Xavante arrasa o Farroupilha por 4 a 0, sela a liderança do grupo e recupera o fôlego após queda na Série D
Xavante arrasa o Farroupilha por 4 a 0, sela a liderança do grupo e recupera o fôlego após queda na Série D
O Bento Freitas precisava disso. Depois do golpe da eliminação na Série D, o Brasil de Pelotas voltou ao seu estádio na quarta-feira (10) e tratou de lembrar ao futebol gaúcho que o Xavante ainda tem muito a dizer em 2025. Com Morbeck e Masson cada um balançando as redes duas vezes, o time de Laécio Aquino aplicou um categórico 4 a 0 no Farroupilha pela penúltima rodada da Copa FGF — e garantiu, com uma rodada de antecedência, a liderança do Grupo B. Além dos pontos, a vitória trouxe algo que não tem estatística: confiança.
Estreia dos titulares e surpresas na escalação
Pela primeira vez na Copa FGF, o Brasil entrou em campo com força máxima. E logo de cara o técnico Laécio Aquino apresentou algumas novidades forçadas. O volante Thiago Henrique foi improvisado na zaga no lugar de Zamora, Otávio recuou da ala esquerda para completar a linha de três defensores, e o meia Givigi foi escalado ao lado de Morbeck no sistema 3-5-2. Do outro lado, o Farroupilha teve o auxiliar Gregory Macedo no banco — o técnico Bruno Coelho estava suspenso — e o time foi repetido sem alterações.
Ainda nas novidades pré-jogo, a ausência de Iury Tanque não passou despercebida. O atacante havia falado em tom de despedida após a eliminação nacional, e sua rescisão foi confirmada ainda na noite desta quarta, junto com a saída de Robinho.
Dois minutos e o Brasil já mandava no jogo
Não demorou para o Xavante mostrar que a tarde seria sua. Aos dois minutos, após cruzamento pela direita, a zaga do Farroupilha afastou mal e a bola sobrou para Masson dentro da área. O meia não desperdiçou: finalizou cruzado, no canto direito do goleiro Pedro, e abriu o placar.
O domínio do Brasil era absoluto. Aos 15 minutos, Otávio cobrou escanteio na primeira trave, Thiago Henrique desviou e a bola encontrou Morbeck na pequena área. Na hora de completar, o centroavante foi derrubado por Marlon Bica. Pênalti. O próprio Morbeck foi para a cobrança e não perdoou — 2 a 0.
Aos 31, o artilheiro da temporada fechou sua conta no primeiro tempo. Simas cruzou rasteiro pela esquerda e encontrou Morbeck na segunda trave. Sem goleiro para superar, o camisa 9 só empurrou para as redes e fez 3 a 0. O Farroupilha tentava se defender e apostava em contra-ataques, mas as únicas finalizações vieram dos pés de Léo Ferraz — todas de fora da área, sem perigo real.
Um jogador a menos e o Xavante acelerou
O segundo tempo começou mais físico, e logo aos quatro minutos o Farroupilha complicou ainda mais a própria vida: Digão entrou com força em Morbeck na dividida e recebeu cartão vermelho direto. Com um a mais em campo, o Brasil empilhou chances. Simas parou em Pedro, Streit finalizou ao lado, e o goleiro adversário fez pelo menos duas grandes defesas para segurar o 3 a 0 até os 33 minutos.
Foi quando Daniel recebeu passe nas costas da marcação e serviu Lula, que caminhava para o gol mas acabou derrubado dentro da área. Mais um pênalti. Masson assumiu a responsabilidade, deslocou Pedro e cobrou no canto esquerdo para selar a goleada: 4 a 0.
A principal chance do Farroupilha na etapa final veio quando Venício se atrapalhou com a bola dentro da própria área e perdeu a posse. Léo Silveira chegou para finalizar, mas a bola saiu desviada, quase surpreendendo o goleiro Davi. Susto isolado numa tarde inteiramente dominada pelo Xavante.
Aquino: confiança recuperada, mas régua alta para o que vem
Após o apito final, Laécio Aquino foi direto ao ponto. Para o treinador, que está há exatamente duas semanas no clube, a vitória valeu muito além dos três pontos — ela devolveu ao grupo uma sensação que estava faltando.
