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Atlético-MG tenta reagir contra o Botafogo em meio à crise, enquanto Argentina já sorri de olho no Boca

Por: Redação FutebolRS 03/11/2026 Futebol Brasileiro
Pressionado por quatro derrotas seguidas e com a decisão da Sul-Americana no horizonte, o Galo visita o Nilton Santos nesta quarta — e a imprensa de Buenos Aires já aposta na fragilidade mineira antes da final contra o Boca Juniors.
Futebol Brasileiro · Brasileirão
03 de novembro de 2026 · Rio de Janeiro (RJ) · Redação

Tem um tipo de silêncio que só existe depois da quarta derrota seguida. Não é o silêncio de quem perdeu uma partida qualquer — é o silêncio de quem sente o relógio correndo contra si, sabendo que faltam 18 dias para a decisão mais importante do ano. O Atlético-MG entra em campo nesta quarta-feira, 21h30, contra o Botafogo, no Nilton Santos, pela 34ª rodada do Brasileirão, tentando encontrar o caminho que perdeu nas últimas semanas — e que já virou manchete até na Argentina, onde o Boca Juniors observa a crise mineira com um sorriso maior a cada rodada.

Um adversário que já tirou o sono do Galo

O Botafogo não é um nome qualquer na história recente do Atlético. Foi contra os mineiros que o time carioca ergueu sua primeira Libertadores, em 2024, numa decisão que ainda ecoa nos dois lados. Desde então, os confrontos têm sido favoráveis ao Fogão: em seis jogos disputados a partir daquele ano, três vitórias do Botafogo, dois empates e apenas um triunfo do Atlético. No retrospecto histórico mais amplo, o equilíbrio também pende para o lado carioca — 38 vitórias do Botafogo contra 28 do Galo, com 22 empates.

No primeiro turno deste Brasileirão, em maio, as equipes dividiram pontos na Arena MRV: Cassierra abriu o placar para o Atlético, e Arthur Cabral empatou nos minutos finais — um dos últimos gols do atacante antes de encarar um jejum de 17 partidas sem balançar as redes.


Quatro derrotas, uma defesa em coro

A sequência recente do Atlético-MG é a pior da temporada sob o comando de Eduardo Domínguez: derrotas para o Montevideo City Torque-URU (mesmo assim, o Galo avançou à final da Sul-Americana pelo placar agregado), para o Flamengo, para o rival Cruzeiro no Brasileirão e, mais recentemente, para o Grêmio, por 2 a 0, na ida da semifinal da Copa do Brasil.

Diante do cenário, o discurso dos jogadores girou em torno de um ponto só: não existe crise. Bernard foi um dos primeiros a rebater o clima de alarme instalado em torno do grupo.

"Não acredito que esteja da forma que estão falando, que está tudo errado, de onde vai tirar forças… A gente está em três competições. Não acredito que esteja essa bagunça toda, essa situação tão ruim como estão falando. A gente chegou aqui com muito empenho, com muita força, dedicação, entrega, e não vai ser diferente daqui para frente. Pode ter certeza de que a gente vai fazer o nosso melhor para reverter toda essa situação que a gente está vivendo." — Bernard

Cuello seguiu a mesma linha, reconhecendo falhas pontuais, mas descartando qualquer cenário de desmoronamento interno.

"Não tem nenhuma crise. O elenco está bem, está forte no mental. Não é porque perdemos quatro jogos seguidos que vamos ficar para baixo, somos profissionais. Temos que minimizar os erros e caprichar mais nos últimos metros. Temos totais condições de reverter essa situação agora." — Cuello

A agenda apertada do Galo

Quarta-feira

Botafogo x Atlético-MG

21h30, Nilton Santos, pelo Brasileirão.

Sábado

Atlético-MG x Grêmio

18h, Arena MRV, volta da semifinal da Copa do Brasil. Galo precisa vencer por três gols de diferença — por dois, a vaga vai aos pênaltis.

