Vasco embarca com força máxima para Curitiba e tenta romper tabu histórico contra o Athletico-PR
Há tabus que resistem ao tempo, às trocas de elenco e até às reformas de estádio. Desde 2007 o Athletico não perde para o Vasco dentro de casa, e desde que a Arena da Baixada foi inaugurada, em 1999, o time carioca simplesmente nunca venceu ali pela Série A. É esse histórico que o Vasco tenta desafiar nesta quarta-feira, às 19h30, quando entra em campo contra o Furacão pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro. A equipe desembarcou em Curitiba na tarde desta terça-feira e o técnico Pedro Emanuel relacionou força máxima, mesmo com a semifinal da Copa do Brasil contra o Palmeiras batendo à porta, no próximo domingo.
Um tabu que já dura quase duas décadas
O retrospecto pesa contra o Vasco. A última vitória cruzmaltina na Arena da Baixada, no tempo normal, aconteceu em agosto de 2007, ainda pela fase preliminar da Copa Sul-Americana: 4 a 2, de virada, com gols de Rubens Júnior, Abuda, Andrade e Conca, contra os tentos de Dinei e Alan Bahia pelo Athletico. Desde então, foram 13 confrontos no estádio, com nove vitórias do Furacão e quatro empates — nenhuma vitória vascaína.
O recorte fica ainda mais difícil quando se olha apenas para o Brasileirão: considerando só a Série A, Athletico e Vasco já se enfrentaram 17 vezes na Arena da Baixada, com 13 triunfos do time paranaense e quatro empates. A última vez que o Vasco venceu como visitante contra o Athletico pela Série A foi em 1998, na Vila Capanema, antes mesmo da Arena existir, por 2 a 1.
Em casa, o Athletico já aplicou goleadas marcantes sobre o rival carioca pelo Brasileirão: 7 a 2 em 2005, 6 a 4 em 2006 e 4 a 1 em 2019. Como visitante, o próprio Vasco sofreu um 5 a 1 em 2013, na Arena Joinville — jogo que terminou com o rebaixamento vascaíno à Série B e ficou marcado por cenas de violência nas arquibancadas. A partida foi disputada fora de Curitiba porque a Arena da Baixada estava em obras para a Copa do Mundo de 2014 e o Athletico cumpria punição do STJD, com perda de mando de campo.
O encontro mais recente entre as equipes no estádio foi em 2024, pelas quartas de final da Copa do Brasil: o Furacão venceu por 2 a 1 no tempo normal, mas o Vasco se classificou nos pênaltis, jogando com um jogador a menos.
Vasco: força máxima, mas com olho no desgaste físico
Pedro Emanuel relacionou o elenco ao máximo da capacidade disponível para o duelo em Curitiba. A principal novidade é o retorno de Andrés Gómez, que havia perdido os últimos dois jogos por dores no pé esquerdo. Já o colombiano Marino Hinestroza, que também sente o pé, foi poupado de propósito, visando o confronto de domingo contra o Palmeiras, na volta da semifinal da Copa do Brasil.
Na rodada passada, contra o Flamengo, o técnico português rodou cinco titulares — decisão que gerou ruído entre a torcida. Agora a tendência é de uma equipe mais próxima do time ideal, embora jogadores no limite físico ainda possam começar no banco de reservas.
O desgaste físico, de fato, é a principal preocupação interna do clube nesta fase da temporada. O jogo contra o Athletico-PR marca o terceiro confronto consecutivo do Vasco em gramado sintético — antes, a equipe já havia atuado no piso artificial do Nubank Parque, contra o Palmeiras, e no Nilton Santos, diante do Flamengo. Depois da Arena da Baixada, o time volta a jogar em grama natural em São Januário, contra o próprio Palmeiras, mas logo em seguida enfrenta a Chapecoense novamente em campo sintético — ou seja, quatro dos próximos cinco compromissos em piso artificial.
Para administrar o cansaço, Pedro Emanuel tem promovido rodízio entre os titulares. Cuiabano começou no banco contra o Palmeiras por desgaste físico, e Marino só entrou no segundo tempo pelo mesmo motivo. Robert Renan foi poupado contra o Flamengo, e outros atletas como Puma Rodríguez, Paulo Henrique, Sosa, Thiago Mendes, Colidio e Bruno Duarte também relataram incômodos físicos recentes.
"Sem dúvida, o gramado ser sintético vai condicionar as escolhas, até porque o desgaste é muito maior. Agora, olhando para aquilo que tem sido o nosso calendário, principalmente no Brasileirão, nós estamos fazendo o que trabalhamos para tentar conquistar. Só uma equipe ambiciosa é que pode olhar para isso com positividade, e estamos olhando com positividade. Com desgaste, sem dúvida, mas acho que é um orgulho enorme." — Pedro Emanuel, técnico do Vasco
Testes táticos no ataque
Durante a semana, Pedro Emanuel experimentou diferentes arranjos ofensivos. Brenner foi testado tanto na vaga de Colidio quanto na de Bruno Duarte, enquanto Adson também passou por testes para ocupar uma dessas posições. A provável escalação do Vasco para o duelo em Curitiba é: Léo Jardim; Paulo Henrique, Gabriel, Robert Renan e Lucas Piton (ou Cuiabano); Sosa (ou Jair), Thiago Mendes e Lescano (ou Ramon Rique); Andrés Gómez, Bruno Duarte e Colidio (ou Brenner).
Situação na tabela
Os times vivem momentos opostos no Brasileirão. O Athletico-PR vem de três jogos sem vencer e acabou de deixar o G4, caindo para a quinta posição, com 54 pontos. Já o Vasco só venceu uma vez nas últimas quatro rodadas e ocupa o 13º lugar, com 38 pontos — apenas dois pontos acima do Corinthians, time que abre a zona de rebaixamento.
Onde e quando
Athletico-PR e Vasco entram em campo nesta quarta-feira, às 19h30 (horário de Brasília), na Arena da Baixada, em Curitiba, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro.