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Renato explica cartões forçados de Weverton e Carlos Vinícius, exalta próprio trabalho e já projeta Kannemann e Jovane Cabral contra o Atlético-MG

Por: Redação FutebolRS 30/10/2026 Notícias
Técnico confirma que pediu à dupla para levar o terceiro amarelo contra o Athletico-PR pensando no desgaste da reta final de temporada, comemora a saída do Z-4 e recebe de volta aos treinos os dois reforços para a semifinal da Copa do Brasil.
Grêmio

Porto Alegre · 30 de outubro de 2026 · Redação

Tem decisão de técnico que se explica no quadro tático, e tem decisão que se explica na calculadora. Na Arena, depois do 2 a 0 sobre o Athletico-PR, Renato Portaluppi fez as duas coisas ao mesmo tempo: separou tempo para justificar por que mandou Weverton e Carlos Vinícius procurarem o terceiro cartão amarelo de propósito, e aproveitou o microfone para bater no peito pelo trabalho que vem fazendo desde que assumiu o Grêmio em meio à crise. O resultado da noite de quinta-feira (29) tirou o time da zona de rebaixamento e abriu caminho para uma sequência decisiva: domingo (1º), às 18h30, o Tricolor recebe o Atlético-MG na Arena, pelo jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil.

A estratégia por trás dos cartões

Weverton e Carlos Vinícius foram os jogadores com mais minutos do Grêmio no Brasileirão nesta temporada. Com o calendário apertando — duas partidas da Copa do Brasil contra o Atlético-MG nos próximos dois fins de semana e a viagem ao Rio para enfrentar o Flamengo na quarta-feira (4), às 19h30, pela 34ª rodada —, Renato decidiu usar o terceiro amarelo como ferramenta de gestão física. A dupla não pode mais ser punida por cartão nesta sequência e, assim, cumprirá suspensão automática justamente na partida contra o time carioca, descansando para o duelo seguinte.

"Principalmente em se tratando de final de ano, o desgaste é muito grande, viagens. A gente tem perdido os jogadores, que é uma coisa normal, não só o Grêmio, outros clubes também. Hoje mesmo eu pedi para o Vinícius e o próprio Weverton tomarem o terceiro cartão amarelo. Não desprezando qualquer adversário, bem pelo contrário", afirmou Renato.

O treinador reforçou que a decisão não partiu de capricho, mas de um cenário de desfalques que já preocupa a comissão técnica. Para o jogo contra o Athletico-PR, o Grêmio já não contou com seis jogadores por lesão muscular: Pavón, Kannemann, Jovane Cabral, Nardoni, Danilo Barbosa e Diego Caito.

"Daqui a pouco, se perdermos mais dois, três jogadores por lesão, a coisa vai ficar feia. Já temos vários jogadores no departamento médico, uma coisa normal no futebol, até pela entrega e sequência de jogos e viagens. Sempre quando tomamos uma decisão, a gente troca ideias. É lógico que a decisão é minha, mas sempre procuro tomá-la em favor do clube", esclareceu o técnico.

Renato já avisa que o rodízio deve continuar nas próximas semanas, inclusive com mudanças de sistema tático dependendo do adversário e do estado físico do grupo.

"O torcedor tem que entender desde já que, daqui a pouco, pode ter uma equipe no domingo e uma diferente no jogo do Flamengo, ou vice-versa. Justamente por causa das lesões, tem jogadores bastante desgastados. Copa do Brasil, Brasileiro, tem que classificar, não pode cair para a segunda. É muita coisa. Mas faz parte", garantiu.

Como foi o triunfo sobre o Athletico-PR

Em campo, Renato manteve a formação com três zagueiros e colocou Enamorado na vaga de Pavón, lesionado. O Furacão apostou em bolas longas para Viveros e criou a primeira chance clara na jogada de Carlos Vinícius com Amuzu, que parou nas mãos do goleiro Mycael. A etapa inicial foi truncada, com faltas e paradas para atendimento médico, até Marlon abrir o placar direto, de bola parada.