O calendário não dá trégua. Depois do Botafogo, o Atlético ainda terá a missão de reverter a derrota por 2 a 0 sofrida para o Grêmio na ida, na Arena MRV, no sábado. Caso avance, a decisão da Copa do Brasil se somaria a outro compromisso já confirmado: a final da Sul-Americana, no dia 21, contra o Boca Juniors, às 19h30, em Barranquilla, na Colômbia.


Enquanto isso, em Buenos Aires: "Boca sorri"

A má fase do Atlético-MG não passou despercebida do outro lado da fronteira. O jornal argentino Olé, um dos mais tradicionais do país, estampou a crise mineira em manchete, descrevendo a sequência como a pior desde a chegada de Eduardo Domínguez ao comando da equipe.

"Boca sorri: Atlético Mineiro e sua pior sequência desde a chegada de Eduardo Domínguez. Faltando 20 dias para a final da Sul-Americana, o time não consegue levantar a cabeça." — Jornal Olé (Argentina)

O contraste de momentos ajuda a entender o tom da imprensa argentina. Enquanto o Atlético tropeça pela quarta vez seguida, o Boca Juniors vive a melhor fase do ano: quatro vitórias consecutivas, incluindo um triunfo sobre o rival River Plate pelo Torneio Clausura, resultado que já garantiu ao clube xeneize vaga direta na Libertadores de 2027. No retrospecto mais recente, o Boca perdeu apenas um dos últimos 22 jogos disputados — um nível de consistência que o Atlético, pelo menos por ora, está longe de repetir.

Botafogo também não vive sua melhor fase

Do outro lado do confronto desta quarta, o Botafogo tampouco atravessa um momento tranquilo. O time carioca ocupa a 12ª colocação, com 39 pontos — apenas três de distância do Corinthians, primeiro time na zona de rebaixamento. Sob o comando de Tite, foram disputados seis jogos até aqui, com apenas uma vitória, justamente sobre a lanterna Chapecoense. Houve ainda um empate com o Coritiba e derrotas para Mirassol, Vasco, Internacional e Remo.

Mesmo em crise de resultados, o Botafogo aposta na fama de carrasco do Atlético para tentar se afastar do Z-4. A torcida também respondeu ao chamado: mais de 15 mil ingressos foram vendidos para o duelo, superando a média de público do clube na temporada — 13.771 pagantes e 15.366 de público total por jogo em 2026. O Nilton Santos, com capacidade para 44.661 torcedores, ainda não deve atingir os três maiores públicos do ano (os jogos contra Barcelona-EQU, Nacional Potosí e Chapecoense), mas a expectativa de casa cheia é um fator extra de pressão sobre o Galo.

Tiquinho Soares treinou como titular na preparação e deve retomar a vaga no ataque do Botafogo para o confronto com o Atlético-MG.

De olho no Grenal... com Galo

Para o torcedor gaúcho, o jogo desta quarta tem um ângulo extra de interesse. O resultado do Atlético contra o Botafogo pode influenciar diretamente o estado emocional do Galo para a volta contra o Grêmio, no sábado, na Arena MRV, pela vaga na final da Copa do Brasil. Uma vitória em Copacabana poderia destravar a confiança mineira; uma quinta derrota seguida jogaria ainda mais pressão sobre o duelo direto com os gaúchos, que chegam embalados pelo 2 a 0 construído na ida.

Entre a pressão imediata do Z-4 carioca e a sombra de uma final de Sul-Americana já sendo cantada em Buenos Aires, o Atlético-MG tem nesta quarta-feira, no Nilton Santos, a chance de provar que a crise é passageira. O próximo capítulo vem rápido: sábado, contra o Grêmio, na Arena MRV, e depois, no dia 21, contra o Boca Juniors, em Barranquilla — a decisão que a Argentina já começou a comemorar antes da hora.

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