Cristiano Ronaldo anuncia aposentadoria da seleção portuguesa após 23 anos de quinas no peito
Tem despedidas que acontecem em campo, sob apito final e abraço de adversário, e tem despedidas que chegam por um vídeo gravado em silêncio, no meio de uma manhã qualquer. Foi assim que Cristiano Ronaldo escolheu dizer adeus à seleção portuguesa: nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, publicou em suas redes sociais o anúncio de que não vai mais vestir a camisa de Portugal, encerrando um ciclo de 23 anos que começou em agosto de 2003 e que o transformou no maior artilheiro e no jogador com mais partidas da história das quinas.
A notícia pega o torcedor português em um momento delicado da relação entre o craque e a seleção. Capitão histórico e dono do posto de camisa 7, Ronaldo vinha vivendo meses de atrito com o técnico Jorge Jesus, crise que se tornou pública no fim de setembro e que culminou, dias depois, em punição da Federação Portuguesa de Futebol.
A despedida em vídeo
No vídeo divulgado nesta manhã, Ronaldo falou diretamente aos torcedores portugueses sobre a decisão de abrir mão da camisa 7 da seleção. O atacante destacou o peso emocional da escolha e fez um apanhado dos 23 anos que separam o garoto que debutou em 2003 do capitão que carrega hoje o recorde histórico de jogos e gols pelas quinas.
"Aos portugueses, chegou o dia de devolver a camisa 7 da seleção de todos nós. Nunca senti como exclusivamente minha, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de vestir, de defender e de levar comigo para estádios do mundo inteiro. Hoje chegou o momento de entregar ao futuro. Não foi uma decisão fácil, porque decisões assim não se tomam apenas com a cabeça, se tomam também com o coração. Termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou a minha vida para sempre. Quando olho para trás e penso em tudo que vivi pela seleção, não vejo apenas jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo o que sou hoje."
O desgaste que antecedeu o adeus
A saída não nasceu de uma decisão repentina. A crise entre Ronaldo e Jorge Jesus começou a ganhar contornos públicos no fim de setembro, quando o atacante foi deixado no banco de reservas durante a vitória de Portugal sobre a Noruega, mesmo tendo aquecido boa parte do segundo tempo à espera de uma chance que não veio.
Incomodado com a situação, Ronaldo deixou a concentração da seleção em 30 de setembro, horas depois de uma entrevista coletiva em que Jorge Jesus reafirmou publicamente sua autoridade sobre as escolhas de equipe. Dias mais tarde, o atacante do Al-Nassr publicou um comunicado longo em que acusava o treinador de não cumprir acordos combinados sobre sua participação nas partidas.
O episódio teve um novo capítulo quando Ronaldo recuou parcialmente, pedindo desculpas por ter abandonado a concentração e afirmando que continuava à disposição da seleção. Ainda assim, a Federação Portuguesa de Futebol aplicou uma suspensão de 30 dias e uma multa de 255 euros — cerca de R$ 1,4 mil — ao jogador.
Números de uma era
A saída encerra a passagem do jogador que mais vezes vestiu a camisa de Portugal e que mais balançou as redes pelas quinas. Ronaldo disputou 234 partidas pela seleção, marcou 146 gols e levantou troféus em diferentes gerações da equipe nacional, incluindo o título da Eurocopa de 2016 e as conquistas da Liga das Nações em 2019 e em 2025.
Em alta forma pelo clube
O anúncio chega em um momento de boa fase do atacante no futebol de clubes. Antes da notícia da aposentadoria pela seleção, Ronaldo havia marcado um hat-trick em vitória do Al-Nassr, chegando à marca de 985 gols somando toda a carreira profissional — número que reforça o status do português como um dos maiores artilheiros da história do futebol, mesmo já distante das quinas.
O que vem agora
Com a saída de Ronaldo, a seleção portuguesa entra em uma nova fase sem o jogador que carregou a braçadeira de capitão e a camisa 7 por mais de duas décadas. O próprio atacante indicou que a entrega simbólica da numeração deve ocorrer após a pausa para os jogos internacionais de novembro, abrindo espaço para que Jorge Jesus defina o futuro do grupo sem o nome que mais pesou na história recente do futebol português.