Alan Patrick vira a chave e assume a camisa 10 do Inter na luta contra o Z-4
Tem um tipo de jogador que só aparece quando o time mais precisa, como se soubesse guardar energia para os dias de aperto. Foi assim que Alan Patrick se apresentou na última quarta-feira, no Beira-Rio, diante do Corinthians: um gol, uma assistência e cinco bolas roubadas do adversário, números de quem decidiu carregar o Inter nas costas justamente na reta mais dura da temporada, com o fantasma do rebaixamento rondando o clube colorado.
A vitória por 2 a 1 teve a cara do camisa 10. E não só pela bola na rede ou pelo passe certeiro — a participação na marcação chamou atenção em um jogador cuja função primeira é criar, não destruir. Para um meio-campista ofensivo, cinco recuperações de bola em uma única partida funcionam quase como um manifesto: o recado de que está inteiro, física e mentalmente, para a briga que o Inter tem pela frente.
Números que comprovam a reação
A atuação contra o Corinthians não foi um lampejo isolado. Em 2026, Alan Patrick soma oito gols e oito assistências com a camisa colorada, sendo cinco desses gols marcados só no Campeonato Brasileiro. São números de protagonista, de jogador que volta a ditar o ritmo ofensivo do time em um momento no qual o Inter não pode se dar ao luxo de abrir mão de quem resolve.
Decisivo Gol + assistência vs Corinthians 5 bolas roubadas
Da sombra de Pezzolano ao centro do projeto de Baptista
A trajetória de Alan Patrick em 2026 não foi linear. Durante o período em que Paulo Pezzolano comandava o Inter, o meia passou trechos do Brasileirão sem a mesma influência de outras temporadas, chegando a perder espaço e deixar de ser presença garantida entre os titulares. Foi um momento de turbulência para quem já havia sido o principal nome ofensivo do clube em anos anteriores.
A reviravolta veio de forma gradual. Aos poucos, o camisa 10 recuperou a posição de referência dentro do time, e esse processo de retomada ganhou força justamente no instante em que o Inter mais precisava de jogadores capazes de puxar a equipe para fora da crise.
Com a chegada de Eduardo Baptista ao comando técnico, Alan Patrick passou a ocupar um papel ainda mais central no planejamento colorado. O treinador identificou no meia a peça ideal para organizar as jogadas ofensivas e dar qualidade à equipe em um momento de pressão extrema — e a resposta apareceu em campo diante do Corinthians, quando o camisa 10 participou diretamente dos dois gols da vitória.
Cinco bolas roubadas: o lado que poucos esperavam
Se os números ofensivos já bastariam para justificar a boa fase, o que chamou atenção de quem acompanhou o jogo contra o Corinthians foi o volume de trabalho defensivo. Cinco recuperações de bola representam um esforço que normalmente não se espera de um armador — e ajudam a desmontar qualquer dúvida sobre o comprometimento de Alan Patrick com o momento delicado do clube.
Gre-Nal 455: a hora de confirmar a reação
Agora, o desafio é repetir o desempenho na partida que pode definir boa parte do destino do Inter na temporada: o Gre-Nal 455, neste domingo, na Arena, válido pela 31ª rodada do Brasileirão. Grêmio e Inter entram em campo pressionados pela proximidade com a zona de rebaixamento, e a capacidade de decisão do camisa 10 pode ser o fator que separa a reação definitiva de uma nova frustração.
O Inter chega ao clássico embalado por uma vitória construída em cima da entrega do seu principal jogador. Depois de um ano de altos e baixos, Alan Patrick reencontrou o protagonismo justamente quando o calendário não perdoa: um Gre-Nal direto na luta contra o descenso, neste domingo, na Arena. Se o camisa 10 repetir a atuação de quarta-feira, o Beira-Rio tem motivos de sobra para acreditar na permanência na Série A.