Sem Alan Patrick, Inter decide substituto e faz as contas contra o Mirassol na luta contra o Z-4
Falta uma peça no tabuleiro colorado, e é justamente a mais importante. O Inter chega para o jogo contra o Mirassol, na sexta-feira (16), às 20h, no Estádio Maião, sem o camisa 10 e capitão Alan Patrick, e Eduardo Baptista tem até o treino desta quinta-feira (15) para decidir quem assume a função de organizar o time em um duelo que vale a permanência na Série A para os dois lados.
Um confronto direto pela sobrevivência
O jogo tem contornos de decisão. Na ida, disputada no Beira-Rio, o Mirassol levou a melhor. Agora, jogando em casa e embalado pelo apoio da torcida, o time paulista tenta dar um passo decisivo rumo à permanência na elite. Os números do confronto são claros: uma vitória do Mirassol abre quatro pontos de vantagem sobre o Inter na briga contra o rebaixamento. Um empate mantém o time da casa fora do Z-4 e deixa o Colorado dentro dele. Já uma derrota em casa pode jogar o próprio Mirassol na zona de queda.
O que está em jogo na sexta-feira
- Mirassol vence: abre quatro pontos sobre o Inter, concorrente direto na tabela.
- Empate: Mirassol segue fora do Z-4, Inter permanece dentro da zona de rebaixamento.
- Inter vence: pode colocar o próprio Mirassol na zona de rebaixamento.
A ausência que pesa no Inter
Apesar da evolução de desempenho nos dois jogos disputados após a Data Fifa, o time colorado segue com problemas de bola parada, bola aérea e eficiência na frente do gol. A isso se soma agora o maior desafio de Eduardo Baptista: substituir o jogador de mais qualidade do elenco. Contra o Corinthians, Alan Patrick marcou o segundo gol, deu a assistência do primeiro e cadenciou o jogo quando precisou. Já no Gre-Nal, encontrou espaços nas entrelinhas e foi um escape importante no primeiro tempo — a diferença no segundo tempo, já sem ele em campo, ficou evidente, com o time perdendo o controle da partida.
Um dado tranquiliza um pouco o torcedor: o Inter tem 80% de aproveitamento nos jogos em que Alan Patrick começou no banco de reservas. Ainda assim, sob o comando do novo técnico, o meia havia retomado o futebol de antes, o que torna sua ausência ainda mais sensível neste momento.
Os quatro nomes na disputa pela vaga
Bruno Henrique é hoje o jogador mais inteligente do elenco, com passes bem direcionados e liderança — é um dos capitães do grupo e ainda sabe arriscar de fora da área. O problema é a idade: ele completa 37 anos daqui a uma semana e não aguenta mais do que uma hora de intensidade, além de render um pouco menos de criatividade justamente na função que era de Alan Patrick.
Carbonero é o jogador que mais dribla e também o que mais prende a bola, encontrando espaços em defesas fechadas com velocidade e repertório. É um dos goleadores da temporada e, por ser disperso, não sente tanta pressão em jogos grandes. Em compensação, seu individualismo extremo muitas vezes atrasa ou inviabiliza a construção ofensiva, e ele tem enormes dificuldades de recomposição defensiva.
Calebe é o único meia de ofício do grupo, criado na posição, com visão de jogo e boa batida de bola — pode ser útil até em faltas e escanteios. O obstáculo é a falta de ritmo: está há mais de um mês parado, por causa de uma entorse no tornozelo, e sua última atuação, no Gre-Nal, jogando como ala pela direita, não deixou boa impressão.
Vitinho já foi usado na direita em outras ocasiões sem Alan Patrick e se mostrou um bom complemento, compensando a falta de criatividade com força e verticalidade — também é um dos artilheiros da equipe na temporada, embora costume contribuir menos ofensivamente quando recua. Vive, porém, má fase, errando lances simples e demonstrando fragilidade defensiva: é engessado, gruda no lado esquerdo e raramente sai da posição, funcionando mais como escape do que como criador de jogadas.
A coluna de Nani Chemello, da GZH, resume o dilema e aponta outro caminho possível, com Bernabei entrando para reforçar o setor esquerdo:
Minha escolha seria Bernabei para proteger o lado esquerdo com Matheus Bahia, mas sei que essa opção exige uma pequena mudança na maneira de atuar.
