Tricolor na Semifinal: Grêmio domina o Gre-Nal 454 e vence o Inter por 3 a 1 diante da Arena lotada
Tricolor na Semifinal: Grêmio domina o Gre-Nal 454 e vence o Inter por 3 a 1 diante da Arena lotada
Carlos Vinícius acabou com a seca e marcou dois gols; Krovinovic balançou as redes pela primeira vez pelo Tricolor. Com recorde histórico de público, o Colorado segue afundado em crise
A história não pediu licença. Ela simplesmente entrou pela Arena afora, embalada pelos 55.695 torcedores que vibraram em uníssono e transformaram a noite de quinta-feira em algo difícil de traduzir em palavras. O Gre-Nal 454 tinha tudo para ser mais uma batalha de Copa do Brasil — e foi. Mas foi também o capítulo da revanche gremista, 34 anos depois de uma eliminação que ficou marcada a ferro na memória da torcida Tricolor. Com gols de Carlos Vinícius (duas vezes) e Krovinovic, o Grêmio venceu o Internacional por 3 a 1 e garantiu vaga nas semifinais.
Para o técnico Luís Castro, que completou 65 anos justamente nesta quinta, o presente veio embrulhado em azul e branco: sua segunda vitória em clássicos no comando do Tricolor, a classificação para a semifinal e mais R$ 9 milhões depositados nos cofres do clube. Para o Inter de Pezzolano, a noite representou mais um degrau descido numa temporada que se deteriora com velocidade alarmante — eliminado pelo rival, o Colorado passa a ter como missão única e urgente escapar do rebaixamento no Brasileirão.
Primeiro tempo: Carlos Vinícius acorda e o Grêmio domina
Luís Castro manteve a base. Diego Caito no sacrifício como lateral, Wallace e Kannemann na zaga, Marlon na esquerda. Noriega, Villasanti e Krovinovic no meio. Pavon e Amuzu — novidade no lugar de Jovane Cabral — abrindo pelas pontas para Carlos Vinícius. Uma equipe conhecida, com a missão de não complicar o que o empate no Beira-Rio já havia encaminhado.
Pezzolano, por outro lado, surpreendeu. Escalou Tonny Sanabria como centroavante titular pela primeira vez, Thiago Maia como um dos volantes ao lado de Villagra, e aposta em Bernabei e Alan Patrick para dar qualidade ao meio. Quem esperava um jogo fechado se enganou — o Gre-Nal começou com ritmo.
O primeiro gol teve a marca da sorte — e da oportunidade. Aos 13 minutos, Pavon cobrou escanteio na área. Wallace disputou pelo alto, a bola desviou em Bruno Henrique e sobrou perfeita para o pé esquerdo de Carlos Vinícius. Sem chances para Matheus Cunha: 1 a 0. O centroavante encerrou um jejum de oito jogos sem marcar da forma mais providencial possível.
O Inter não se entregou. Chegou com Alan Patrick e Bruno Henrique sem sucesso nas finalizações. Mas a ambição colorada abriu espaços. Aos 21 minutos, o Grêmio construiu do fundo com qualidade: Marlon encontrou Amuzu pelo lado esquerdo, o belga serviu Carlos Vinícius na segunda trave com Matheus Cunha perdido no caminho. Fácil para o centroavante ampliar. 2 a 0, Arena em erupção.
A melhor chance do Inter no primeiro tempo veio aos 23 minutos: Bernabei invadiu pela esquerda, bateu cruzado e Weverton espalmou com segurança. Na sequência, Krovinovic e Pavon tentaram o terceiro em tabela, mas o chute do croata passou ao lado da rede. Os cartões amarelos resfriaram a temperatura no final do primeiro tempo, e o intervalo chegou com o Tricolor em amplo controle: 2 a 0.
Segundo tempo: Krovinovic lacra a classificação; Vitinho desconta tarde
Sem mudanças no intervalo, os dois treinadores aguardaram o recomeço para agir. Pezzolano não resistiu: aos 13 minutos, sacou Bruno Henrique e Matheus Bahia e lançou Vitinho e Carbonero para buscar o improvável. Luís Castro respondeu em seguida, retirando Kannemann — já pendurado — e o desgastado Pavon, com Gustavo Martins e Tetê assumindo suas vagas.
As mexidas surtiram efeitos opostos. O Grêmio ficou mais organizado. O Inter, mais exposto. A sentença chegou aos 22 minutos do segundo tempo, num lance de elegância técnica: Amuzu tabelou com Tetê, recebeu o passe na área e encontrou Krovinovic completamente livre. O croata dominou com calma, encarou Matheus Cunha e bateu no canto. Primeiro gol do meia pelo Grêmio. 3 a 0. Classificação sacramentada.
O terceiro gol tirou o presidente Alessandro Barcellos dos camarotes. O dirigente desceu à zona mista e entrou no vestiário dos visitantes — enquanto a Arena ainda vibrava. Não viu os chutes de Carbonero que exigiram boas defesas de Weverton, nem o disparo de Alan Patrick espalmado pelo goleiro gremista. Mas o camisa 10 colorado ao menos participou do gol de honra: deu passe por cobertura para Vitinho cabecear sem defesa aos 33 minutos. Era tarde demais para qualquer milagre.
Pezzolano ainda lançou Paulinho e Alerrandro em tentativas desesperadas. Luís Castro respondeu com Nardoni e Enamorado para fechar os espaços — e Danilo Barbosa no lugar de Villasanti nos minutos finais. O apito final de Bruno Arleu de Araújo soou como sentença dupla: vitória gremista e mais uma noite amarga para o torcedor colorado.
Depois do apito final, os alto-falantes da Arena tocaram uma valsa — alusão direta aos 15 anos do Inter sem títulos além do Gauchão. Jogadores e torcida Tricolor festejaram juntos no gramado. Do lado colorado, silêncio e mais preocupação.
Destaques da noite
Carlos Vinícius foi o homem da partida. Encerrou jejum de oito jogos sem gol com uma bicicleta de oportunismo no primeiro e uma finalização precisa no segundo — ambos nascidos de jogadas coletivas de alto nível. Noite para entrar na memória da Arena.
Krovinovic completou sua melhor exibição com a camisa gremista marcando o primeiro gol pelo clube — um golaço de frieza e técnica que selou a classificação. Ao longo da partida, foi peça central na construção pelo meio, conectando Pavon e Amuzu com precisão.
Weverton foi seguro e decisivo quando precisou. As defesas em Bernabei e Alan Patrick no segundo tempo garantiram que o placar não se tornasse mais dramático do que o necessário para o Tricolor.
Amuzu foi peça-chave na construção dos dois últimos gols gremistas. Velocidade e qualidade de passe que criaram os espaços que o time soube aproveitar com eficiência.
⚽ Ficha Técnica
Técnico: Luís Castro
Técnico: Paulo Pezzolano
O Grêmio segue em dois fronts: pela Copa do Brasil, espera o Atlético-MG nas semifinais — com ida e volta em novembro —, enquanto no Brasileirão visita o Vitória em Salvador já na segunda-feira. Para o Internacional, o próximo passo é encarar o Santos no domingo, no Beira-Rio, numa batalha que tem uma só urgência: afastar o fantasma do rebaixamento para a Série B.