Grêmio avalia abandonar a Copa do Brasil e diretoria discute mudanças em meio à crise no Brasileirão
- Renato nega pedido de demissão, confirma multa a Kannemann e garante volta de Wallace contra o Coritiba
- Grêmio vive clima de fim de festa na Arena após vexame diante do Cruzeiro
- Grêmio desperdiça vantagem dupla, leva 4 a 2 do Cruzeiro e mergulha ainda mais no Z-4
O domingo começou com o Grêmio na frente do placar, duas vezes, e terminou como um velório dentro da própria Arena. A virada sofrida para o Cruzeiro, por 4 a 2, empurrou o Tricolor mais para dentro do Z-4 do Brasileirão e abriu, nesta segunda-feira (19), uma rodada de decisões difíceis: o clube debate abrir mão da Copa do Brasil para se dedicar de corpo e alma à fuga do rebaixamento, enquanto a diretoria se reúne para discutir mudanças no departamento de futebol — com os cargos do executivo Paulo Pelaipe e do vice-presidente Rafael Lima sob pressão.
Clima de velório no vestiário
A derrota deixou marcas visíveis no CT. Depois de abrir o placar duas vezes e ver o Cruzeiro virar o jogo, o grupo gremista ouviu de cabeça baixa e em silêncio a cobrança de Renato Portaluppi, ainda no vestiário da Arena. O ambiente teve a presença de todo o departamento de futebol e também do presidente Odorico Roman. Rafael Lima acompanhou de perto a entrevista do treinador à imprensa — novamente marcada por críticas duras à diretoria — enquanto Paulo Pelaipe permaneceu no vestiário.
Antes de falar aos jornalistas, Renato teve uma conversa reservada com Odorico Roman na sala do técnico. Também se dirigiu ao elenco: cobrou os erros cometidos em campo, mas insistiu que ninguém pode perder a esperança até o fim do Brasileirão. Segundo apurado pela reportagem, em nenhum momento o treinador colocou o cargo à disposição ou ameaçou deixar o comando da equipe.
Nesta terça-feira, jogadores e comissão técnica já retornam aos trabalhos no CT Luiz Carvalho, com a mensagem interna de manter a crença na reação até a última rodada.
Copa do Brasil pode ficar em segundo plano
O resultado fez o Grêmio refazer as contas. Até a derrota para o Cruzeiro, o discurso oficial era de ir jogo a jogo. A partir de agora, nos bastidores, a conta é outra: são necessárias pelo menos quatro vitórias nos sete jogos finais do Brasileirão para o clube evitar o que seria o quarto rebaixamento de sua história.
O problema é o retrospecto recente. O Tricolor ainda não venceu como visitante nesta edição do Brasileirão e também amarga jejum em casa: são quatro jogos sem vencer na Arena, onde restam apenas três confrontos. Pela projeção interna, as vitórias precisam vir diante de Coritiba, Flamengo, Santos e Corinthians.
É nesse cenário que entra o debate sobre a Copa do Brasil. O Grêmio discute internamente escalar um time com preservações diante do Atlético-MG, na partida de ida da semifinal, na Arena, no próximo domingo (1º/11), para ter o que a diretoria chama de "tanque cheio" quatro dias depois, contra o Flamengo, na quarta-feira (4), pelo Brasileirão. A definição final deve ser tomada em conjunto pelo departamento de futebol e pela direção do clube nos próximos dias.
A semana que vem é especialmente carregada: Coritiba no dia 26, Athletico-PR no dia 29 e o próprio confronto com o Galo pela Copa do Brasil fecham um calendário apertado para um time que já mostra sinais de desgaste físico e emocional.
Diretoria sob pressão: Pelaipe e Rafael Lima no centro do debate
Enquanto o departamento de futebol trata da escala de prioridades entre Brasileirão e Copa do Brasil, outra reunião, em paralelo, pode redesenhar a cúpula do clube. O Conselho de Administração do Grêmio se encontra às segundas-feiras para tratar de assuntos gerais, mas nesta segunda (19) o tema futebol deve ocupar boa parte da pauta entre os dirigentes.
Apurado por GZH: as permanências do executivo Paulo Pelaipe e do vice-presidente de futebol Rafael Lima estarão em discussão. As críticas recorrentes de Renato Portaluppi às contratações feitas pela atual gestão atingem diretamente o departamento, e não está descartada a possibilidade de mudanças no setor depois do encontro desta segunda-feira.
O pano de fundo é a posição na tabela: depois da derrota para o Cruzeiro, o Grêmio ocupa o 18º lugar, com 31 pontos, e a pressão sobre jogadores, dirigentes e comissão técnica só aumenta a cada rodada.
A mira sem nome de Renato
As críticas públicas do treinador ao modelo de contratações do clube reabriram uma discussão sobre quem, de fato, é o alvo das falas. Renato nunca citou nomes, mas a direção de suas cobranças tem apontado, segundo análise da coluna de Zé Alberto em GZH, para dentro do próprio departamento de futebol.
A coluna lembra que Renato e Paulo Pelaipe nunca haviam trabalhado juntos profissionalmente até a atual passagem do treinador pelo clube, e que o executivo participou da negociação que trouxe Renato muito mais do que o ainda recente vice-presidente Rafael Lima. Também afasta a hipótese de que as críticas sejam dirigidas a Odorico Roman — presidente com quem o treinador já trabalhou, venceu Copa do Brasil e Libertadores, e que o recolocou no cargo nesta passagem — ou ao ex-vice Antônio Dutra Júnior, mentor da filosofia atual do departamento mas que já havia deixado o cargo antes das últimas contratações.
Resta, na leitura da coluna, o nome de Paulo Pelaipe: profissional conhecedor de mercado, ativo nas negociações e responsável pelo setor desde o primeiro dia da gestão Odorico Roman — o que o coloca como alvo mais evidente das críticas indiretas do treinador.
Renato descarta saída do cargo
Apesar dos rumores que surgiram após a derrota, de que o treinador teria colocado o cargo à disposição da diretoria, a coluna de Eduardo Gabardo em GZH trouxe a posição direta de Renato nesta segunda-feira: não existe a menor possibilidade de ele deixar o comando do time. Segundo relatado pelo colunista, o treinador afirmou que não pediu demissão e não pedirá, independentemente do que acontecer, e que seguirá até o final do Campeonato Brasileiro tentando salvar o Grêmio do rebaixamento — mesmo diante da dificuldade do momento, ele diz acreditar na reversão do cenário.
Na tarde desta segunda-feira já começa o trabalho de remobilização visando o confronto com o Coritiba, no dia 26, primeiro de uma sequência de pelo menos quatro vitórias necessárias nos últimos sete jogos para o clube permanecer na Série A.
O Grêmio chega a esta semana decisiva com duas frentes abertas: a tática, que pode custar o foco total na Copa do Brasil em nome do Brasileirão, e a institucional, com o futuro de Paulo Pelaipe e Rafael Lima em aberto depois da reunião desta segunda-feira. No campo, o calendário não dá trégua — Coritiba, Athletico-PR e Atlético-MG, pela Copa do Brasil, se sucedem em menos de duas semanas, antes do duelo direto com o Flamengo que pode definir boa parte do destino tricolor na temporada.