Grêmio rompe promessa de campanha e firma patrocínio máster com o Banrisul
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Campanha vira discurso, discurso se transforma em promessa e promessa, enfim, é testada pela realidade do mercado. Foi essa conta que a diretoria do Grêmio teve que fechar nesta semana, ao estampar o nome do Banrisul na camisa tricolor para a reta final do Campeonato Brasileiro. Em evento realizado na quarta-feira, dentro da sede do banco gaúcho, o clube oficializou um acordo que reabre, na prática, a parceria com a mesma instituição que também patrocina o maior rival da capital, o Internacional — justamente o que a atual gestão dizia que jamais faria.
Uma promessa que não resistiu ao mercado
Desde que assumiu o Grêmio, a gestão encabeçada pelo presidente Odorico Roman e pelo CEO Alex Leitão repetiu, em diferentes ocasiões, que o clube buscaria um patrocinador máster distinto do parceiro colorado, como forma de cada time explorar seu próprio mercado e sua própria estratégia de marketing. O discurso, porém, não sobreviveu às voltas que o ano deu.
"Realmente, durante a campanha, dizíamos que buscaríamos um patrocinador diferente para cada clube buscar trabalhar dentro do seu mercado e de sua perspectiva de marketing. Só que o mercado de máster ficou um pouco conturbado neste ano. Tínhamos um patrocinador, mas perdemos na virada do ano, quando as marcas já estão definidas. Nós fechamos um novo acordo e todos viram o que aconteceu no mercado de Bets. Surgiu essa oportunidade em um movimento muito de apoio do Banrisul. Foi um chamamento aos dois clubes e não teria como recusar esse gesto." — Odorico Roman, presidente do Grêmio
Seis jogos, R$ 3,6 milhões e uma exceção na Copa do Brasil
O acordo entre Grêmio e Banrisul vale especificamente para as últimas seis rodadas do time na Série A. A estreia da marca no peito tricolor já aconteceu na partida contra o Athletico-PR, e o patrocínio segue firme para os confrontos com Flamengo, Bahia, Santos, Corinthians e Mirassol.
Há, no entanto, uma ressalva importante: o acerto não cobre a disputa do Grêmio na Copa do Brasil. Nos jogos das semifinais contra o Atlético-MG, e em uma eventual final do torneio, o banco gaúcho não vai aparecer na região mais nobre da camisa tricolor.
O rastro deixado pela MP das bets
O acerto emergencial com o Banrisul não surge isolado. Ele é consequência direta de uma reviravolta que atropelou o planejamento financeiro do Grêmio ainda no início do ano. Dias antes da assinatura, pelo presidente Lula, da medida provisória que suspendeu a operação das casas de apostas no país, o clube havia anunciado a Pitaco como nova patrocinadora máster, em um contrato que giraria em torno de R$ 40 milhões por ano — cerca de R$ 3,3 milhões por mês, valor muito superior ao agora acertado com o banco gaúcho.
Com a MP em vigor e as bets impedidas de atuar no mercado brasileiro, o vínculo com a Pitaco ficou paralisado, sem data para ser retomado ou definitivamente encerrado.
"Uma medida provisória que tornou as bets hoje no Brasil impedidas de operarem. O nosso contrato com a Pitaco está suspenso e aguardamos a decisão que vai acontecer, se a medida provisória vai ser rejeitada, aprovada ou modificada. Para só então o Grêmio decidir, junto com a Pitaco, o que vai acontecer no ano que vem." — Odorico Roman, presidente do Grêmio
Com o cenário das bets ainda indefinido na esfera federal, o Grêmio segue sem um plano consolidado para a patrocinadora máster de 2027. A continuidade da parceria com o Banrisul não está descartada pela diretoria, o que manteria o clube na mesma contradição apontada desde a assinatura: competir com o rival da capital usando a camisa do mesmo banco no peito. Por ora, o que está garantido é a presença da marca nos seis jogos restantes do Grêmio na Série A — com o time de olho também na briga direta pelas semifinais da Copa do Brasil, competição em que o acordo não vale.