Sem fogo antes do clássico: churrasqueiras do Parque Marinha ficarão fechadas na véspera do Gre-Nal 453
Sem fogo antes do clássico: churrasqueiras do Parque Marinha ficarão fechadas na véspera do Gre-Nal 453
Determinação da Brigada Militar isola por um dia o point de confraternização colorado ao lado do Beira-Rio, após episódios de arremesso de objetos e apreensão de espetos e facas em jogos recentes
Faz parte do ritual: horas antes da bola rolar no Beira-Rio, a fumaça sobe entre as árvores do Parque Marinha do Brasil e se mistura à ansiedade da torcida colorada. Ali, nas churrasqueiras fixas que ladeiam o estádio, gerações de torcedores transformam a espera em confraternização. Mas nesta quinta-feira (27), quando Inter e Grêmio voltam a se encontrar pelo Gre-Nal 453, esse cenário terá uma pausa forçada — por ordem da Brigada Militar, o espaço não estará disponível ao público.
Uma decisão nascida da segurança
A determinação foi comunicada em reunião que envolveu a corporação e representantes dos dois clubes, encontro dedicado a alinhar os protocolos de segurança do clássico. Segundo a Brigada Militar, o histórico recente pesou na decisão: tanto no último Gre-Nal disputado no Beira-Rio quanto na partida contra o Corinthians pela Copa do Brasil, a região das churrasqueiras foi palco de incidentes que acenderam o alerta das autoridades.
Garrafas, latas e o risco escondido nos espetos
É esse conjunto de fatores que justifica, aos olhos da corporação, o isolamento pontual da área nesta quinta-feira. A logística prevê a demarcação de um perímetro em torno das churrasqueiras, com circulação proibida para o público durante o dia do jogo — uma barreira física para conter um risco que, segundo a BM, já se mostrou concreto em ocasiões recentes.
A restrição vale apenas para o Gre-Nal desta quinta-feira. Fora desse perímetro, torcedores poderão seguir se organizando no parque, inclusive com o uso de churrasqueiras móveis.
Determinação repassada pela Brigada Militar aos clubes
Inter aceita, mas já mira o futuro
O clube colorado recebeu a notícia com compreensão, ciente de que a prioridade das autoridades é evitar qualquer episódio que comprometa a segurança de torcedores e policiais no entorno do estádio. Ainda assim, a diretoria sinalizou que pretende buscar, junto aos órgãos de segurança, alternativas que preservem a tradição das churrasqueiras em outros grandes jogos, sem abrir mão dos cuidados que o momento exige.
Por ora, a orientação é clara: quem pretende manter o costume da carne na brasa antes de entrar no Beira-Rio precisará se adaptar, buscando os espaços permitidos do parque com equipamentos móveis, enquanto a área tradicional permanece isolada só até o apito final desta quinta.
Entre a chama que aquece a expectativa e a linha que a Brigada Militar traça no gramado do Parque Marinha, fica o lembrete de que também a festa em torno do futebol precisa, às vezes, ceder espaço à cautela — sem perder, espera-se, a essência que faz da véspera de clássico um ritual à parte.