Bola parada travada: por que o Inter precisa destravar essa arma antes da Copa do Brasil
Bola parada travada: por que o Inter precisa destravar essa arma antes da Copa do Brasil
Pezzolano reconhece o problema em entrevista após o empate e admite que faltas e escanteios precisam virar prioridade nos treinos da semana
Há um instante, dentro de cada jogo, em que o estádio inteiro se levanta ao mesmo tempo. A bola para, a bandeirinha aponta para o escanteio, o zagueiro se posiciona na segunda trave e a torcida ensaia aquele grito que promete o gol antes mesmo de ele acontecer. É a expectativa da bola parada — e ultimamente ela vem sendo traída, lance após lance, pelo próprio Inter.
Cruzamentos que não encontram ninguém
Não é exagero nem impressão de torcedor arredio: os cruzamentos colorados, na maioria das vezes, sequer chegam perto de uma cabeça vermelha. Faltas cobradas na lateral, escanteios levantados sem intenção clara, bolas que morrem direto na linha de fundo sem tocar em ninguém. O time cria a oportunidade, arma a jogada, para tudo — e desperdiça o que deveria ser a chance mais fácil de gerar perigo.
O detalhe é que nem sempre é preciso um gol de cabeça espetacular para que a bola parada valha a pena. Basta um rebote mal afastado, uma bola que sobra na área, um zagueiro adversário que se atrapalha. Foi assim, aliás, que o próprio Inter marcou contra o Corinthians: em uma sobra de escanteio mal afastado, Matheus Bahia aproveitou o lance solto dentro da área. É esse tipo de acaso provocado — e não o desperdício repetido — que o time precisa buscar com mais insistência.
Os números não mentem
São apenas quatro gols nascidos de lances de bola parada até aqui na competição — um número que expõe uma fragilidade recorrente em um time que já sofre para criar na bola rolando. Quando a criatividade no jogo corrido esbarra em marcações fechadas, faltas e escanteios deveriam ser o alívio, a válvula de escape. Em vez disso, viraram só mais um capítulo de frustração.
E o contraste incomoda ainda mais porque o cenário pede just o oposto: o próximo rival do Colorado no mata-mata da Copa do Brasil vem sofrendo gols justamente em bolas paradas. É um convite explícito para que o Inter aproveite a fragilidade alheia — desde que resolva primeiro a própria.
Pezzolano concorda com a cobrança
Questionado sobre o tema após o empate, o técnico Eduardo Pezzolano não escondeu a preocupação e reconheceu que o aproveitamento das bolas paradas precisa melhorar. O discurso do treinador caminha na mesma direção da cobrança que já vinha da arquibancada: faltas e escanteios não podem seguir sendo tratados como jogadas de menor importância nos treinamentos.
Entendemos a importância de aproveitar essas oportunidades. É algo que vamos trabalhar com atenção nesta semana.
Eduardo Pezzolano — técnico do Internacional
A fala do uruguaio soa como reconhecimento público de um problema que os números já denunciavam havia tempo. Mais do que um ajuste técnico, trata-se de uma mudança de mentalidade: transformar a bola parada de detalhe secundário em prioridade real dos treinos, com repertório de variações, marcação de zonas e finalização mais agressiva.
Faltam poucos dias para o duelo decisivo pela vaga na semifinal da Copa do Brasil, e o Beira-Rio pode muito bem testemunhar a virada de chave que falta ao Inter. Um escanteio bem cobrado, uma falta levantada com intenção, um desvio de cabeça no primeiro pau — pode ser pouco, mas às vezes é exatamente disso que se faz uma classificação.