Eleição do Inter: os planos de Amarante, Aquino e Melo para Fabinho Soldado, Abel Braga e Eduardo Baptista
Faltam dois dias para o Beira-Rio decidir seu próximo comandante, e enquanto a torcida conta os votos que ainda nem foram dados, três homens já rascunham, cada um no seu canto, o Inter que querem construir depois da urna. José Amarante, Leonardo Aquino e Roberto Melo disputam o primeiro turno da eleição colorada nesta segunda-feira (9), e por trás do discurso de campanha já se desenha o que pretendem fazer com o departamento de futebol — a começar pelo cargo mais comentado dos últimos meses, o de Fabinho Soldado. Amarante já cravou que não seguirá com o diretor-executivo. Aquino e Melo evitam o tema em público, mas trabalham internamente em mudanças. Abel Braga será ouvido por todos. E o futuro de Eduardo Baptista continua em aberto, mesmo que o técnico garanta a permanência do Inter na Série A.
Amarante corta o nó: Fabinho Soldado está fora
Dos três concorrentes, José Amarante foi o único que não deixou margem para dúvida. Na sabatina promovida pelo Grupo RBS, ele confirmou que, se eleito, não manterá Fabinho Soldado no comando executivo do futebol — e fez questão de deixar claro que essa decisão não tem relação com o resultado da luta contra o rebaixamento.
— Fabinho Soldado não ficará conosco. Independentemente se cair ou se ficar. Não ficará conosco.
José Amarante, candidato à presidência do Inter
Aquino aposta em um "diretor de inteligência esportiva"
Leonardo Aquino optou por não atacar publicamente a gestão atual do futebol, alegando que o momento exige foco total na fuga do rebaixamento. Mas, longe dos microfones, a chapa já avançou em uma reestruturação. Segundo o candidato, já existe um pré-contrato assinado com um dirigente experiente para assumir a função de "diretor de inteligência esportiva", responsável pelo mercado e pelas negociações do clube.
Pela descrição de Aquino, esse profissional teria histórico de recuperar clubes em crise financeira e reposicioná-los na disputa de títulos em médio prazo. O nome, segundo ele, só seria revelado em caso de segundo turno, justamente para não gerar atrito no ambiente colorado antes da hora. A estrutura pensada por Aquino prevê ainda um diretor técnico — encarregado de validar a comissão técnica e cuidar da transição das categorias de base — e um diretor de futebol, focado na rotina operacional do dia a dia.
— É um dirigente experiente em tirar clubes de situações falimentares e colocá-los na disputa de títulos em médio prazo. O acordo já está firmado e seu nome será anunciado no segundo turno, sem criar atrito no ambiente atual. Ele atuará no departamento de futebol ao lado de um diretor técnico, responsável por validar comissão técnica e transição da base, e de um diretor de futebol, focado na gestão operacional e diária.
Leonardo Aquino, candidato à presidência do Inter
Melo evita o tema e foca na permanência na Série A
Roberto Melo seguiu o mesmo caminho de discrição em relação ao futuro de Fabinho Soldado, mas foi além: classificou como irresponsável qualquer especulação sobre desligamentos neste momento da temporada. Para o candidato, o discurso público precisa estar blindado de ruídos internos enquanto o Inter ainda luta contra o Z4.
— Fazer especulações sobre a permanência de profissionais agora em nada contribui para o ambiente do clube. Nossa prioridade é garantir a permanência na Série A, e são justamente as pessoas que estão lá hoje que têm a responsabilidade de nos manter na primeira divisão. Anunciar desligamentos neste momento seria irresponsável e desmotivaria os profissionais que estão trabalhando.
Roberto Melo, candidato à presidência do Inter
Apesar do discurso público cauteloso, a reportagem apurou que a chapa de Melo também avalia internamente outros nomes para o departamento de futebol, na mesma linha reservada adotada por Aquino.
Abel Braga: unanimidade pelo diálogo
Se há um ponto em que os três candidatos falam a mesma língua, é sobre Abel Braga. O técnico campeão do mundo pelo Inter será ouvido por qualquer um dos três que vencer a eleição, e a decisão sobre seu futuro passará, antes de tudo, pela vontade do próprio treinador. Se Abel quiser continuar vinculado ao clube, a ideia é mantê-lo em algum posto de coordenação dentro da estrutura do futebol.
Eduardo Baptista, o nome em suspenso
Já o caso de Eduardo Baptista é o mais incerto dos três. Nenhum dos candidatos confirma sua permanência no comando técnico, mas todos reconhecem o mérito do treinador por ter assumido a equipe em um momento delicado, colocando em jogo seu próprio nome no mercado para tentar salvar o Inter do rebaixamento.
A garantia da permanência colorada na Série A não assegura automaticamente a continuidade de Baptista — ela apenas fortalece sua posição. Resta saber, inclusive, se o próprio treinador terá interesse em seguir no cargo, já que o simples feito de manter o Inter na primeira divisão já deve valorizar seu nome em outras praças do futebol brasileiro.
Como funciona a eleição
O primeiro turno da eleição colorada começa às 18h30min desta segunda-feira (9), com segunda chamada marcada para as 19h. Os conselheiros têm até as 21h para registrar o voto. Para que a disputa se resolva já nesta etapa, um dos três candidatos precisaria obter 85% mais um dos votos — um cenário que os próprios concorrentes consideram praticamente impossível.
Se nenhum deles atingir esse número, a decisão passa para os associados do clube, que escolherão entre os dois mais votados em uma nova votação no dia 12 de dezembro.
Independente de quem vença, o próximo mandato no Beira-Rio já nasce com a missão de redesenhar o departamento de futebol em meio à briga contra o rebaixamento. Fabinho Soldado tem o futuro mais definido entre os bastidores — ao menos com Amarante. Abel Braga e Eduardo Baptista, por ora, seguem como capítulos abertos, que só devem ganhar resposta depois que a urna falar, nesta segunda, ou no desempate de dezembro.