Torço para que Eduardo Baptista tome a melhor decisão possível e eu não sinta falta do camisa 10.
A matemática da fuga
A urgência no Beira-Rio já virou conta de matemática. Segundo a coluna Guerrinha, da GZH, o Inter não pode mais desperdiçar pontos nos quatro jogos que ainda terá em casa na reta final, e precisa somar pelo menos dois ou três pontos extras como visitante para se livrar de vez do risco de rebaixamento.
Se atingir o objetivo, o que não é uma tarefa fácil, o Colorado salva a pele do rebaixamento, salva um ano cheio de equívocos e deixa o seu torcedor dormir sem o uso de calmantes.
O adversário: de exemplo de gestão à beira do Z-4
Do outro lado do gramado, o Mirassol vive um paradoxo. Na elite do Brasileirão, só Abel Ferreira, no Palmeiras, e Rogério Ceni, no Bahia, estão há mais tempo em seus clubes do que o técnico Rafael Guanaes — são 18 meses à frente da equipe, um dos motivos do sucesso recente. Ainda assim, depois da ascensão de 2025, quando terminou em quarto lugar no Brasileirão e carimbou vaga na Libertadores, o clube paulista hoje briga para não cair para a Série B.
Gustavo Villa, narrador da TS Rádio Mirassol, explica que a queda de rendimento dentro de campo não reflete o que acontece fora dele:
A queda de rendimento esportivo não significa necessariamente uma deterioração do projeto do clube.
Fora das quatro linhas, a história é de organização: sem recorrer a SAF ou dívidas, o Mirassol saiu da Série D em 2020 para o acesso à elite em 2024, inaugurou um novo centro de treinamentos em 2025 e chegou às quartas de final da Libertadores 2026, caindo nos pênaltis para a LDU. Dentro de campo, porém, 2026 foi o primeiro ano com quatro competições simultâneas — Paulistão, Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores — um desafio inédito para o elenco e para Guanaes.
O ano de 2025 foi excepcional, com um encaixe coletivo muito bom e vários jogadores rendendo em alto nível. Aquela campanha elevou bastante a expectativa, mas repetir o quarto lugar já seria um desafio enorme.
A boa campanha de 2025 também elevou o preço dos jogadores que a construíram. Peças como Jemmes, Danielzinho e Gabriel foram negociadas, e as reposições não sustentaram o nível do time anterior.
As reposições não conseguiram reproduzir com a mesma regularidade o funcionamento daquela equipe. Lesões também prejudicaram a continuidade do trabalho. Além disso, o elenco passou por novas mudanças durante a temporada.
Arcílio Neto, coordenador regional do ge.globo no interior de São Paulo, reforça que o calendário apertado obrigou Guanaes a rodar o elenco com frequência, inclusive escalando reservas em partidas decisivas da Libertadores:
Foi preciso rodar o elenco. O Guanaes chegou a mandar um time reserva nas oitavas e na fase final da Libertadores pra tentar equacionar o calendário.
Depois de eliminado da Libertadores, o Mirassol concentrou forças no Brasileirão e, nos últimos oito jogos, somou duas vitórias, quatro empates e duas derrotas — a mais recente, de virada, fora de casa, contra o Bahia, com direito a pênalti perdido por Reinaldo no último lance da partida. Antes disso, porém, eram quatro jogos sem perder.
Com mais tempo pra treinar algumas contratações, o Mirassol está melhor hoje do que estava no primeiro turno.
O time não tem jogado mal. Foi mal nos primeiros tempos contra Bragantino e Bahia, mas melhorou depois.
Onde e quando assistir
Mirassol e Inter se enfrentam na sexta-feira (16), às 20h, no Estádio Maião, em Mirassol (SP). O clube paulista promoveu ingressos a R$ 20 para a torcida local, em uma casa com capacidade para 15 mil pessoas — há chance real de a partida superar o recorde de público do estádio, hoje em 11.967 torcedores.
Enquanto o torcedor colorado aguarda a escalação que sai do treino desta quinta-feira, o jogo no interior paulista carrega o peso de decidir, na prática, quem respira mais tranquilo na tabela do Brasileirão. Para o Inter, é a chance de dar o primeiro passo rumo aos pontos que faltam para fechar as contas da permanência. Para o Mirassol, é a oportunidade de provar que a queda de rendimento em campo não vai apagar o trabalho construído fora dele.