Eduardo Baptista traça plano do Inter para escapar do Z-4 e vê "dever cumprido" no Gre-Nal
Tem um tipo de frustração que anima mais do que entristece, e foi exatamente essa a sensação que Eduardo Baptista levou para a sala de imprensa depois do Gre-Nal 455. O Inter saiu da Arena com um empate em 1 a 1, viu o gol de Vitinho ser anulado pela resposta de Wallace, e mesmo assim o técnico falou em dever cumprido. Dois dias depois, a bordo de uma leitura mais fria dos números, ele destrinchou aos jornalistas a estratégia que pretende manter para tirar o Colorado da zona de rebaixamento do Brasileirão.
Baptista estreou no comando do Inter justamente nesta reta final de temporada, quando cada ponto pesa como se fosse decisão de rebaixamento. Em dois jogos — contra Corinthians e Grêmio —, somou quatro dos seis pontos disputados. Depois do clássico, atualizada a tabela, a equipe aparece na 17ª posição, com 32 pontos em 30 rodadas, fruto de sete vitórias, 11 empates e 12 derrotas.
A intensidade como marca registrada
O técnico identificou um padrão que quer transformar em identidade: pressionar o adversário no campo de ataque e roubar a bola o mais próximo possível do gol rival. Foi assim, segundo ele, que saíram os três gols marcados pelo Inter sob seu comando.
"É uma equipe que busca roubar a bola do adversário. Nós fizemos três gols assim. Os três gols foram em uma pressão mais alta, e a gente sofre pouco. A gente passou a ideia."
Essa pressão alta também apareceu na análise do próprio Gre-Nal. Baptista contou que o time chegou a roubar 17 bolas e cometer 17 faltas no campo ofensivo durante a partida — um indicador, na visão do treinador, de que a equipe está jogando no limite da intensidade, o que naturalmente cobra um preço ao longo dos 90 minutos.
"É uma equipe em que nós giramos a chave em um nível muito alto. Ela estava em uma rotação e nós subimos o nível muito alto. Passamos a roubar 17 bolas, fazer 17 faltas lá na frente, capacidade de roubar bola no ataque. A intensidade sobe em um curto espaço de tempo, é natural que ela caia um pouquinho."
Vestiário frustrado — e isso é bom sinal
Mesmo com o resultado positivo diante de um rival direto, o ambiente no vestiário colorado após o clássico não era de festa. Baptista relatou ter encontrado os jogadores incomodados por não terem saído com a vitória, e tratou essa inquietação como um sintoma saudável: o grupo sabe que pode mais.
"A sensação que eu tive no nosso vestiário era de frustração por não ter ganho. E é positivo, porque ficou a sensação de: 'Opa, a gente podia, dava para ter ganho, a gente podia ter feito.'"
Horas antes, ainda na zona mista da Arena, o técnico já havia feito a defesa da atuação da sua equipe, destacando que o Inter produziu nos dois momentos do jogo — tanto na construção ofensiva quanto na hora de balançar a rede.
"A gente vinha buscar a vitória. Se ela não acontecesse, o empate também seria um bom resultado. Você prende um adversário direto e pontua. Eu fico frustrado como ocorreu. O Inter produziu. No momento de jogar, jogou. No momento de marcar, marcou. O Grêmio pouco assustou o nosso gol no segundo tempo, muito pela entrega dos atletas. Uma sensação de dever cumprido."
"Minutos de sonho": a régua que Baptista quer esticar
Se existe uma frase que resume o projeto de Eduardo Baptista para a reta final do Brasileirão, é essa. O treinador voltou à partida contra o Corinthians para apontar um trecho específico do primeiro tempo como o padrão ideal de jogo — um nível que, se sustentado por mais tempo, seria suficiente para o Inter deixar o Z-4 para trás.
"Eu vi que no primeiro tempo contra o Corinthians, nós fizemos 35 minutos de sonho. A sensação que eu tive, se a gente repetir por mais tempo esses 35 minutos e o primeiro tempo de hoje, a gente vai atingir o nosso objetivo."
Chegada recente, time sem grandes mudanças — até agora
Baptista explicou que, nos dois primeiros compromissos, optou por manter a base da escalação como forma de transmitir segurança ao elenco recém-apresentado a ele. Mas, com uma semana inteira de treinos disponível antes do próximo jogo, o discurso muda de tom.
"Eu não podia mexer. Eu queria dar manutenção e mostrar para os atletas que eles tinham essa segurança. Agora nós temos uma semana para trabalhar. Agora é a hora do ajuste tático."
O técnico também reservou um comentário sobre o início do seu trabalho no clube, atribuindo a reação recente do time menos a mudanças táticas bruscas e mais a um esforço de reorganizar a confiança do grupo.
"Quando eu cheguei aqui, eu tinha que trazer tranquilidade para o elenco e para os atletas. O que foi talvez a grande mudança. Eu procurei entender o que estava acontecendo e trazer uma equipe. Saber como o Inter vai jogar, quem são os seus atletas."
A dúvida de Alan Patrick
Um dos pontos de atenção para a sequência é a situação física de Alan Patrick, que deixou o campo no intervalo do Gre-Nal sentindo dores na coxa. Baptista já projeta um possível desfalque e indicou Calebe como alternativa na armação.
"Espero que a situação do Alan Patrick não seja grave. É um dos melhores meias da competição e, nesse momento, é um cara fundamental. Mas eu já tenho que pensar na solução, se acaso ele não jogar."
Arbitragem não entra na equação
Questionado sobre os lances polêmicos do clássico, Baptista preferiu não transformar a arbitragem em explicação para o resultado. Admitiu discordar de algumas marcações, mas evitou colocar o apito como fator decisivo da partida.
Direto ao ponto
4 pontos em 6 disputados
Nos dois primeiros jogos de Eduardo Baptista, contra Corinthians e Grêmio.
17º lugar, 32 pontos
Inter soma 7 vitórias, 11 empates e 12 derrotas em 30 rodadas do Brasileirão.
Alan Patrick é dúvida
Meia sentiu dores na coxa no Gre-Nal; Calebe é a alternativa cotada.
Mirassol, fora de casa
Sexta-feira (16), às 20h, pela 31ª rodada — confronto direto na luta contra o Z-4.
O Inter volta a campo na próxima sexta-feira (16), às 20h, diante do Mirassol, fora de casa, em mais um confronto direto na briga contra o rebaixamento. Com uma semana cheia de treinos pela frente — algo que não teve nos dois primeiros compromissos —, Eduardo Baptista promete ajustes táticos e repete o discurso que resume seu projeto no Beira-Rio: esticar os "minutos de sonho" até eles virarem rotina.