Convocado por Ancelotti, Alisson Santana faz dois golaços pelo Shakhtar
Tem gente que sonha pequeno e tem gente que sonha com o mundo. Alisson Santana sonhou com tudo — virar jogador, marcar pelo profissional, jogar na Europa, pisar em palco de Champions — e nesta sexta-feira (30), em Lviv, viveu mais um capítulo dessa história: balançou a rede duas vezes na vitória do Shakhtar Donetsk por 2 a 0 sobre o Obolon-Brovar, pela 11ª rodada do Campeonato Ucraniano, apenas um dia depois de ser convocado pela primeira vez por Carlo Ancelotti para defender a Seleção Brasileira.
Da convocação ao gramado
A sequência de acontecimentos parece roteiro de cinema. Na quinta-feira, Ancelotti anunciou a lista de convocados para os últimos amistosos do Brasil em 2026, e o nome de Alisson Santana apareceu entre as cinco novidades da Seleção, ao lado de Jonathan, André, Allan e Marlon Gomes — este último, companheiro de clube do atacante no Shakhtar. No dia seguinte, com a Ucrânia vivendo a rotina de jogos fora de suas cidades de origem por conta da guerra, a partida contra o Obolon-Brovar foi disputada em Lviv.
Alisson entrou em campo embalado: já havia marcado e dado assistência na vitória sobre o Dynamo de Kiev na última terça-feira. Contra o Obolon, o primeiro gol saiu aos 70 minutos, e o segundo aos 85, este último um chute de média distância that resumiu a boa fase do brasileiro. As duas finalizações contaram com passes de outros dois brasileiros do elenco, Newerton e Vinícius Tobias, reforçando a presença — e a influência — do país no time ucraniano.
Liderança reconquistada
Com o resultado, o Shakhtar Donetsk chegou aos 28 pontos e retomou a ponta do Campeonato Ucraniano, às vésperas de um compromisso de peso: a equipe enfrenta o Sporting, de Portugal, pela Champions League. O momento coletivo do time combina, assim, com a ascensão individual de Alisson, que disputa sua terceira temporada no clube.
O atacante foi vendido pelo Atlético-MG ao Shakhtar no início de 2025, por cerca de 14 milhões de euros — algo próximo de R$ 88 milhões na cotação da época. Dois anos depois, o investimento se traduz em números: gols decisivos, protagonismo na Ucrânia e, agora, a camisa amarela da Seleção.
O que ele disse
Depois da partida, Alisson Santana resumiu a semana em declaração emocionada, lembrando a trajetória desde a saída de casa ainda jovem até o momento atual.
— Quando eu saí de casa tão novo pra tentar ser jogador, sonhei com esse momento. Mas não só com esse... eu tinha o sonho de virar jogador e virei. De fazer um gol pelo profissional e ouvir a torcida gritar o meu nome e consegui isso lá no Galo. Tinha o sonho de jogar na Europa e ser reconhecido no meu clube, de um dia disputar um jogo de Champions com aqueles caras que eu jogava no videogame, e hoje eu estou no meio deles, pisando no Stamford Bridge, no San Siro…
— Bora realizar mais esse sonho de vida com muita garra, muita determinação e ambição de representar bem a camisa mais pesada do mundo, porque, sim, nós ainda somos o país do futebol! Que seja só o início de uma trajetória abençoada com a Amarelinha.
Companhia de peso na lista de Ancelotti
Alisson Santana não chega à Seleção sozinho. A convocação de Ancelotti para os amistosos de novembro trouxe outras quatro estreias: Jonathan, do Cruzeiro; André, do Corinthians; Allan, do Manchester City; e Marlon Gomes, justamente companheiro de Alisson no Shakhtar. É um sinal do processo de renovação do elenco brasileiro depois da Copa do Mundo de 2026, com espaço maior para nomes que vêm se destacando fora dos grandes centros do futebol europeu tradicional.
Brasil x Japão
Sábado, 14/11, amistoso em Tóquio
Brasil x Singapura
Terça, 17/11, no National Stadium de Singapura
Com o Campeonato Ucraniano na liderança e a Champions League no radar contra o Sporting, o Shakhtar segue como vitrine da boa fase de Alisson Santana. Antes disso, porém, o atacante tem outro compromisso marcado na agenda: a primeira convocação da carreira para defender o Brasil, nos amistosos contra Japão e Singapura, em novembro.