Eduardo Baptista revela lesão de Alan Patrick e fala em "peso do tamanho do Beira-Rio" após vitória do Inter
Tem noite em que o futebol não se mede pela qualidade do passe, mas pela quantidade de aflição que uma arquibancada é capaz de empurrar para dentro de campo. Foi assim no Beira-Rio nesta terça-feira: um Inter travado, sem seu capitão, sustentado por quase 40 mil vozes até arrancar, no apagar das luzes, o gol que valia mais do que três pontos. Alerrandro cobrou o pênalti marcado pelo VAR aos 48 minutos do segundo tempo e decretou a vitória por 1 a 0 sobre o Coritiba, resultado que tirou o Colorado da zona de rebaixamento na 34ª rodada do Brasileirão. Depois do apito final, o técnico Eduardo Baptista confirmou o motivo da ausência mais sentida da noite — uma lesão na coxa de Alan Patrick — e resumiu o clima da semana com uma frase que já corre entre a torcida: "saiu um peso do tamanho do Beira-Rio".
Um primeiro tempo travado e a decisão nos acréscimos
O roteiro da partida ajuda a entender por que o treinador falou em vencer "até a alma". Sem Alan Patrick, poupado por recomendação médica, o Inter teve dificuldade para criar no primeiro tempo. A bola não chegava com facilidade ao ataque, e o time parecia preso, sem o passe decisivo do meio-campo. Mesmo assim, a torcida seguiu no apoio, sem vaiar, enquanto o jogo escorregava para o 0 a 0.
A entrada de Carbonero no time titular foi a principal mudança de Baptista para tentar destravar a criação ofensiva, e o colombiano cumpriu a missão de ser o jogador do drible, levando perigo ao gol do Coritiba em mais de uma ocasião. Mas foi só nos minutos finais, com o jogo caminhando para o empate, que a arbitragem de vídeo entrou em ação: lance de Moledo com o pé na nuca de Juninho dentro da área resultou em pênalti para o Inter aos 48 minutos da etapa final. Alerrandro assumiu a cobrança e não desperdiçou, buscando o gol que faltava desde o primeiro tempo, quando já havia desperdiçado uma chance.
Destaques da partida
Alerrandro
Nota 7,5Guardou a melhor atuação para o fim. Cobrou o pênalti decisivo com personalidade e marcou o gol que salvou a noite colorada.
Carbonero
Nota 6,5De volta à titularidade, levou perigo e obrigou o goleiro do Coritiba a fazer três defesas importantes.
Villagra
Nota 6,5Brigou por cada bola no meio-campo e ainda tentou participar da construção das jogadas.
Thiago Maia
Nota 6,5Jogou no sacrifício, liberado pelo departamento médico horas antes da partida, e mostrou valentia no setor.
Vitinho
Nota 4,5Nervoso do início ao fim, errou até passes simples e teve a atuação mais apagada da noite.
A lesão de Alan Patrick e o receio do departamento médico
Na entrevista coletiva, Eduardo Baptista explicou que o camisa 10 sentiu dores na partida contra o Fluminense e chegou a se colocar à disposição para enfrentar o Coritiba, mesmo sem estar 100%. O treinador revelou que o departamento médico tentou uma recuperação relâmpago, no mesmo caminho adotado com Thiago Maia — mas, no caso de Alan Patrick, o risco pesou mais.
"Nós tentamos colocar ele em campo. O Departamento Médico fez um trabalho juntamente com o Departamento de Saúde e Performance, tanto com o Maia quanto com o Alan Patrick. A gente conseguiu evoluir com o Maia, que deu uma resposta positiva e nós colocamos."
Sobre o capitão, o técnico foi mais específico ao justificar por que a diretoria optou por não arriscar.
"O Alan ainda tinha algum resquício, ainda tinha alguma dor, ainda tinha alguma coisinha muito pequena. Você arriscar num jogo desse e essa lesão aumentar, você perde ele por um longo tempo. Então, foi um consenso da gente, mas os jogadores se colocaram à disposição, tentaram. O Maia conseguiu."
Carbonero e a confiança mantida por Baptista
Com Alan Patrick fora, Carbonero assumiu a titularidade e teve participação direta nas principais chances ofensivas do Inter. O técnico aproveitou a entrevista para defender o colombiano, que vinha sendo criticado pela torcida em meio às oscilações na temporada.
"Eu não largo a mão de ninguém. Tenho conversado com o Carbonero sobre a sua característica e também para ele se encaixar naquilo que precisamos. Eu disse que a oportunidade dele ia chegar. Hoje, eu precisava do cara do drible."
"Fomos até a alma": a vitória que tirou um peso do Beira-Rio
Baptista reconheceu que o nível técnico apresentado pelo time não foi o esperado, mas valorizou a entrega do grupo diante de um momento que classificou como de decisão. Desde a chegada do treinador, o Beira-Rio voltou a ser sinônimo de força: são três vitórias em três jogos no estádio, sendo essa a mais emocionante de todas.
"Eu vejo o Inter muito forte. A gente fez partidas tecnicamente melhores. Mas hoje a gente foi até a alma."
"Saiu um peso do tamanho do Beira-Rio. Esta foi a primeira semana em que eu senti todos muito tensos. Todos muito concentrados, mas um clima de 'chegou a hora da decisão'."
O treinador também elogiou Alerrandro, lembrando que o centroavante vinha sendo paciente à espera do momento certo para voltar a balançar as redes.
"O Alerrandro vem trabalhando e nos ajudando. E eu disse para ele: 'o seu gol vai sair no momento que a gente mais precisar'. Aconteceu."
Ficha técnica
Internacional 1 x 0 Coritiba
Competição: Campeonato Brasileiro Série A — 34ª rodada
Data: 03/11/2026 (terça-feira)
Local: Estádio Beira-Rio, Porto Alegre (RS)
Público: quase 40 mil torcedores
Gol: Alerrandro, de pênalti, aos 48 min do 2º tempo
Escalação do Inter (titulares): Kauan Jesus, Bruno Gomes, Mercado, Juninho, Aguirre, Villagra, Thiago Maia, Matheus Bahia, Vitinho, Carbonero e Alerrandro
Entraram durante a partida: Ronaldo, Calebe, Bruno Henrique, Bernabei e Bezerra
Técnico: Eduardo Baptista
Com o resultado, o Inter chegou aos 38 pontos e subiu para a 16ª colocação, deixando o Z-4 — posição que depende de tropeços de Grêmio e Corinthians nas rodadas seguintes para se manter. Restam quatro jogos no Brasileirão, e Baptista já avisou que não pretende depender de resultados paralelos.
"Eu não olho nem a tabela, nem o resultado dos adversários. Nós temos que ganhar jogos, nós temos que pontuar. Talvez contra o Vasco você possa negociar alguma coisinha. Mas depois eu tenho dois jogos em casa que eu não tenho negócio. Eu preciso de seis pontos."
Por conta da data Fifa, o Inter só volta a jogar em 19 de novembro, contra o Vasco, em São Januário. A expectativa do clube é de que Alan Patrick esteja recuperado da lesão na coxa até lá.