Uefa recua e congela ameaça de boicote a torneios da Fifa após garantias por escrito
Uefa recua e congela ameaça de boicote a torneios da Fifa após garantias por escrito
Entidade europeia afirma ter recebido confirmação de que o projeto Fifa Forward Enterprise foi retirado de forma irrevogável, mas mantém o tema sob revisão constante
Depois de semanas de tensão diplomática dentro dos bastidores do futebol mundial, a Uefa decidiu baixar as armas — ao menos por enquanto. Em reunião realizada nesta quinta-feira em Mônaco, à margem dos sorteios das competições europeias de clubes, a confederação que comanda o futebol do Velho Continente suspendeu provisoriamente a ameaça de boicotar torneios organizados pela Fifa, um imbróglio que colocava em risco desde Mundiais de base até a própria Copa do Mundo Feminina de 2027.
Uma retratação em papel timbrado
O estopim do desentendimento havia sido o projeto batizado de Fifa Forward Enterprise, uma iniciativa que previa a venda de participações em competições organizadas pela entidade máxima do futebol — movimento interpretado pelas federações europeias como uma ameaça direta à governança tradicional do esporte. Agora, segundo comunicado oficial da Uefa, a Fifa confirmou por escrito que o projeto foi “retirado de maneira irrevogável e definitiva” e que não deverá “voltar a surgir sob nenhuma outra forma, estrutura, denominação ou aparência”.
Com a garantia formalizada, as seleções filiadas à Uefa poderão voltar a disputar normalmente os próximos compromissos do calendário internacional, encerrando — por ora — um clima de desconfiança que ameaçava esvaziar torneios de relevância para o desenvolvimento do futebol de base e feminino ao redor do mundo.
Trégua, não paz definitiva
Apesar do recuo momentâneo, a confederação europeia fez questão de reafirmar que não abandonará a disputa institucional. Em nota, garantiu que continuará buscando “todas as alternativas institucionais, políticas e legais” para pressionar por uma reestruturação profunda na cúpula da Fifa, com o objetivo declarado de restaurar limites mais claros à autoridade presidencial e devolver à entidade um caráter coletivo de governança.
A Fifa seja governada novamente como instituição, não em favor de um único indivíduo.
Trecho do comunicado oficial da Uefa
A frase, direta e sem meias-palavras, deixa evidente que o alvo do desconforto europeu segue sendo a centralização de poder em torno da figura do presidente da Fifa, Gianni Infantino, cujo mandato tem sido alvo de críticas crescentes de federações continentais e confederações regionais.
O calendário que estava em jogo
A tensão não era apenas política — ela ameaçava competições concretas. Ainda neste ano, o calendário da Fifa prevê a realização dos Mundiais Feminino Sub-20 e Sub-17, além do Mundial Masculino Sub-17, torneios que dependem da participação plena das seleções europeias para manter seu nível competitivo e sua relevância global.
Mais sensível ainda era o risco pairando sobre a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada já sob uma nova gestão presidencial da Fifa, eleita após o fim do atual ciclo de Infantino. Antes disso, porém, está marcado para dezembro deste ano o sorteio de grupos do torneio — evento que corria o perigo real de acontecer sem a presença das delegações europeias, um cenário que fragilizaria a credibilidade da própria competição.
Por ora, a bandeira branca foi erguida em Mônaco. Mas o recado da Uefa é claro: a trégua tem prazo de validade atrelado à palavra dada, e qualquer sinal de que o projeto engavetado volte a rondar os corredores de Zurique pode reacender, da noite para o dia, um dos episódios mais tensos de bastidor do futebol mundial nos últimos anos.