Atlético-MG lamenta eliminação na Copa do Brasil após empate com o Grêmio: lágrimas, autocrítica e falha admitida pela diretoria
Tem eliminação que dói mais do que outras, e a deste sábado entrou direto na lista das que custam caro ao Atlético-MG. No apito final da Arena MRV, não houve revolta nem protesto: houve choro. Jogadores de cabeça baixa, torcedor calado, um vestiário tentando entender como 50 finalizações nos dois jogos da semifinal da Copa do Brasil não foram suficientes para evitar a queda diante do Grêmio. O empate em 1 a 1 neste sábado (7), em Belo Horizonte, fechou o confronto em 3 a 1 no placar agregado e tirou o Galo da disputa pelo título, ao mesmo tempo em que empurrou o time gaúcho para a final da competição.
Uma noite que começou com festa e terminou em lágrimas
Antes da bola rolar, a Arena MRV já tinha dado o tom do que o confronto representava para o torcedor atleticano. O ônibus da delegação foi recebido com fogos e gritos de incentivo, e mais de 42 mil pessoas lotaram as arquibancadas na tentativa de embalar uma reação histórica depois da derrota por 2 a 0 no jogo de ida, na Arena do Grêmio, no último domingo. A energia das arquibancadas contagiou até o vestiário — mas não foi suficiente para reverter a eliminação.
Como foi o jogo
Em campo, o Atlético fez a parte que dependia de empenho. Aos 25 minutos do primeiro tempo, Renan Lodi abriu o placar e manteve viva a esperança de uma virada que levasse a vaga para os pênaltis. A alegria, porém, durou pouco: aos 37, o Grêmio buscou o empate com Carlos Vinícius, que subiu livre dentro da área para cabecear, após cruzamento que veio de uma jogada de bola de segunda. O gol gremista funcionou como um balde de água fria sobre o Galo, que sentiu o golpe ainda na primeira etapa.
Na volta do intervalo, o time mineiro perdeu a organização que havia mostrado antes do empate. O ataque teve volume — segundo o próprio técnico, a equipe chegou a somar 50 finalizações somando os dois jogos da semifinal —, mas faltou efetividade nos milímetros decisivos. Do outro lado, o Grêmio administrou a vantagem construída na ida e converteu apenas três chutes certos em três gols ao longo dos dois confrontos, uma eficiência que decidiu a vaga na final.
Volume sem eficiência: as mudanças que não encaixaram
As alterações do técnico Eduardo Domínguez, o Barba, não surtiram o efeito esperado. Fred, recuperado de lesão muscular, só entrou aos 11 minutos do segundo tempo. Mateo Cassierra, outro que retornava de problema físico, começou a partida no banco e foi acionado apenas aos 27 da etapa final. Ambos tiveram participação discreta, embora Fred tenha dado um passe que resultou em uma das chances mais claras do Atlético na partida, parada em grande defesa do goleiro do Grêmio. Outra ausência chamou atenção: Maycon, titular quando está à disposição, ficou fora do time inicial por queixa física e só assistiu da reserva à eliminação do time.
Renan Lodi
Autor do único gol do Atlético-MG somando os dois jogos da semifinal. Foi um dos últimos a deixar o gramado, visivelmente abatido.
Cuello
Não teve uma de suas melhores partidas, mas cumpriu os 90 minutos. Saiu de campo chorando e balançando a cabeça em sinal de reprovação.
Carlos Vinícius
Subiu livre dentro da área para cabecear o gol de empate do Grêmio, apontado pelo próprio Everson como o "exímio cabeceador" que decidiu o confronto.
Everson
Ficou no banco no jogo de ida, com Gabriel Delfim titular, e retornou à meta do Atlético para a partida decisiva.
A autocrítica de Barba
Na beira do campo, o técnico Eduardo Domínguez não escondeu os erros de sua equipe. Para ele, a queda emocional após o gol do Grêmio, ainda no primeiro tempo, pesou na reta final da partida.
"No primeiro tempo nos sentíamos fortes, mas o gol do rival caiu muito mal para nós e para o torcedor. No segundo tempo faltou organização ofensiva, estarmos melhor posicionados para fazer o que fizemos no primeiro tempo e que faltou no segundo."
"Temos que ter mais disciplina. Isso não quer dizer que não ganhamos só por isso, mas nossa organização ofensiva não foi a mesma. Temos que continuar com o que dá certo. Entramos no jogo deles, e isso não pode acontecer de novo."
O treinador também apontou a falta de concentração defensiva como um problema recorrente do time nesta temporada.
"Precisamos melhorar a defesa. Quando você ataca muito, tem que estar muito concentrado na fase defensiva, porque se sente com o controle do jogo, mas eles jogam justamente nisso. É normal. Temos que melhorar a concentração defensiva para não sofrer com essas mesmas situações."
