista também sofre fora das lesões
O problema do Grêmio não se limita à lista de lesionados. Carlos Vinícius completou o sexto jogo sem marcar no Gre-Nal do último domingo, igualando a segunda pior seca de gols de sua passagem pelo clube. Desde que Renato assumiu o comando, a situação piorou: em três partidas, o centroavante finalizou apenas uma vez, contra o Palmeiras, e não acertou o gol nem diante do Remo nem no clássico.
Preocupado em reverter o quadro, Renato tem dedicado a semana de treinos no CT Luiz Carvalho a ajustes táticos para aproximar os pontas do centroavante.
— Os atacantes tinham o costume de jogar muito em cima da linha, muito aberto, o que eu não gosto. Por que não gosto? Justamente porque o Vinicius fica muito sozinho na área. Então, estou tirando essa mania dos nossos atacantes, seja tanto de um lado como do outro, para eles se aproximarem do Vinicius. Quando um está fazendo a jogada, o atacante do lado oposto tem que fechar com o Vinicius.
— Renato Portaluppi, técnico do Grêmio
O ex-atacante gremista Zé Alcino pediu paciência com o momento do centroavante, hoje pendurado e sob risco de desfalcar o time também contra o Coritiba caso receba cartão amarelo diante do Cruzeiro.
— É difícil. Ele fez muitos gols e de uma hora para a outra não consegue. É comum. Mas o caminho é seguir trabalhando, treinando em um bom ritmo. Ter confiança. E é um momento que vai passar. É a fase mesmo. Ele teve o gol anulado no Gre-Nal. É dar tempo. Não é algo individual apenas. Passa pelo coletivo também. O setor todo precisa render o necessário.
— Zé Alcino, ex-atacante do Grêmio
Já Rafael Jaques, também ex-atacante e hoje com experiência como técnico, atribuiu a seca ao momento coletivo da equipe, não a uma questão individual de Carlos Vinícius.
— No meu ponto de vista, isso é oriundo da situação do time. Em função do coletivo não estar produzindo tanto. O jogador terminal precisa do suporte da equipe. Pelo que temos visto, infelizmente, não tem acontecido. Não há necessidade de usar a palavra recuperar no caso do Carlos Vinícius. Ele é um definidor. Se tiver as oportunidades, fará os gols.
— Rafael Jaques, ex-atacante e técnico
Os números explicam a preocupação do Grêmio. No Brasileirão do ano passado, Carlos Vinícius precisava de 73 minutos em média para participar de um gol. Nesta temporada, com 29 jogos e 2.258 minutos em campo, esse número subiu para 205 minutos — reflexo direto da queda de produção do setor ofensivo como um todo.
Noite de seis pontos no Maião
De volta ao lado colorado, a pressão em torno do jogo com o Mirassol cresce porque o Inter chega embalado por resultados positivos — vitória sobre o Corinthians e empate no Gre-Nal fora de casa — mas sem nunca ter vencido o Leão Caipira. Diferente de 2025, quando não perdeu em casa no Brasileirão, o Mirassol oscila mais nesta temporada, somando 51% de aproveitamento geral.
Sem Sanabria como opção, o apelo recai inteiramente sobre Alerrandro para resolver um confronto que pode definir o humor do Inter antes da sequência de jogos no Beira-Rio, incluindo o duelo direto com o Botafogo.