Renato Portaluppi vive a pior arrancada de todas as suas passagens pelo Grêmio
Tem um jeito de contar o tempo no Grêmio que não precisa de calendário: basta contar quantas vezes Renato Portaluppi já desceu as escadas do CT Luiz Carvalho de mala na mão. Esta é a quinta. E, pela primeira vez em todas elas, o técnico mais ganhador da história do clube não conseguiu vencer um jogo nos primeiros três compromissos. Três empates, três pontos, nenhuma vitória — enquanto o Tricolor segue afundado na 18ª posição do Brasileirão, com 31 pontos, tentando escapar de um rebaixamento que voltou a rondar a Arena.
A missão não é nova para Renato. Ele já foi chamado para apagar incêndios parecidos antes, sempre com a mesma fama de bombeiro querido pela torcida. Mas os números do início desta passagem, comparados lado a lado com as quatro anteriores, mostram algo inédito: nunca, em nenhuma delas, o aproveitamento inicial foi tão baixo.
Quatro chegadas, quatro histórias diferentes
A primeira vez que Renato assumiu o Grêmio foi em maio de 2010, no lugar de Silas, com o time também flertando com o rebaixamento. Nos três primeiros jogos daquela arrancada, o resultado foi parecido com o atual em pontos — três –, mas com uma distribuição distinta: uma vitória e duas derrotas. Deu certo lá na frente: o Grêmio escapou do Z-4 e terminou aquele ano garantindo vaga na Libertadores de 2011.
Em 2013, na segunda passagem, o início foi mais consistente. Em três jogos do Brasileirão, Renato somou quatro pontos dos nove possíveis naquele recorte — um retrospecto superior ao de 2010 e também ao atual.
As passagens de 2016 e 2022 foram, de longe, as melhores arrancadas iniciais do técnico à frente do Tricolor. Em ambas, o roteiro se repetiu: duas vitórias e uma derrota nos três primeiros confrontos, totalizando seis pontos. Em 2016, Renato chegou em meio às oitavas de final da Copa do Brasil. Em 2022, assumiu o clube na Série B, rumo ao acesso que recolocou o Grêmio na elite.
3 jogos
1 vitória, 2 derrotas
3 pontos
3 jogos
4 pontos conquistados
dos 9 em disputa
3 jogos
2 vitórias, 1 derrota
6 pontos
3 jogos
2 vitórias, 1 derrota
6 pontos
3 jogos
3 empates, 0 vitórias
3 pontos
O que os números escondem — e o que revelam
Olhando só para a pontuação, 2010 e 2026 empatam: três pontos em três jogos. Mas há uma diferença que pesa mais do que a aritmética. Naquele ano, mesmo com duas derrotas, Renato já tinha vencido uma vez — havia mostrado uma reação. Hoje, três rodadas depois do retorno, o Grêmio ainda não sabe o que é sair de campo com os três pontos sob o comando do técnico. É a primeira arrancada de toda a carreira dele no clube sem vitória nos primeiros três jogos.
Um retorno sob outro tipo de pressão
O contexto também ajuda a explicar por que esta arrancada pesa diferente. Em 2010 e 2022, Renato chegou para tirar o Grêmio de crises que já estavam em andamento, com margem para reconstruir aos poucos — em 2022, inclusive, numa competição de calendário mais longo, a Série B. Em 2016, assumiu em meio a uma disputa de mata-mata, com foco dividido entre Brasileirão e Copa do Brasil. Já em 2026, o recorte é cruel: apenas o Brasileirão, apenas a tabela, e o Grêmio colado na zona de rebaixamento, correndo contra o tempo.
O próximo capítulo começa domingo
Se a história das quatro passagens anteriores ensina alguma coisa, é que início ruim não significa necessariamente final ruim — em 2010, por exemplo, o Grêmio terminou garantindo vaga internacional depois de um começo parecido com o atual. Mas a comparação também serve de alerta: nunca a missão foi tão urgente, e nunca o repertório de resultados foi tão pobre num primeiro recorte de três jogos.
O próximo teste chega já no fim de semana. O Grêmio recebe o Cruzeiro, domingo, às 16h, na Arena — um jogo que pode ser o primeiro passo para romper a sequência de empates ou aprofundar a pior arrancada inicial da era Renato Portaluppi no clube.
Com o Tricolor na 18ª posição e a tabela cada vez mais apertada na luta contra o rebaixamento, cada rodada agora pesa como decisão. O duelo com o Cruzeiro, domingo, na Arena, vai dizer se esta quinta passagem de Renato segue como a exceção estatística que incomoda — ou se começa, ali, a repetir o roteiro de reação que já deu certo antes.