Renato encontra o esquema ideal: Grêmio não perde e não sofre gols com três zagueiros
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Tem um barulho diferente saindo do CT Luiz Carvalho nos últimos dias. Não é só o som de bola sendo batida — é o som de um treinador que, depois de apanhar um pouco no início da quinta passagem, parece ter encontrado o desenho que faltava. Renato Portaluppi testou, trocou, apostou e voltou atrás algumas vezes desde que retornou ao comando do Grêmio, em 20 de setembro. Mas os últimos jogos indicam que a resposta estava num detalhe simples: colocar um zagueiro a mais em campo.
Com a linha de três defensores, o Tricolor não perdeu e não sofreu gols. É esse o retrato da pequena mas significativa sequência que ajudou o time a sair da zona de rebaixamento e a quebrar o tabu de não vencer fora de casa na era Renato 5.0.
Os números da passagem até aqui
Em seis partidas à frente do grupo nesta volta, Renato soma duas vitórias, três empates e uma derrota, com sete gols marcados e seis sofridos. Um saldo positivo, mas construído de forma desigual — e é justamente essa diferença que aponta o caminho.
Sem vitórias no sistema com um tripé ou meia armador
Contra Remo, Inter e Cruzeiro, com a linha de dois defensores — a formação de preferência original do treinador —, o Grêmio não venceu nenhum dos três jogos.
Invicto e sem sofrer gols
Diante de Palmeiras, Coritiba e Athletico-PR, com três defensores, o time apresentou estabilidade: nenhuma derrota e nenhum gol sofrido nessas partidas.
Por que o esquema funciona
A explicação passa por uma peça que falta no elenco: o Grêmio não tem hoje um meia armador do perfil que Renato gostaria de usar atrás dos atacantes. Sem essa referência, a linha de três zagueiros virou uma forma de dar mais equilíbrio ao time sem depender dessa função específica.
Na prática, o desenho funciona assim: Gustavo Martins e Wallace ocupam os lados da defesa, com um zagueiro experiente centralizado entre eles. Balbuena ganhou a posição nas últimas rodadas e deve ser mantido mesmo com o retorno de Kannemann à disposição — sinal de que o técnico está priorizando a função que vem dando certo, não necessariamente o nome mais conhecido.
Na frente da defesa, Renato aposta numa dupla de volantes para dar cobertura, com alas que avançam pelos corredores e um trio ofensivo que também ajuda na marcação. Sem meias criativos no meio-campo, a receita é coletiva: todo mundo defende, todo mundo ataca.
Mantido para a Copa do Brasil
A tendência é que o esquema com três zagueiros — o 3-4-3 — seja repetido hoje, diante do Atlético-MG, pela Copa do Brasil, às 18h30min, na Arena. A ideia é usar a base que vem funcionando também fora do Brasileirão, num mata-mata em que qualquer deslize elimina o time da competição.
O que vem pela frente
Para o restante do Campeonato Brasileiro, a formação poderá sofrer ajustes pontuais, conforme as características de cada adversário ou eventuais desfalques a cada rodada. Mas a base com três defensores tende a ser o ponto de partida de Renato na briga por dois objetivos simultâneos: a permanência do Grêmio na Série A e a disputa pelo título da Copa do Brasil.
O jogo desta noite contra o Atlético-MG, às 18h30min na Arena, pela Copa do Brasil, é o primeiro teste do esquema fixo fora do Brasileirão. Se a defesa seguir irretocável, Renato ganha ainda mais confiança para repetir a fórmula nas rodadas decisivas que o Grêmio ainda tem pela frente na tabela.