Caxias precisa de uma SAF, admite Santolin, mas evita gerar expectativa no torcedor
Tem um tipo de esperança que cresce devagar, quase em silêncio, até virar assunto de arquibancada. No Centenário, essa esperança tem nome: SAF. E nesta quinta-feira, 1º de outubro, foi o próprio presidente do Caxias, Junior Santolin, quem veio a público para confirmar o que o torcedor já desconfiava — o clube vai, sim, trabalhar para implantar uma Sociedade Anônima do Futebol. Mas fez questão de pedir calma, porque o processo ainda engatinha e passa, antes de tudo, por uma reforma no estatuto que nem sequer teve quórum suficiente para ser votada.
Quórum não fechou e votação fica para outubro
A novela em torno da SAF ganhou um novo capítulo justamente no momento em que o Grená mais precisava do aval do Conselho Deliberativo. A proposta de mudança no estatuto, passo inicial para viabilizar qualquer parceria futura, não reuniu conselheiros suficientes para ser aprovada na última reunião. Com isso, um novo encontro já é dado como certo para acontecer ainda em outubro.
"Vamos deixar a SAF acontecer no momento certo"
Diante da repercussão, Santolin fez questão de reduzir a ansiedade em torno do tema. Segundo o presidente, hoje não existe nenhuma tratativa concreta de apoio financeiro externo, e o clube prefere não alimentar um imaginário de salvação repentina enquanto o modelo de parceria ainda está sendo desenhado.
"Nós estamos num momento de alteração de estatuto. Nós não temos nenhuma questão de SAF, de apoio financeiro, nenhum. A questão da SAF, vamos deixar para ela acontecer no momento certo, senão nós vamos criar uma expectativa no nosso torcedor que daqui a pouco uma SAF vai vir e fazer uma antecipação de valor para o Caxias."
Elenco de 2027 será montado sem interferência externa
Enquanto a discussão estatutária segue seu rito, a rotina de bastidores não para. Santolin reforçou que, por ora, é a própria associação quem comanda as decisões de futebol — da contratação de um executivo até a escolha do técnico e a montagem do elenco para a temporada 2027, sem qualquer participação de possíveis futuros investidores.
"Não vai ter interferência por enquanto, nada de a escolha de treinador, escolha de executivo, não tem. Então, vamos zerar o assunto da SAF e deixar a SAF acontecer."
Mas o presidente não deixou dúvida sobre o diagnóstico de fundo: para o Caxias dar um salto de patamar nos investimentos em futebol, a SAF é vista como caminho necessário.
"Mas o Caxias precisa de uma SAF, isso a gente está ciente e vamos trabalhar para montar o melhor modelo e, que de fato, nos mude de patamar sobre investimentos para o futebol."
Modelo em estudo prevê conselheiros e empresários como sócios majoritários
Nos bastidores do clube, o formato que ganha mais força é o de uma SAF estruturada por conselheiros e empresários ligados ao próprio Caxias, que assumiriam a posição de acionistas majoritários do projeto. A ideia é que essa proposta seja levada ao Conselho Deliberativo entre o fim deste ano e o início de 2027.
Planejamento para o Gauchão já está em andamento
Independentemente do rumo que a SAF tomar, o Caxias não vai esperar a parceria se concretizar para começar a pensar em 2027. A expectativa interna é de que, já na primeira quinzena de novembro, o grupo de jogadores esteja com a base definida para a disputa do Campeonato Gaúcho, a primeira competição oficial do calendário.
O assunto SAF segue, portanto, em compasso de espera no Centenário: a vontade existe, o diagnóstico está feito, mas a decisão formal depende primeiro de uma reforma estatutária que ainda não encontrou quórum. A diretoria promete nova tentativa de votação ainda em outubro, enquanto a montagem do elenco para o Gauchão de 2027 segue seu curso normal, sob o comando da própria associação.