Grêmio abre processo ético interno para apurar torcedor flagrado em suposto ato racista contra o Inter
A euforia e a tensão de mais um Gre-Nal ainda não tinham baixado quando as imagens começaram a circular pelas redes sociais. Entre a festa de quem comemorava o empate e a frustração de quem queria os três pontos, um vídeo passou a chamar atenção por outro motivo: um torcedor, nas dependências da Arena, fazendo gestos que imitam um macaco em direção à torcida do Inter. Nesta segunda-feira (12), o Grêmio confirmou a abertura de um processo ético interno para apurar o caso.
O episódio aconteceu no entorno do Gre-Nal 455, disputado no domingo (11), que terminou empatado em 1 a 1 — gol de Vitinho para o Inter e de Wallace para o Grêmio — pela 30ª rodada do Brasileirão. O resultado manteve os dois rivais na zona de rebaixamento da competição, mas o que ficou marcado no dia seguinte foi a repercussão das imagens do torcedor tricolor.
A denúncia e a resposta do clube
O vídeo não entrou na súmula da partida e o homem flagrado ainda não tinha sido identificado até a divulgação das primeiras informações sobre o caso. Mesmo assim, a repercussão nas redes sociais foi suficiente para o Grêmio se movimentar rapidamente. Em nota oficial, o clube confirmou que já trabalha para identificar o torcedor e garantiu que vai colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação.
"O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense informa que, sobre o vídeo que circula nas mídias sociais denunciando ato de racismo, já atua na identificação do torcedor envolvido para a apuração do ocorrido. O Clube esclarece que, caso o torcedor seja sócio, será suspenso preventivamente e que já foi determinada a abertura de processo ético interno. O Grêmio reforça que irá colaborar com as autoridades na investigação de todos os fatos ocorridos. Como Clube de Todos, o Grêmio reafirma seu compromisso antirracista e com uma sociedade livre de qualquer tipo de preconceito." — Nota oficial do Grêmio
Conselho Deliberativo entra em ação
Antes mesmo da nota oficial do clube, quem deu o primeiro sinal público de que o caso seria apurado foi o presidente do Conselho Deliberativo do Grêmio, Philippe Jardim. Pela própria rede social, o dirigente anunciou que já tinha oficiado o presidente da Comissão de Ética e Disciplina do Conselho para dar início ao procedimento de apuração, com base no código de ética da instituição.
"Acabei de oficiar ao Presidente da Comissão de Ética e Disciplina do CD para ciência e instauração de procedimento de apuração de infração ética conforme Código de Ética do Clube." — Philippe Jardim, presidente do Conselho Deliberativo do Grêmio
Na prática, o caso passa a tramitar em duas frentes dentro do próprio clube: a diretoria executiva, que promete colaborar com as autoridades policiais e judiciais, e o Conselho Deliberativo, que vai avaliar uma eventual infração ética à luz do estatuto gremista — o que pode resultar em punições internas, caso o torcedor seja identificado como sócio.
Contexto: um Gre-Nal de pouca alegria para os dois lados
O episódio ganha ainda mais peso porque o Gre-Nal 455 já não foi um dia fácil para nenhum dos dois clubes dentro de campo. O empate por 1 a 1 na Arena manteve tanto Grêmio quanto Inter na zona de rebaixamento do Brasileirão, num clássico de poucas chances claras e muita disputa física. Grêmio e Inter chegam à bola da vez pressionados pela tabela — e agora o Tricolor também lida com a repercussão de um caso que extrapola o campo.
O que vem a seguir
Com o processo ético interno aberto, o Grêmio deve seguir concentrado em dois fronts simultâneos nos próximos dias: a apuração do caso de racismo, conduzida pela diretoria e pela Comissão de Ética e Disciplina do Conselho, e a reta final de preparação para o próximo compromisso pelo Brasileirão, diante do Cruzeiro, no domingo (18), às 16h, na Arena.
Na 18ª colocação, com 31 pontos, o Grêmio corre contra o tempo para se afastar do Z-4 — mas antes disso, terá que responder, dentro e fora de campo, ao episódio que manchou a festa (ou a frustração) do Gre-Nal 455.