Sobre a falta de pontaria do ataque, Barba foi direto ao comparar os números das duas equipes.
"Se demos 50 finalizações e eles finalizaram três vezes certas e fizeram três gols, eles foram eficientes. Criamos muitas situações, mas faltaram alguns milímetros para concluir bem a jogada. É difícil jogar contra um time cuja proposta é defender a grande área com dez jogadores. Precisamos de qualidade e de individualidade. Se temos poucas chances, precisamos ajustar a finalização."
Questionado sobre as entradas tardias de Fred e Cassierra, o técnico explicou que nenhum dos dois tinha condição física para atuar os 90 minutos.
"Não estavam em condições de jogar tantos minutos. Fred ainda está com a lesão aberta. Tínhamos que manter o nível do time, e os dois só fizeram um treino normal na sexta-feira, depois de quase um mês fora. Não são os mesmos desempenhos, vocês notam. Fred perdeu algumas bolas que não é de perder, mas sabíamos que seria normal. Ainda assim, com a capacidade que tem, ele criou uma das chances mais claras do segundo tempo."
O luto de Everson
Na zona mista, o goleiro Everson resumiu em poucas palavras o clima do vestiário atleticano. De volta à equipe depois de ficar no banco no jogo de ida, ele reconheceu o mérito do adversário na conquista da vaga.
"Um sentimento de tristeza. É óbvio que, ao chegar numa semifinal, você quer estar entre os finalistas da competição. Sentimento de tristeza, de luto, mas temos que juntar os cacos e lamber as feridas, porque essa semana temos que trabalhar para enfrentar o Mirassol."
O goleiro também analisou os dois jogos do confronto e apontou o lance do gol de empate como o momento que selou a eliminação.
"No primeiro jogo, a gente ficou em desvantagem. Fizemos até um bom primeiro tempo, mas nas poucas vezes em que eles chegaram, foram muito assertivos nos dois jogos. Eles tiveram mérito no gol: foi um lance de bola de segunda, o cara cruzou bem, e o Carlos é um exímio cabeceador. Talvez tenha faltado a gente evitar que o melhor cabeceador deles subisse praticamente livre dentro da área. Foi um erro coletivo que acabou nos tirando da partida com o empate em nossa própria casa."
Falha admitida pela diretoria
O executivo de futebol Paulo Bracks também foi à zona mista e assumiu que o time pagou o preço de uma temporada disputada em três frentes simultâneas.
"Infelizmente, hoje estamos eliminados. Uma semifinal em que finalizamos quase 50 vezes e não fomos competentes para estar na final da Copa do Brasil."
"Estamos pagando um preço caro por estar até então em três competições. Pelo calendário, fizemos, em 29 dias, praticamente um jogo a cada três dias — dez jogos nesse período. Os desfalques de hoje, por lesão, nos atrapalharam. Não é justificativa para não termos passado, mas isso contribuiu."
Bracks ainda agradeceu o apoio da torcida, que lotou a Arena MRV e emocionou parte do elenco antes da partida.
"Eu queria parabenizar e agradecer ao torcedor. Não me surpreende nada, porque conheço o torcedor atleticano. Pela festa que fez antes, por ter acreditado, por ter demonstrado isso para o vestiário com outra energia. Isso contagiou e elevou ainda mais o moral de todos. Alguns atletas se emocionaram com a forma como o ônibus da delegação foi recebido."
O que resta na temporada
A eliminação na Copa do Brasil não encerra as pretensões de título do Atlético-MG em 2026. O time ainda disputa a final da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors, marcada para o dia 21 de novembro, na Colômbia, e Bracks usou a entrevista para já apontar o próximo objetivo.
"Quero dizer para a torcida do Atlético que, em 15 dias, estamos na final da Sul-Americana. É a terceira final continental do clube. Óbvio que hoje está doído, vai doer mesmo. O torcedor tem que ficar puto, porque a gente também está. Mas, a partir de amanhã, temos que levantar a cabeça e trabalhar ainda mais, porque vamos fazer de tudo, possível e impossível, para voltar da Colômbia com a taça."
Impacto na tabela da Copa do Brasil
Para o Grêmio, o resultado tem um peso duplo: além de eliminar um dos favoritos ao título, o time gaúcho garantiu presença na grande final da Copa do Brasil 2026, sendo o primeiro clube a confirmar vaga na decisão. O adversário da final ainda depende do confronto entre Vasco e Palmeiras, que decidem a outra vaga neste domingo (8), em São Januário — o Palmeiras venceu o jogo de ida por 1 a 0 e precisa apenas de um empate para avançar. Enquanto aguarda o rival, o Atlético-MG volta a atenção ao Brasileirão, com confronto direto contra o Mirassol já na próxima rodada.