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A crise que encolheu o Gre-Nal: Grêmio e Inter reféns da própria incompetência

Por: Redação FutebolRS 17/10/2026 Notícias
Em coluna publicada neste fim de semana, Nando Gross escancara o tamanho do aperto que Grêmio e Internacional vivem fora de campo — e lembra que nenhuma taça do passado resolve boleto do presente.
Especial

17 de outubro de 2026 · Porto Alegre, RS · Redação

Tem clube que se mede pela prateleira de taças. Tem clube que se mede pelo medo de cair. Grêmio e Internacional, que já dividiram o mapa do futebol mundial com seus escudos, hoje se medem pela segunda régua: a de sobreviver na Série A sem fazer feio. É esse o retrato que o colunista Nando Gross traçou em texto publicado neste sábado (17) no ABC Mais, ao analisar a crise administrativa e financeira que atravessa a dupla Gre-Nal — um raio-x duro sobre dirigentes que trocaram projeto por remendo e torcida que aprende, na marra, a cobrar em vez de agradecer.

O pano de fundo não é só discurso. Depois da 30ª rodada do Brasileirão, Inter aparece na 17ª posição, com 32 pontos, e o Grêmio logo atrás, em 18º, com 31. Os dois dividem a zona de rebaixamento com Remo e Chapecoense. E o retrato ficou ainda mais simbólico no último Gre-Nal: no dia 11 de outubro, na Arena, diante de mais de 53 mil torcedores, Vitinho abriu o placar para o Inter ainda no primeiro tempo, Wallace empatou para o Grêmio na etapa final, e o 1 a 1 do Gre-Nal 455 não tirou nenhum dos dois rivais do Z-4. Rivais que deveriam brigar pelo topo da tabela, brigam juntos contra a queda.

Um barco a remo, não um iate

Gross usa a imagem para explicar por que acha equivocada a posição de Grêmio e Inter na defesa pública da publicidade das casas de apostas no futebol. Para o colunista, os dois clubes agem como se estivessem no mesmo patamar de Flamengo e Corinthians — quando, na prática, remam contra a correnteza enquanto os grandes do Sudeste navegam em outro ritmo.

"Defender um modelo que amplia essa distância é trabalhar pelo poder dos concorrentes. Dinheiro das apostas não corrigiu a incompetência dos nossos dirigentes. Serviu de desculpa para adiar mudanças." Nando Gross, colunista do ABC Mais

A conclusão do colunista é direta: seguir atrás dos clubes mais ricos, copiando o modelo deles, só vai afastar ainda mais o futebol gaúcho da disputa real. Para ele, é hora de buscar outro caminho — não o de imitar quem já corre na frente.

Inter: a ruptura que não virou projeto

No caso colorado, o alvo da crítica é a gestão de Alessandro Barcellos. Gross lembra que o Inter de Abel Braga disputou o Brasileiro até a última rodada e ainda tinha Libertadores pela frente quando a diretoria decidiu desmontar o departamento de futebol e recomeçar do zero. Havia problemas, reconhece o colunista — mas havia, acima de tudo, um time competitivo. A aposta foi vender a quebra como modernização.

"Só ruptura não é projeto. Mudar tudo exige saber o que colocar no lugar. O Inter abriu mão do que tinha sem construir algo melhor depois." Nando Gross, colunista do ABC Mais

O prazo para julgar essa gestão, segundo Gross, já se esgotou. Barcellos foi eleito em 2023, reeleito para o triênio 2024-2026 e chega ao fim do segundo mandato consecutivo no fim deste ano — seis anos à frente do clube. Para o colunista, isso tira qualquer justificativa baseada em promessa futura: o presidente responde pelo conjunto da obra, e o Inter termina esse ciclo mais fraco administrativamente do que era na largada, mesmo com as dificuldades financeiras agravadas pela enchente de 2024 lembradas como atenuante.

"Torcedor não deve gratidão por promessa. Deve cobrar." Nando Gross, colunista do ABC Mais

Com o mandato de Barcellos se encerrando, uma nova eleição se aproxima no Beira-Rio. Gross vê ali uma oportunidade — mas avisa que trocar nomes sem mudar o jeito de decidir só reinicia o ciclo de frustração. Na visão do colunista, quem se candidatar vai ter que explicar, antes da posse, como pretende recuperar o futebol e sustentar essa recuperação no tempo — não apenas prometer.

Grêmio: o brilho de Suárez que escondeu a crise

Do lado tricolor, a crítica passa por outro nome: Luis Suárez. Em sua passagem pela Arena, encerrada ao fim de 2023, o uruguaio disputou 54 jogos, marcou 29 gols e deu 17 assistências — números que, segundo Gross, ajudaram a maquiar problemas estruturais que o clube não resolveu. Um jogador desse nível decide partidas sozinho e cria a sensação de que existe projeto onde, na real, havia dependência de um talento individual.

"A lembrança do craque virou um contraste doloroso com um clube que voltou a temer a queda." Nando Gross, colunista do ABC Mais

Passado o encanto, sobrou a conta. O Grêmio trocou de comando — Odorico Roman assumiu a presidência em dezembro de 2025, com Alex Leitão no CEO e Paulo Pelaipe na diretoria de futebol —, mas a chegada de rostos novos não tirou o time do sufoco dentro de campo. Para Gross, o primeiro ano de uma gestão também precisa ser cobrado, já que os problemas vêm de antes e não existe salvo-conduto só porque mudou o nome na cadeira.

Hoje na tabela: Inter em 17º lugar (32 pontos) e Grêmio em 18º (31 pontos), ambos na zona de rebaixamento ao lado de Remo e Chapecoense, após a 30ª rodada do Brasileirão.

O tamanho da queda

Gross fecha o texto reconhecendo que Grêmio e Inter atravessam um dos momentos mais constrangedores de sua história conjunta. E faz questão de separar passado e presente: o tamanho das conquistas de cada clube não diminui a gravidade do momento atual — pelo contrário, torna a queda ainda mais visível pelo contraste.

"A camisa pesa, mas não administra. E o passado não entra em campo para salvar o time." Nando Gross, colunista do ABC Mais
Internacional

Fim de ciclo

Barcellos encerra o segundo mandato no fim de 2026, com eleição para presidência se aproximando.

Grêmio

Novo comando, velho aperto

Odorico Roman assumiu em dezembro de 2025, mas o time segue ameaçado na tabela.

Recuperar esse terreno, segundo Gross, vai exigir tempo, dinheiro e decisões melhores — e a primeira delas é abandonar a ilusão de que grandeza histórica resolve problema de gestão. Com Gre-Nal recente terminando em empate dentro do Z-4 e as diretorias dos dois lados sob avaliação, a crise descrita na coluna não é projeção: está estampada na tabela do Brasileirão neste exato momento.

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