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Dois garotos do Beira-Rio, duas rotas pelo mundo: como vivem Ricardo Mathias e Gabriel Carvalho longe de casa

Por: Redação FutebolRS 25/10/2026 Notícias
Vendidos por quase R$ 200 milhões somados a clubes sauditas, os dois atacantes formados nas categorias de base do Inter hoje disputam espaço em empréstimos na Ucrânia e na Arábia Saudita — um tentando se firmar, o outro já artilheiro no novo endereço.
Especial · Internacional

25 de outubro de 2026 · Porto Alegre · Redação

Tem gol marcado em guerra e tem gol marcado no banco de reservas. Separados por fronteiras, fuso horário e um oceano de distância do Beira-Rio, Ricardo Mathias e Gabriel Carvalho carregam hoje a mesma origem — a base do Inter — e destinos que só o futebol moderno, com seus milhões sauditas, poderia desenhar. Um virou titular absoluto em um país em conflito. O outro, depois de minutos contados na Arábia, precisou de um empréstimo para voltar a jogar bola com regularidade.

A fortuna árabe que tirou dois meninos do Beira-Rio

Nos últimos dois anos, o Inter encontrou nos clubes árabes um comprador disposto a pagar valores que dificilmente apareceriam no mercado europeu ou sul-americano por jogadores ainda em formação. Gabriel Carvalho foi o primeiro a sair: negociado na virada de 2024 para 2025 com o Al-Qadisiyah, da Arábia Saudita, por 22 milhões de dólares — cerca de R$ 136,6 milhões na cotação atual. Pouco tempo depois, no início de 2026, foi a vez do centroavante Ricardo Mathias, vendido ao Al-Hilal por 10 milhões de euros, o equivalente a quase R$ 65 milhões.

Juntas, as duas negociações somam perto de R$ 200 milhões — um retorno financeiro expressivo para o trabalho de formação do clube colorado. Mas o dinheiro na conta não garante minutos em campo, e é aí que as histórias dos dois garotos se afastam.

Venda

Gabriel Carvalho

Vendido ao Al-Qadisiyah (Arábia Saudita) por US$ 22 milhões (≈ R$ 136,6 milhões) na virada de 2024/2025. Hoje empréstimo ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia.

Venda

Ricardo Mathias

Vendido ao Al-Hilal (Arábia Saudita) por € 10 milhões (≈ R$ 65 milhões) no início de 2026. Hoje empréstimo ao Al-Shabab, também saudita.


Gabriel Carvalho: do sonho saudita ao aprendizado duro na Ucrânia

Aos 19 anos, Gabriel Carvalho não chegou a se firmar no Al-Qadisiyah e foi emprestado ao Shakhtar Donetsk, um dos clubes mais tradicionais do Leste Europeu — mesmo em meio a um país que vive sob guerra desde 2022, o que obriga a equipe a disputar partidas em estádios alternativos, fora de sua cidade de origem. O começo por lá tem sido de poucas oportunidades: de nove jogos possíveis desde que chegou, o atacante só esteve em campo em três.

Foram duas entradas pelo Campeonato Ucraniano, contra Polissya e Chornomorets, e uma pela Copa da Ucrânia, diante do Vilkhivtsi — justamente a partida em que teve seu momento de destaque, balançando as redes em um dos três gols da vitória do Shakhtar. Fora essas três chances, ficou no banco de reservas, observando de fora o restante da temporada europeia.

A seleção brasileira, porém, não perdeu o jovem de vista. Convocado para a sub-20, Gabriel Carvalho entrou em campo contra Estados Unidos, Dinamarca, Chile e duas vezes diante do Paraguai, alternando entre titularidade e banco — um indício de que o trabalho segue sendo acompanhado de perto, mesmo sem a mesma regularidade no clube.

Ricardo Mathias: o centroavante que precisou de um empréstimo para florescer

Já o centroavante de 20 anos seguiu um roteiro parecido no início, mas com desfecho diferente. Sem conseguir minutos no Al-Hilal, um dos gigantes do futebol saudita, Ricardo Mathias foi emprestado ao Al-Shabab — e lá encontrou exatamente o que faltava: sequência. Titular desde a chegada, o atacante corresponde ao investimento: em quatro jogos, já balançou as redes duas vezes e deu uma assistência, números que indicam uma adaptação rápida ao futebol árabe.

A diferença de cenário entre os dois ex-colegas de Beira-Rio ilustra bem como funciona o mercado saudita hoje: clubes como Al-Hilal e Al-Qadisiyah compram jovens talentos sul-americanos a preços milionários, mas nem sempre têm espaço imediato nos times principais, recorrendo a empréstimos para outras equipes — dentro ou fora do país — como ponte de desenvolvimento.


O que vem a seguir

Para o Inter, o capítulo já está escrito: os valores das vendas entraram no caixa do clube e a base colorada segue sendo vitrine para o mercado internacional. Para Gabriel Carvalho e Ricardo Mathias, a história continua em aberto. Um precisa romper a barreira do banco de reservas em um campeonato marcado pela guerra; o outro tenta transformar os primeiros gols em moeda de confiança para, quem sabe, voltar a disputar espaço no próprio Al-Hilal.

Seja na linha de frente do conflito ucraniano ou nos gramados sauditas, os dois meninos criados no Beira-Rio seguem como lembrete de que o trabalho de formação do Inter continua rendendo frutos — e dinheiro — mesmo quando os protagonistas já vestem outras cores.

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