No intervalo, o técnico do Athletico-PR, Odair Hellmann, promoveu duas trocas para tentar equilibrar o jogo, mas foi o Grêmio quem ampliou: em cobrança de escanteio, Balbuena marcou o segundo gol. Pouco depois, Enamorado desperdiçou a chance de fazer o terceiro, cara a cara com o goleiro. No restante da partida, o Tricolor administrou o resultado, com Noriega sendo um dos destaques da defesa gremista.

Com o 2 a 0, o Grêmio chegou aos 37 pontos e conquistou, pela primeira vez na temporada, duas vitórias consecutivas no Brasileirão — resultado que tirou a equipe do Z-4.

Renato exalta o próprio trabalho

Depois de meses sob pressão desde que reassumiu o comando em meio à crise, Renato não poupou elogios a si mesmo na entrevista coletiva. O técnico lembrou que encontrou um grupo abatido, sem tempo de pré-temporada para implementar ideias, e disse que a reação dentro de campo é reflexo do trabalho interno feito com os jogadores.

"Confio demais no meu trabalho e nas pessoas que trabalham comigo. Os números não mentem. Ninguém queria pegar o Grêmio nessa situação e, em pouco tempo, olha o que aconteceu. Será que foi por acaso? Não sei. Acho que respondi à sua pergunta, mas eu sou muito bom", declarou o treinador.

Para explicar o tamanho do desafio que encontrou ao assumir a equipe, Renato usou uma metáfora direta sobre a falta de tempo para trabalhar.

"Não estava trocando um pneu com o carro andando, estava trocando os quatro", afirmou.

O treinador também falou sobre o trabalho psicológico feito com o elenco, que segundo ele estava sem confiança quando chegou.

"Eles me agradeceram muito por ter vindo, porque sabiam que eu ia dar a cara para bater por eles. Tive que, acima de tudo, trabalhar muito a cabeça deles, porque psicologicamente estavam no fundo do poço. Confiança? Zero", relatou Renato.

O lateral Marlon, autor do primeiro gol contra o Athletico-PR, resumiu o momento do grupo de forma mais direta.

"A gente se colocou nessa situação. E nós que precisamos tirar. Não temos margem para jogar bonito", disse o jogador.

Kannemann e Jovane Cabral voltam aos treinos

Enquanto administra o desgaste do time titular, Renato ganhou dois reforços importantes para a decisão contra o Atlético-MG. No primeiro treino da semana para a Copa do Brasil, Kannemann e Jovane Cabral participaram da atividade com bola normalmente e já podem ser relacionados para o jogo de domingo.

O zagueiro argentino, que vinha sendo preservado por dores musculares, está à disposição depois de ficar fora de duas partidas e deve brigar com Balbuena por uma vaga no sistema de três zagueiros — esquema que Renato pretende manter. Já Jovane Cabral não atua pelo Tricolor há 40 dias, período em que ficou de fora por conta de data Fifa e de uma lesão muscular de grau 2; caso tenha boa resposta física, o caboverdiano se torna opção no banco de reservas para o ataque.

Os jogadores que foram titulares contra o Athletico-PR fizeram trabalho regenerativo nesta sexta-feira (30). Renato só deve definir a escalação na véspera da partida, após observar a recuperação física do grupo no último treino antes da decisão, programado para a manhã deste sábado (31).

Desfalques por lesão muscular confirmados na semana: Pavón, Nardoni, Danilo Barbosa e Diego Caito seguem fora. Kannemann e Jovane Cabral retomaram os treinos normalmente.

O Grêmio chega à Copa do Brasil embalado por duas vitórias seguidas no Brasileirão e com a sensação de ter recuperado a conexão com a torcida nos últimos jogos em casa. Mas a agenda não dá trégua: depois do confronto de domingo contra o Atlético-MG pela ida da semifinal, o time ainda enfrenta o Flamengo na quarta-feira, no Maracanã, antes de voltar o foco para o jogo de volta da semifinal continental e para as cinco rodadas finais do Brasileirão — três delas fora de casa. Para Renato, a tarefa agora é dosar entrega física e ambição ao mesmo tempo: "Uma coisa leva a outra", resumiu o técnico, que quer o Grêmio brigando em duas frentes até o fim do ano.

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