Grêmio recebe o São Paulo na Arena com missão de deixar o Z-4
Grêmio recebe o São Paulo na Arena com missão de deixar o Z-4
Tricolor gaúcho chega desgastado por três decisões seguidas, mas embalado pela classificação na Copa do Brasil, para enfrentar um adversário que só treinou nas últimas duas semanas.
Tem sábado em que o calendário e a vontade da torcida se encontram no mesmo horário. Às 16h, véspera de Dia dos Pais, a Arena vai se encher para um duelo que carrega mais do que três pontos: o Grêmio recebe o São Paulo neste sábado (8), pela 22ª rodada do Brasileirão, com a missão simples de dizer no papel e complicada de executar em campo — vencer para deixar o Z-4. O Tricolor gaúcho abre a zona de rebaixamento na 17ª colocação, com 22 pontos, e sabe que uma vitória muda o clima da temporada antes mesmo de agosto acabar.
Um duelo de tricolores que pesa mais para um lado
Grêmio e São Paulo se cruzam num momento de contrastes. De um lado, o time de Luís Castro vem de uma sequência de decisões: eliminação para o Bolívar na Sul-Americana e duas partidas contra o Mirassol pela Copa do Brasil, a última delas vencida por 1 a 0 e que garantiu vaga nas quartas de final. Do outro, o São Paulo de Dorival Júnior não entra em campo desde 26 de julho, quando empatou em 1 a 1 com o Flamengo no Maracanã — quatorze dias de treino puro, sem o desgaste de mata-mata, já que o time paulista está fora da Copa do Brasil e teve a partida contra o Santos adiada.
Como chega o Grêmio
O time que goleava sensações passou a colecionar boletins médicos. Depois da sequência de mata-matas, o departamento físico do Grêmio soma nomes com sinais de fadiga: Villasanti, Noriega, Marlon e Amuzu estão entre os que mais acusaram desgaste durante a semana. Tetê, com lesão muscular leve no quadril, deve desfalcar a equipe pela segunda partida seguida — e Pavón segue como sua substituição natural na ponta.
Krovinovic, reforço croata apresentado no início da semana, ainda não tem condições de estrear: o visto de trabalho do jogador não foi publicado no Diário Oficial da União, e a tendência é que a burocracia só se resolva a tempo do confronto seguinte, diante do Atlético-MG, no dia 16, em Belo Horizonte. Até lá, o meia segue treinando normalmente no CT Luiz Carvalho, se adaptando ao futebol brasileiro ao lado do restante do elenco.
"Quando tem uma tristeza, desilusão, fica mais difícil. Vitória faz com que a recuperação seja mais rápida. Mas temos a consciência de que é uma violência extrema jogar com dois dias entre os jogos. Vamos recuperar. Vai ser extremamente difícil."
— Luís Castro, técnico do Grêmio
Como chega o São Paulo
Se o discurso gremista é de cautela com o físico, o do São Paulo é de time descansado e reforçado. Depois do empate com o Flamengo, o comando de Dorival Júnior usou as duas semanas livres para um jogo-treino contra o Ituano, vencido por 4 a 0 com os titulares preservados. Fora de campo, o clube colocou a casa em ordem: renovou o contrato do artilheiro Jonathan Calleri até 2028 e se livrou de um entrave no transfer ban da Fifa após acertar uma dívida com a Lazio referente ao meia Marcos Antônio — o que destravou a contratação do zagueiro português Domingos Duarte e do lateral-esquerdo Iago, ex-Inter, que podem ser regularizados a tempo de viajar a Porto Alegre.
Como visitante, porém, o São Paulo não é páreo fácil de se prever: são seis derrotas fora de casa na temporada, mesmo emendando uma sequência de cinco jogos sem perder como visitante mais recentemente. O time chega em crise de bastidores — o zagueiro Arboleda foi reintegrado após período afastado, a pedido do próprio Dorival, e o lateral revelação Nicolas se envolveu em um acidente de trânsito com vítima fatal durante a semana, episódio que abalou o ambiente no CT paulista.
Grêmio
Weverton; Diego Caito, Gustavo Martins, Wallace e Marlon; Villasanti, Noriega e Nardoni; Pavón, Amuzu e Carlos Vinícius. Técnico: Luís Castro.
São Paulo
Rafael; Lucas Ramon, Arboleda, Osório (ou Sabino) e Wendell; Pablo Maia, Danielzinho e Marco Antônio; Artur, Calleri e Luciano. Técnico: Dorival Júnior.
Análise: administrar o desgaste contra quem só treinou
O jogo dentro do jogo é físico antes de ser tático. O Grêmio soube sofrer contra o Mirassol e mostrou que consegue jogar sem brilho quando o resultado exige — mas repetir isso pela quarta vez em pouco mais de duas semanas é outra conversa, e a comissão técnica sabe disso. A vantagem gremista está no calendário logo depois: com o próximo compromisso apenas no dia 16, contra o Atlético-MG, dá para gerenciar minutagem sem medo de pagar caro na sequência. Já o São Paulo chega com o time praticamente escolhido havia duas semanas, o que tira qualquer desculpa de ritmo — e coloca ainda mais peso na entrega de um elenco que, no papel, tem mais qualidade individual para decidir os detalhes.
Onde assistir
A partida tem transmissão do Premiere, com a Rádio Guaíba abrindo a cobertura a partir das 15h30min. Os portões da Arena abrem às 14h, e o clube projeta público superior a 30 mil torcedores — com chance real de superar os 35 mil, o que seria o segundo maior público do Grêmio na temporada, atrás apenas da final do Gauchão contra o Inter. O apito inicial é do árbitro mineiro André Luiz Skettino Policarpo Bento, com Heber Roberto Lopes (SC) no VAR.
Sábado de Arena cheia, time cansado de vencer decisões e um rival que só espera o apito para começar a jogar de verdade. Se o Grêmio confirmar o favoritismo da tabela e da torcida, sai do Z-4 embalado para encarar o Atlético-MG com a cabeça mais leve. Se tropeçar, a pressão volta a pesar justamente na semana em que o Rio Grande do Sul já vira os olhos para outro assunto: terça-feira (11) tem sorteio das quartas de final da Copa do Brasil, com Grêmio e Inter entre os oito classificados — e a chance, ainda que remota, de um Gre-Nal decisivo no radar.