Dodi leva terceiro amarelo, desfalca o Grêmio no Gre-Nal 455 e Tricolor ainda reclama de pênalti não marcado contra o Remo
Debaixo do calor de Belém, o Grêmio saiu do Mangueirão com mais dúvidas do que respostas. O empate em 1 a 1 com o Remo, nesta quarta-feira (7), pela 29ª rodada do Brasileirão, custou caro: o time gaúcho perdeu o volante Dodi por suspensão para o Gre-Nal 455 e viu a arbitragem deixar passar um pênalti claro a favor da equipe paraense, ainda no primeiro tempo. O resultado empurrou o Tricolor para a 18ª colocação, com 30 pontos, dentro da zona de rebaixamento.
O jogo
O confronto era direto na luta contra o descenso — Grêmio e Remo ocupavam posições do Z-4 antes da bola rolar. Aos 26 minutos da primeira etapa, o volante Dodi, que havia retornado ao time titular, cometeu falta no campo de defesa e recebeu o terceiro cartão amarelo na competição. A advertência, por si só, não mudou o placar, mas condenou o jogador a cumprir suspensão automática na próxima rodada.
Ainda na primeira etapa, antes da abertura do placar, veio o lance que mais repercutiu fora de campo. Pikachu recebeu pelo lado direito, entrou na área e tocou na bola. Kannemann, na tentativa de bloquear, fechou a marcação com o braço direito aberto — um movimento que caracteriza pênalti. O árbitro Davi de Oliveira Lacerda, bem posicionado, mandou o jogo seguir, e o VAR, operado por Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro, não chamou o lance para revisão.
Minutos depois, o próprio Kannemann se redimiu em campo: aos 47 minutos do primeiro tempo, marcou o gol que colocou o Grêmio em vantagem. O resultado parecia garantido até os minutos finais, quando o Remo buscou o empate e evitou a derrota gaúcha fora de casa.
Suspenso e de olho nos pendurados
Com Dodi fora por acúmulo de cartões, o Grêmio chega ao Gre-Nal 455, domingo (11), na Arena, sem uma peça do meio-campo. Mas a preocupação do técnico Renato Portaluppi não para aí: o time soma uma lista extensa de pendurados, que precisam evitar qualquer cartão amarelo diante do Inter para não desfalcar o time também na sequência do Brasileirão.
Destaques da noite
Kannemann foi, ao mesmo tempo, o melhor e o pior personagem do Grêmio em campo: marcou o gol tricolor, mas foi o autor do toque de mão não punido na área paraense. Pelas notas atribuídas pela imprensa gaúcha ao desempenho da equipe, o zagueiro recebeu nota 6 — a mais alta entre os titulares.
Do outro lado, o setor ofensivo decepcionou. Enamorado, que entrou no decorrer da partida, perdeu duas chances consideradas inacreditáveis e levou a pior nota da noite (3,0). Caio Paulista também foi apontado como falho no lance do gol de empate do Remo, nos minutos finais. Carlos Vinícius, Amuzu, Tetê e Braithwaite completam a lista de jogadores que tiveram pouca produção ofensiva, mesmo com a vantagem conquistada ainda no primeiro tempo.
O erro da arbitragem
A não marcação do pênalti em cima de Kannemann rendeu críticas duras na coluna do jornalista Diori Vasconcelos, da GZH, que classificou a decisão como um erro grave, especialmente por se tratar de um lance claro, com o árbitro bem posicionado e o VAR disponível para revisão.
O pênalti deveria ter sido marcado. Desde a chegada de Sandro Meira Ricci e das novas diretrizes para a arbitragem brasileira, tem ficado cada vez mais difícil entender os critérios: o que é ou não infração, quando o VAR deve interferir e quando deve deixar a decisão com o árbitro de campo. A impressão é de que o VAR tem assistido muito mais do que interferido — e, em lances como esse, um erro claro acaba passando sem correção. — Diori Vasconcelos, colunista da GZH
O empate em Belém mantém o Grêmio no Z-4 do Brasileirão e aumenta a pressão para o Gre-Nal 455, domingo, na Arena. O time de Renato Portaluppi tenta romper um jejum que persiste desde a estreia do técnico no comando da equipe — agora com um desfalque certo no meio-campo e uma lista de pendurados que exige cautela redobrada diante do rival.