Com a casa em ordem, Juventude mobiliza o Jaconi contra o Operário-PR de olho na liderança
Tem noite em que o estádio pesa mais do que o adversário. É isso que o Juventude quer sentir nesta sexta-feira, quando abre a casa para o Operário-PR às 20h45, no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Depois de uma semana em que resolveu um problema que incomodava fora de campo — zerou dívidas tributárias com a União — e venceu dentro dele, em Belo Horizonte, o clube tenta agora transformar papelada em festa e resultado em liderança.
Da quitação ao Jaconi cheio
Na noite de quarta-feira, o presidente Fábio Pizzamiglio anunciou que o Juventude obteve a Certidão Negativa de Débitos (CND) relativa a tributos federais e à Dívida Ativa da União. Na prática, o clube antecipou parcelas de um refinanciamento que só venceriam nos próximos anos, quitando um montante que passa de R$ 5 milhões. O gesto não aparece em súmula, mas libera recursos orçamentários para o departamento de futebol e para investimentos em infraestrutura.
"Hoje o Juventude alcançou uma conquista que talvez não apareça dentro de campo, mas que diz muito sobre o clube que estamos construindo. É o resultado de um trabalho sério, construído com organização, planejamento, responsabilidade e, principalmente, com o empenho de muitas pessoas. Um processo que começou em gestões anteriores, com dirigentes abnegados que fizeram a sua parte para colocar o Juventude neste caminho." — Fábio Pizzamiglio, presidente do Juventude
Pizzamiglio foi além e emendou o recado institucional com uma mensagem sobre o planejamento do clube para os próximos anos.
"Gestão também é isso. Muitas das decisões mais importantes de um clube não aparecem para o torcedor, não viram gol e não ganham manchetes, mas são elas que constroem bases sólidas para o futuro. Ainda temos muito trabalho pela frente, dentro e fora de campo, mas queremos um Juventude cada vez mais forte, sustentável e preparado para crescer." — Fábio Pizzamiglio
A boa notícia nos bastidores chegou junto com a recuperação dentro de campo. Depois de duas derrotas seguidas que haviam deixado o torcedor em alerta, o time de Maurício Barbieri bateu o América-MG fora de casa, no meio da semana, e recolocou a equipe na briga direta pela ponta da tabela. Com o resultado positivo e as contas em ordem, a diretoria decidiu apostar tudo na força do Jaconi: por R$ 20,00, cada sócio pode comprar até quatro ingressos para o duelo com o Operário-PR, numa clara tentativa de lotar as arquibancadas na reta final da competição.
A situação do Juventude: vice-líder, 40% de chance de acesso
O Papo ocupa a segunda posição da Série B, com 53 pontos, e tem uma missão dupla nesta sexta-feira: vencer o Operário-PR e torcer para que o atual líder Vila Nova tropece no sábado, fora de casa, contra o Botafogo-SP. Se as duas coisas acontecerem, o Juventude devolve para si a liderança do campeonato. Segundo levantamento do Departamento de Matemática da UFMG, as chances de acesso à Série A do time caxiense giram em torno de 40%, um número que tende a crescer a cada vitória dentro de casa.
Restam oito rodadas para o fim da primeira fase, e o Jaconi será decisivo nesse caminho. Depois do Operário-PR, o Juventude ainda recebe São Bernardo, Náutico e, na última rodada da competição, o Botafogo-SP — três adversários que hoje estão fora do G-6. Na teoria, é um calendário favorável. Na prática, o próprio torcedor sabe que a equipe às vezes trava justamente quando o roteiro parece mais fácil.
Vice-líder, 53 pontos
Vem de vitória sobre o América-MG fora de casa, após duas derrotas seguidas. Quer devolver a pressão ao líder Vila Nova.
8º colocado
Fora do G-6, mas chega como o rival de maior qualidade técnica entre os próximos quatro adversários do Papo no Jaconi.
A leitura tática: recuperar o fator Jaconi
O discurso dentro do clube é claro: o Juventude precisa voltar a ser o time que intimida dentro de casa. Nos últimos jogos no Alfredo Jaconi, a equipe de Barbieri oscilou, tropeçou em alguns compromissos e pareceu sentir o peso de ser favorita ao acesso — jogando mais travada, menos vertical, facilitando a vida de rivais que se fecham para o contra-ataque. O duelo com o Operário-PR, justamente por enfrentar o adversário de maior nível técnico dessa sequência final em casa, é visto como o teste mais exigente antes dos compromissos considerados mais acessíveis contra São Bernardo, Náutico e Botafogo-SP.
A ideia é simples: um time pragmático pode continuar sendo a base do Juventude, mas sem renunciar à atitude ofensiva que historicamente aproximou a torcida do time dentro do Jaconi. Em temporadas anteriores, o padrão se repetiu — no momento de maior pressão, a resposta apareceu justamente dentro de casa, com o empurrão da arquibancada.
Com as contas em dia e a confiança reconstruída em Belo Horizonte, o Juventude chega ao Jaconi nesta sexta-feira em posição de decidir o próprio destino: três pontos recolocam o time na liderança caso o Vila Nova escorregue no sábado, contra o Botafogo-SP. Depois do Operário-PR, o calendário em casa segue com São Bernardo, Náutico e Botafogo-SP, todos fora do G-6 — um roteiro que a diretoria e a torcida esperam transformar em sequência de vitórias rumo ao acesso.