Brasil de Pelotas e Passo Fundo ficam no 1 a 1 na ida da final e Xavante sai reclamando da arbitragem
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O Bento Freitas parou antes da bola rolar. Um minuto de silêncio pelo jornalista Adroaldo Guerra Filho, o Guerrinha, morto nesta quarta-feira (28), abriu a noite mais importante do ano para o futebol pelotense. Depois, 90 minutos de final não bastaram para desempatar a disputa: Brasil de Pelotas e Passo Fundo ficaram no 1 a 1 no jogo de ida da final da Divisão de Acesso, nesta quarta-feira, em Pelotas. Vitor Becker colocou o Xavante na frente com um gol de cabeça no último lance do primeiro tempo, mas João Victor igualou para o Passo Fundo na etapa final. Com o resultado, o título fica em aberto para a decisão de domingo (1º), às 16h, no Vermelhão da Serra, em Passo Fundo — e o Brasil terminou a noite reclamando da arbitragem de Elias da Silva Elyseu.
Um jogo decidido na bola parada
Mesmo jogando fora de casa, o Passo Fundo não se escondeu e foi para cima desde os primeiros minutos, como convinha à melhor campanha da competição. Aos dois minutos, Talles recebeu em profundidade pela direita e arriscou um chute cruzado que levou efeito, mas passou perto demais do gol sem entrar.
O Brasil respondeu pelo mesmo lado do campo, com o lateral Matheus Streit, improvisado na posição após o desfalque de Rafael Dumas. Aos 10 minutos, ele cruzou da esquerda para Genilson, que não conseguiu encaixar a finalização dentro da área.
O jogo seguiu equilibrado e picante. Aos 12, o ex-jogador do Brasil, Patrickão, armou para Toscano finalizar de primeira na entrada da área — a bola quicou antes de chegar ao gol e quase surpreendeu o goleiro Carlos Eduardo, que mandou para escanteio no limite. Depois, as duas equipes testaram chutes de fora da área, sem sucesso.
A melhor chance do Xavante na etapa inicial veio aos 34 minutos: Streit tocou para Garré, que apareceu de trás e finalizou de primeira no canto esquerdo. O goleiro Jonathan fez grande defesa e evitou o gol. Aos 41, Tetê e Genilson trocaram passes pela direita até o cruzamento, que Morbeck não conseguiu converter de cabeça na pequena área.
A resposta certa veio nos acréscimos. Depois de Andrey furar uma finalização de letra dentro da pequena área, a bola sobrou em escanteio. Na cobrança, o próprio Andrey cruzou com precisão e Vitor Becker, subindo mais alto que a defesa, cabeceou no canto direito para abrir o placar aos 47 minutos — já no apagar das luzes do primeiro tempo.
Resposta rápida e virada evitada por pouco
O Passo Fundo voltou ligado do intervalo e quase empatou já no primeiro minuto da etapa final, em cobrança de falta pela esquerda que João Victor desviou na primeira trave — Otávio tirou em cima da linha para evitar o gol.
O Brasil respondeu com dois chutes de fora da área aos 13 minutos: primeiro Morbeck, que acertou o travessão em cobrança indireta de escanteio, depois Garré, no rebote, mandando no meio do gol. Era o Xavante tentando fechar o resultado.
Depois disso, a equipe pelotense recuou as linhas e passou a jogar no contra-ataque, com organização defensiva sólida, mas sem conseguir sair com perigo. Foi justamente na bola aérea, o ponto fraco do dia, que saiu o empate: aos 25 minutos, Talles cobrou escanteio na primeira trave, Otávio desviou mas não conseguiu afastar por completo, e João Victor apareceu para finalizar de primeira e empatar a partida.
O Brasil ainda tentou retomar a vantagem aos 35, com uma cobrança de falta de longe por Streit que exigiu boa defesa de Jonathan. Nos minutos finais, com mais posse de bola, o Xavante não conseguiu criar chances claras e o jogo terminou 1 a 1.
A reclamação do Brasil contra a arbitragem
— Ficou claro que a colocação de um árbitro totalmente despreparado para um jogo desse nível bagunçou o jogo todo.
— Farnei Coelho, executivo de futebol do Brasil de Pelotas
— Dificilmente na minha carreira eu falo sobre a arbitragem. Hoje, para mim, ele foi o protagonista e, quando o árbitro é protagonista de um jogo, não está certo.
— Júlio César Nunes, técnico do Brasil de Pelotas
Apesar da crítica à arbitragem, Júlio César Nunes reconheceu que o confronto foi equilibrado e que os dois gols saíram de jogadas de bola parada. O treinador destacou que a equipe teve chances de ampliar o placar antes de sofrer o empate:
— Nós tivemos duas transições para matar o jogo e fazer o 2 a 0. No momento em que a gente estava melhor na partida, controlando o jogo, em uma bola parada aconteceu o gol. Mérito do adversário.
— Júlio César Nunes, técnico do Brasil de Pelotas
Desfalques e expectativa para o jogo de volta
Para a decisão em casa, Júlio César Nunes já havia sido obrigado a mexer na zaga: sem Gabriel Mancha, que deixou o clube nesta semana, e sem Rafael Dumas, com desconforto muscular, o técnico formou o trio defensivo com Lula e Otávio ao lado do capitão Vitor Becker, autor do gol. Na lateral-esquerda, Matheus Streit assumiu a vaga.
Para o duelo de domingo, em Passo Fundo, a recuperação física do grupo será prioridade na preparação. A expectativa do clube é ter Rafael Dumas de volta à disposição para a decisão.
Mesmo jogando fora de casa na decisão, Júlio César Nunes disse acreditar na força do time como visitante:
— Temos totais condições de ir lá e vencer o jogo. Está tudo em aberto. É claro que o Passo Fundo joga na sua casa, mas o Brasil já mostrou a sua força fora de casa, não só na fase classificatória, como no mata-mata também.
— Júlio César Nunes, técnico do Brasil de Pelotas
O retrospecto que dá confiança ao Xavante
O caminho do Brasil de Pelotas no mata-mata da Divisão de Acesso tem um padrão: a equipe não vence o primeiro jogo, mas garante a vaga na volta.
Empate em casa, vitória fora
0 a 0 com o Esportivo no Bento Freitas e 2 a 0 em Bento Gonçalves para avançar à semifinal.
Empate fora, goleada em casa
Empate na ida, fora de casa, e goleada por 3 a 0 na volta, que confirmou o retorno do Brasil à elite gaúcha.
Ficha técnica — Brasil de Pelotas 1 x 1 Passo Fundo
A decisão da Divisão de Acesso será no domingo (1º), às 16h, no Vermelhão da Serra, em Passo Fundo. O Brasil de Pelotas precisa vencer para ficar com o título; um novo empate — em qualquer placar — leva a disputa direto para os pênaltis. Ambas as equipes já estão garantidas no Gauchão de 2027, mas o Xavante joga por algo além da vaga: o primeiro título de Júlio César Nunes no comando do clube, que teve o contrato renovado para a próxima temporada horas antes da bola rolar no Bento Freitas.