"Precisávamos voltar a vencer, independente de adversário. Eu acho que isso dá confiança para o grupo. Voltamos a vencer, fizemos os gols que não vínhamos fazendo, apesar de ter perdido alguns também, não tomamos gol, que é muito importante. Agora começa um processo, na verdade já vinha lá de trás, um processo do Laécio Aquino, do que ele pensa de futebol, do que ele gosta, junto com a comissão." — Laécio Aquino, técnico do Brasil de Pelotas
O treinador destacou as jogadas ensaiadas de escanteio e as movimentações ofensivas de Morbeck como exemplos do que quer ver consolidado. Mas fez questão de não deixar o grupo se acomodar com o placar elástico.
"Temos que melhorar muito ainda do que eu penso, do que eu quero. Em termos de volume foi muito bom. É o meu quarto jogo e continuamos tendo volume, criando. Só que temos que melhorar, porque quando afunilar ali na frente, mata-mata, semifinal e final, sabemos que muda muita coisa." — Laécio Aquino
Com a eliminação na Série D, o calendário finalmente dará a Aquino dias seguidos de treino — algo que ele ainda não tinha tido desde que chegou.
"Agora com o tempo começam a fluir algumas coisas que nós vínhamos treinando. Eu não estava tendo esse tempo porque acabava tendo uma competição em cima da outra." — Laécio Aquino
Quando pedido para descrever o time que quer apresentar ao torcedor, o técnico foi objetivo:
"É um time que propõe jogo toda hora. É um time muito competitivo, que compete o tempo todo. Um time equilibrado, que eu acho muito importante. Essa é a cara do Laécio e, aos poucos, nós vamos conseguir implantar isso." — Laécio Aquino
Reformulação no plantel
A derrota na Série D acelerou um processo de reformulação que já estava no horizonte. Com as saídas confirmadas de Robinho e Tanque, o Brasil deve buscar no mercado reforços com perfil mais adequado à Divisão de Acesso — competição mais física e de maior desgaste. Aquino pediu calma na hora de contratar.
"Sobre o processo de mudanças, é necessário. Estamos conversando, mas também somos sabedores de que não é fácil. Provavelmente na parte ofensiva nós vamos atrás. Mas ainda estamos tomando algumas decisões para não errar. A verdade é essa. O erro é iminente quando você vai ao mercado. Independente de dados, números e informações, pode acontecer. Como aconteceu com o Tanque. É um jogador que foi artilheiro este ano, foi artilheiro no ano passado e as coisas aqui não andaram." — Laécio Aquino
Escalações
Brasil de Pelotas: Davi; Yuri, Lula e Thiago Henrique (Daniel, 13'/2ºT); Otávio, Masson (Gelatti, 38'/2ºT), Simas (Venício, 21'/2ºT), Alan e Streit; Givigi (Guty, 21'/2ºT) e Morbeck (Adriano Ferraz, 13'/2ºT). Técnico: Laécio Aquino.
Farroupilha: Pedro; Sorisso (Monteiro, 32'/2ºT), Wendell Amaral, Digão e Eto'o; Marlon Bica e Vicente; Wendell Pelé (Léo Silveira, 37'/1ºT), Christiel (Diego, 32'/2ºT) e Léo Ferraz (Agustin Milar, 32'/2ºT); Negrinho (Felipe, 6'/2ºT). Técnico: Bruno Coelho (suspenso; auxiliar Gregory Macedo).
- Gols: Masson (B), aos 2'/1ºT e 36'/2ºT; Morbeck (B), aos 15' e 31'/1ºT
- Cartão vermelho: Digão (F), aos 4'/2ºT
- Árbitro: Wagner Silveira Echevarria, auxiliado por Luiz Paulo Duarte Rodrigues e Douglas Israel Paulo Vidarte
O que vem pela frente
Com 13 pontos e a liderança do Grupo B garantida, o Brasil terá a vantagem de decidir a vaga na semifinal da Copa FGF em casa, no Bento Freitas, diante de Santa Cruz ou Gramadense. Antes disso, o Xavante encerra a fase de grupos na quarta-feira (17), às 15h, diante do Guarany, no Estrela D'Alva. Na mesma rodada, Farroupilha e Bagé se enfrentam na Boca do Lobo, num confronto direto pela segunda vaga do grupo.