Pressionados no Brasileirão, Inter e Grêmio buscam no Gre-Nal 453 a chance de reagir pela Copa do Brasil
Pressionados no Brasileirão, Inter e Grêmio buscam no Gre-Nal 453 a chance de reagir
Depois de uma semana marcada por tensões fora de campo, Colorado e Tricolor voltam a se enfrentar no Beira-Rio pela ida das quartas de final da Copa do Brasil, com R$ 9 milhões e uma vaga na semifinal em disputa
Quando a bola rolar no Beira-Rio nesta quinta-feira, Inter e Grêmio vão deixar para trás, ainda que por 90 minutos, uma semana que teve pouco de futebol e muito de sobressalto. Reunião com torcida, saída de jogadores, restrição para contratar e a sensação comum de que o tempo urge — tudo isso ficou do lado de fora das quatro linhas. Dentro delas, o que resta é a Copa do Brasil, competição que se tornou, para as duas equipes, o único lugar onde a temporada ainda sorri.
Um clássico que nasce da urgência
O Gre-Nal 453 abre uma eliminatória de 180 minutos por uma vaga entre os quatro melhores do país. A partida de volta está marcada para 3 de setembro, na Arena, e o vencedor do confronto garante R$ 9 milhões em premiação — mas o que está em jogo vai além do valor. Para dois clubes que patinam no Campeonato Brasileiro, avançar significa também comprar um pouco de tempo e de paz.
Trajetórias que se cruzam entre oito
O Inter busca o segundo título da Copa do Brasil, 34 anos depois da conquista de 1992. Para chegar às quartas, eliminou o Athletic com duas vitórias e superou o Corinthians em um confronto de detalhes: 2 a 0 no Beira-Rio, 2 a 1 fora de casa, avançando por 3 a 2 no placar agregado.
Do outro lado, o Grêmio carrega o status de maior campeão do torneio entre os presentes na fase, com cinco taças — 1989, 1994, 1997, 2001 e 2016. A caminhada até aqui incluiu duas vitórias sobre o Confiança-SE e uma eliminatória mais dura diante do Mirassol: empate por 1 a 1 fora de casa e triunfo por 1 a 0 na Arena.
O jejum que incomoda no Beira-Rio
O retrospecto recente ajuda a explicar a pressão. O Inter não vence no Brasileirão há oito rodadas. Desde a retomada da competição após a Copa do Mundo, foram oito jogos, com um só triunfo — justamente pela Copa do Brasil —, quatro empates e três derrotas, com seis gols marcados contra oito sofridos. Como mandante no returno, a média também preocupa: treze partidas em casa, quatorze gols feitos e treze sofridos, números que não condizem com a tradição do Beira-Rio como fortaleza.
Grêmio tropeça sobretudo longe de casa
A realidade gremista segue caminho parecido. Depois da pausa, foram nove jogos, com apenas dois triunfos, cinco derrotas e dois empates — oito gols marcados, treze sofridos. O dado mais alarmante, porém, está fora de casa: em doze rodadas como visitante no Brasileirão, o Grêmio ainda não venceu, com só seis gols marcados e dezoito sofridos. Não por acaso, Inter e Grêmio dividem, ao lado de Chapecoense e Vasco, o segundo pior ataque do campeonato, com 24 gols cada — atrás apenas do Vitória, com 23.
Um clássico raramente se explica só pelas escalações. Este, em especial, se explica pela urgência que os dois lados carregam.
Bastidores do Gre-Nal 453
Novidades no banco e na zaga
Paulo Pezzolano pode ter uma opção a mais para o ataque colorado. Tonny Sanabria voltou a treinar normalmente com o grupo e deve ser relacionado, ainda que como alternativa, já que segue em busca do ritmo ideal de jogo. A presença do paraguaio amplia as variantes ofensivas do Inter justamente no momento em que a equipe mais precisa de soluções para marcar gols.
Do lado gremista, Gustavo Martins retomou os treinos com normalidade após se recuperar de um edema muscular no adutor da coxa esquerda e reforça as opções de Luís Castro para a zaga, ao lado de Kannemann e Wagner Leonardo, na briga por uma vaga junto de Wallace. No meio-campo, o técnico ainda define entre Noriega e Danilo Barbosa, enquanto no ataque Carlos Vinícius aparece à frente de Braithwaite.
Entre pressões e incertezas, Inter e Grêmio chegam ao Beira-Rio precisando de mais do que uma vitória: precisam de um sinal de que a reação, tantas vezes anunciada, pode enfim começar dentro de campo.