Inter dá início às sabatinas com José Amarante nesta noite
Enquanto o time profissional ainda corre contra o tempo dentro de campo pela permanência na Série A, o Beira-Rio também vive, fora dele, uma disputa que vai determinar os próximos anos do clube. Nesta quarta-feira (21), o Internacional entra oficialmente no clima de eleição presidencial: o Grupo RBS inicia a série de sabatinas com os três candidatos ao posto hoje ocupado por Alessandro Barcellos, e o primeiro a sentar na cadeira de entrevistado é José Amarante, a partir das 19h, com transmissão pelo canal Gaúcha Esportes no YouTube.
Três noites, três candidatos
A sabatina de Amarante abre um ciclo de três dias decisivos para quem acompanha os bastidores do clube. Na quinta-feira (22), é a vez de Leonardo Aquino subir ao palco das perguntas. Na sexta (23), fecha a rodada Roberto Melo. Os três disputam a sucessão de Barcellos, eleito no fim de 2020 e reeleito três anos depois.
Cada entrevista terá formato padronizado: uma hora e meia de duração, apresentação de Eduardo Gabardo e participação dos jornalistas Maurício Saraiva, Leonardo Oliveira, Nani Chemello, Tomás Hammes e Rafael Diverio. Os temas vão além do time principal — futebol masculino e feminino, categorias de base, finanças, gestão, governança, infraestrutura e o debate sobre a SAF estão todos na mesa.
O caminho até a posse
O calendário eleitoral já está fechado. O primeiro turno da votação ocorre em 9 de novembro, dentro do Conselho Deliberativo. Caso nenhum candidato atinja a maioria necessária, os dois mais votados — desde que superem a cláusula de barreira de 15% dos votos — avançam para uma segunda etapa, com participação direta dos sócios no chamado "pátio", marcada para 12 de dezembro. Quem vencer comanda o Inter entre 2027 e 2029.
A herança pesada que espera o próximo mandato
As sabatinas chegam em um momento delicado nos números do clube. Segundo levantamento da Zero Hora, a dívida total do Inter já passa de R$ 1 bilhão — o balanço de 2025 apontava R$ 929 milhões (R$ 755 milhões sem contar o Beira-Rio), e o quadro só piorou. Nos primeiros sete meses de 2026, o clube registrou déficit de R$ 160 milhões, R$ 40 milhões acima do previsto, puxado pela frustração de receitas com patrocínio e negociação de atletas.
Tem que fechar a torneira de um lado. É um tripé, que vale para qualquer clube: redução de dívida, que a dívida é atualizada e os juros estão nas alturas; controle de orçamento para não aumentar o bolo; e maximização de receitas. Amir Somoggi, economista especialista em finanças esportivas
Outro ponto sensível é a quantidade de transfer bans que o clube pode acumular até a próxima gestão assumir. O Inter tem R$ 120,3 milhões em dívidas de transferências desde 2021, das quais R$ 58,8 milhões já venceram — parte delas ligada às contratações de Juninho (Midtjylland) e Ramon (Olympiacos), que já geraram punição da Fifa. Há ainda cinco processos em curso que podem resultar em novos bloqueios, incluindo um referente à compra do volante Benjamin.
Sem patrocínio máster e no limbo da SAF
A falta de uma marca na frente da camisa também pesou no caixa em 2026: a meta era faturar R$ 50,4 milhões em patrocínios entre janeiro e julho, mas o clube arrecadou R$ 20,7 milhões. Os acordos pontuais fechados no segundo semestre amenizaram o problema, mas sem o impacto que teria uma marca fixa durante todo o ano — cenário agravado pela proibição das casas de apostas, que até pouco tempo pagavam valores acima do mercado.
A possível transformação do clube em SAF e um eventual pedido de recuperação judicial — já sugerido pela consultoria Alvarez & Marsal, contratada pelo Inter — dividem especialistas.
Quem compra um clube de futebol, teoricamente, tem como primeiro projeto resolver o problema das dívidas, porque não dá para trabalhar com dívidas tão altas no mercado brasileiro. Segundo, é investir para que esse ativo cresça. O desafio não é ficar preocupado se o valor anunciado é de R$ 50 milhões ou R$ 1 bilhão. Cesar Grafietti, consultor de Gestão e Finanças do Esporte
Está todo mundo nessa bola da recuperação judicial, mas não é bom para a marca e para o time entrar nesse processo. É bom para as dívidas, porque você renegocia, alonga, paga valores mais baixos — mas, para a reputação e o desenvolvimento, eu não vejo com bons olhos. Amir Somoggi, economista especialista em finanças esportivas
A atual diretoria já descartou entrar com pedido de recuperação judicial e optou por um Plano de Parcelamento Coletivo junto à Câmara Nacional de Resolução de Disputas, que soma R$ 31 milhões em dívidas renegociadas até agora — valor que pode crescer com a adesão de novos credores.
Base: o tesouro que precisa de cuidado
Fora das planilhas financeiras, o próximo presidente também herda a responsabilidade sobre as categorias de base, que tiveram quatro coordenadores diferentes nos últimos seis anos — hoje o cargo é de Carlos Noval, vindo de passagem vitoriosa no Flamengo. Os candidatos ainda não confirmaram se mantêm o profissional no cargo.
O sub-15 colorado, no entanto, é apontado como o principal destaque da base: campeão da primeira Copa do Brasil da categoria e do Gauchão, o time de Douglas Rodrigues colocou três jogadores — o goleiro Arthur, o zagueiro Guilherme Borges e o meia Brenner — entre os 14 convocados para o Mundial sub-15, disputado neste mês no Azerbaijão, sendo o clube com mais representantes na lista.
Mais de R$ 1 bilhão
Estimativa atual, segundo Amir Somoggi, já acima dos R$ 929 milhões apurados no balanço de 2025.
R$ 160 milhões
Resultado negativo nos primeiros sete meses do ano, R$ 40 milhões acima do previsto pela diretoria.
R$ 58,8 milhões vencidos
De um total de R$ 120,3 milhões em dívidas de transferências desde 2021; mais cinco bloqueios podem vir.
3 jogadores no Mundial
Sub-15 do Inter, campeão do Gauchão e da Copa do Brasil da categoria, lidera convocações ao Azerbaijão.
As sabatinas seguem nos próximos dois dias: Leonardo Aquino fala na quinta (22) e Roberto Melo encerra a rodada na sexta (23), sempre pelo canal Gaúcha Esportes. A eleição no Conselho Deliberativo está marcada para 9 de novembro, com possibilidade de segunda etapa no "pátio", em 12 de dezembro, caso nenhum nome ultrapasse a cláusula de barreira. O vencedor assume o Inter em 2027, justamente no momento em que o clube tenta equilibrar as contas e, dentro de campo, confirmar a permanência na Série A.