Enner Valencia marca nos acréscimos e dá o título da Liga Argentina ao Boca Juniors
A Bombonera já estava enfeitada de festa antes mesmo de a bola rolar, mas a torcida precisou segurar a respiração até o último minuto para comemorar de verdade. Neste sábado (7), o Boca Juniors venceu o Defensa y Justicia por 1 a 0, com gol de Enner Valencia aos 50 minutos do segundo tempo, e confirmou o título da Liga Argentina 2026 — a taça que soma a pontuação acumulada pelo clube nos torneios Apertura e Clausura ao longo do ano. A conquista marca o fim de um jejum que já durava desde 2022 e devolve ao Boca um protagonismo que havia sido ofuscado, em 2025, por um dos episódios mais controversos do futebol argentino recente.
Um jogo decidido no sufoco
O Boca entrou em campo como favorito ao título, mas sabia que a decisão passava, antes de tudo, pelo resultado dentro de campo. A equipe começava a rodada empatada em pontos com o Argentinos Juniors, ambos com 60 na tabela anual, mas com vantagem expressiva no saldo de gols — 22 a 12 — e também no número de gols marcados, 45 a 37. Ou seja: vencer o próprio jogo era o caminho mais seguro para não depender de contas.
Contra o Defensa y Justicia, porém, o placar não saiu fácil. A partida seguiu truncada ao longo dos 90 minutos regulamentares, sem gols, com a Bombonera cada vez mais tensa a cada minuto que passava. A resolução só veio já nos acréscimos do segundo tempo, quando Enner Valencia apareceu para balançar as redes e carimbar o 1 a 0 que valeu o título.
Enner Valencia, o nome da decisão
Mais uma vez decisivo em um momento de pressão máxima, o atacante equatoriano assumiu o papel de protagonista justamente no instante em que o Boca mais precisava. O gol aos 50 minutos da etapa final não apenas definiu o placar da partida contra o Defensa y Justicia, como também fechou a conta da temporada inteira: com a vitória, o Boca garantiu matematicamente a primeira posição na tabela anual e, com ela, o troféu da Liga Argentina.
Da polêmica ao prestígio
A conquista deste sábado tem um peso simbólico que vai além do caneco em si. Em 2025, a mesma taça foi alvo de um episódio раrо na história recente do futebol argentino: a três dias do início dos playoffs do Torneio Clausura, a Associação de Futebol Argentino (AFA) convocou a diretoria do Rosario Central e o capitão Ángel Di María para uma cerimônia e declarou o clube campeão da Liga Argentina antes mesmo de a temporada terminar de ser disputada.
A decisão caiu mal entre os rivais. O Estudiantes, um dos clubes mais incomodados com o que chamaram de "troféu surpresa", recusou-se a fazer o tradicional corredor de honra ao Rosario Central antes do confronto entre as equipes, em 23 de novembro daquele ano — um protesto liderado pelo então presidente do clube, Juan Sebastián Verón. O time chegou a dar as costas aos jogadores rosarinos antes da bola rolar. Irônico ou não, o próprio Estudiantes bateu o Rosario Central por 1 a 0 naquela tarde e, semanas depois, sagrou-se campeão do Torneio Clausura ao vencer o Racing nos pênaltis.
Um ano depois, a mesma taça virou alvo de disputa legítima e muito desejada. Incluída no regulamento desde o início da temporada 2026, sem qualquer polêmica em torno de sua entrega, o título passou a ser visto como prova de consistência ao longo de todo o ano — e não apenas em um recorte de playoffs.
Três candidatos, um só horário
Para evitar qualquer tipo de questionamento sobre o resultado, a rodada decisiva de 2026 foi organizada para que os três postulantes ao título entrassem em campo ao mesmo tempo, no sábado, às 17h30 (de Brasília), todos na condição de mandantes: o Boca recebeu o Defensa y Justicia na Bombonera, o Argentinos Juniors enfrentou o Huracán no Estádio Diego Armando Maradona, e o Rosario Central, atual campeão, mediu forças com o já rebaixado Estudiantes de Río Cuarto.
Boca Juniors
60 pontos antes da rodada · saldo de gols: 22 Campeão confirmadoArgentinos Juniors
60 pontos antes da rodada · saldo de gols: 12 Vice na pontuaçãoRosario Central
59 pontos antes da rodada · atual campeão Corria por foraAntes da partida, o presidente e ídolo do Boca, Juan Román Riquelme, já havia deixado claro o tamanho da entrega pedida ao elenco na reta final da temporada, com o time ainda disputando a final da Copa Sul-Americana.
"Amo meu clube e estamos felizes com a possibilidade de competir no sábado e comemorar com a nossa torcida. Eles estão curtindo muito. Meu maior desejo é que a comissão técnica e os jogadores possam comemorar. O esforço que os jogadores do Boca estão fazendo é incrível. Machucam-se e em cinco dias já querem voltar. Isso mostra que a vontade é grande."
O técnico Rodolfo Arruabarrena, por sua vez, tentou blindar o grupo da pressão do jejum de títulos que já durava desde 2022.
"É verdade que o clube não ganha um título há algum tempo, e temos que pensar na partida, não no futuro, porque isso leva ao desperdício de energia e gera ansiedade."
Do outro lado da disputa, os técnicos rivais também reconheceram o peso da taça. Nicolás Diez, do Argentinos Juniors, destacou o caráter de regularidade do troféu.
"É claro que é um troféu muito importante. Quem o conquista é o time mais consistente do ano, mesmo sem disputar um torneio de todos contra todos."
Já Jorge Almirón, comandante do Rosario Central, projetava a possibilidade de o clube santafesino emendar o bicampeonato, mesmo que de forma improvável.
"O clube teve uma ótima temporada no ano passado. Precisamos coroar esse ótimo ano. Espero que os torcedores aproveitem."
O que vem agora
Com o título da Liga Argentina garantido, o Boca Juniors soma mais uma conquista a uma temporada que ainda não terminou: o clube também é finalista da Copa Sul-Americana, torneio que disputa de forma simultânea aos compromissos locais. Já pela competição nacional, o Torneio Clausura segue em andamento, com as oitavas de final marcadas para o dia 22 de novembro, após o fim da Data Fifa — e Boca, Argentinos Juniors e Rosario Central já estão classificados para essa fase de mata-mata.
A pontuação anual também definiu, de forma antecipada, outro capítulo importante da temporada: Boca e Argentinos Juniors já garantiram vaga direta na Libertadores de 2027 por critério de pontos, enquanto o Rosario Central também assegura lugar na competição continental caso confirme ao menos um empate contra o Estudiantes de Río Cuarto. Do outro lado da tabela, o River Plate — que não terminou entre os primeiros colocados da pontuação anual — depende agora de ser campeão do Torneio Clausura para evitar a segunda ausência consecutiva na Libertadores.