Rebaixômetro aperta o cerco: Grêmio e Inter na zona de risco, enquanto Renato aposta no churrasco para unir o elenco
Faltam oito rodadas e o relógio do Brasileirão corre contra dois gigantes do Sul. Grêmio e Inter aparecem lado a lado na parte baixa da tabela, separados por um único ponto e por uma mesma angústia: a de ver o nome na zona que ninguém quer visitar. É nesse cenário de cálculo apertado, de vitória que vale dobro e empate que pesa como derrota, que os dois clubes gaúchos buscam reagir — cada um à sua maneira. Enquanto o Inter colhe os primeiros sinais de reação sob o comando de Eduardo Baptista, o Grêmio tenta, pelas mãos de Renato Portaluppi, reconstruir o ambiente interno antes de qualquer coisa.
Oito rodadas, uma zona só
O retrato atual do Rebaixômetro é claro: o Inter ocupa a 17ª posição, com 32 pontos, logo na entrada do Z-4. Um degrau abaixo, o Grêmio é o 18º colocado, com 31 pontos. A diferença de uma posição para a segunda divisão é de apenas um ponto — o tipo de margem que não permite deslizes.
Internacional
32 pontos · 13º no returno. Reage com Eduardo Baptista: vitória sobre o Corinthians e empate no Gre-Nal nos dois primeiros jogos do técnico.
Grêmio
31 pontos · 16º no returno. Mesmo com a volta de Renato Portaluppi, o time ainda não engatou uma sequência de vitórias.
A situação do Inter
Depois de uma sequência considerada "extremamente delicada" sob o comando de Paulo Pezzolano, o Inter tenta virar a página com Eduardo Baptista no banco. Em apenas duas partidas, o novo técnico já entregou uma vitória — sobre o Corinthians — e um empate no Gre-Nal, resultados que, naquele contexto de aflição, funcionam como sinal de vida. Agora, o calendário coloca o Colorado de frente com diversos concorrentes diretos na luta contra o descenso, o que torna a sequência decisiva.
Os próximos compromissos do Inter são: Mirassol (fora), Botafogo, Fluminense (fora), Coritiba, Vasco (fora), Vitória, Bragantino e Cruzeiro (fora) — justamente o adversário que também está na agenda do Grêmio neste fim de semana.
A situação do Grêmio
Do outro lado da fronteira entre a permanência e o risco, o Grêmio folga o Z-4 pela pior posição possível: a última antes da Série B. A volta de Renato Portaluppi, pela quinta vez à beira do campo tricolor, ainda não produziu a retomada de resultados que o torcedor esperava. O time segue preso entre os quatro últimos colocados, com uma sequência de jogos que mistura rivais diretos e equipes da parte de cima da tabela — o tipo de calendário que assusta qualquer torcida em situação de risco.
Os próximos adversários do Grêmio são: Cruzeiro, Coritiba (fora), Athletico, Flamengo (fora), Bahia, Santos (fora), Corinthians (fora) e Mirassol.
A cartilha de Renato
Diante do momento delicado, Renato aposta em uma receita que já aplicou em outras passagens pelo clube: criar fatos que mobilizem o grupo antes de pensar em tática. Depois da polêmica coletiva pós-Gre-Nal, a comissão técnica promoveu um churrasco de confraternização no CT Luiz Carvalho, reunindo jogadores, comissão e funcionários na última quarta-feira (14/10). A ideia é aliviar a pressão externa antes do confronto decisivo de domingo, contra o Cruzeiro.
Outra prática recorrente do treinador é ouvir os líderes do vestiário em momentos de decisão. Neste elenco, a lista de vozes respeitadas reúne nomes brasileiros e estrangeiros: Kannemann e Villasanti — os de mais tempo de clube —, além de Weverton, Marlon, Carlos Vinícius, Balbuena, Braithwaite, João Pedro e Marcos Rocha.
Renato também é conhecido por gestos simbólicos em momentos de crise. Em 2024, com o Grêmio no Z-4, o técnico convocou a imprensa para uma coletiva no CT, ao lado de Geromel e Kannemann, e terminou o encontro pedindo que o trio fosse fotografado de mãos dadas, prometendo a virada de temporada.
"Eu quero que vocês estampem nos jornais, enfim, em todos os lugares, para que o torcedor possa ver essa foto e seguir com a gente de mãos dadas. Porque somente com eles a gente vai sair dessa situação. E eu tenho certeza, volto a repetir, certeza absoluta que o Grêmio vai sair dessa situação." — Renato Portaluppi, em 2024
Na ocasião, o Grêmio engatou oito jogos de invencibilidade após o registro da foto. Nesta quinta-feira, outra prática do técnico entra em cena: um jogo-treino no CT Luiz Carvalho para dar ritmo aos atletas que não vêm atuando, com o Sindicato dos Atletas Profissionais do Rio Grande do Sul como adversário.
Ingressos com desconto para o duelo com o Cruzeiro
De olho em encher a Arena no domingo (18/10), às 16h, contra o Cruzeiro, o Grêmio ampliou as promoções de ingresso. Além do Sócio Cadeira/Arquibancada, que já tinha o benefício de levar um acompanhante, agora o Sócio Torcedor também pode levar alguém com o mesmo percentual de desconto do seu plano — quem tem 50% de desconto, por exemplo, garante o mesmo abatimento para o convidado.
Também houve redução de preços em setores específicos na comparação com o jogo anterior, contra o Palmeiras: o Gramado Oeste caiu de R$ 190 para R$ 100, o Gramado Leste foi de R$ 100 para R$ 85, e a Cadeira Gold passou de R$ 280 para R$ 190. A Arena já recebeu mais de 700 mil torcedores nesta temporada.
Público: Grêmio na frente do Inter nas arquibancadas
O fator casa aparece como uma das poucas cartas na manga para quem briga contra o rebaixamento, e aí o Grêmio leva vantagem sobre o rival. Após a 30ª rodada do Brasileirão, o Tricolor ocupa o 5º lugar em média de público na competição, com 30.894 torcedores por jogo, enquanto o Inter aparece na 13ª posição, com média de 21.601.
A capacidade da Arena, de 60 mil lugares originalmente, está hoje em 57 mil por razões de segurança — ainda assim, bem acima da média atual de público. Para o jogo de domingo contra o Cruzeiro, a expectativa é que o número supere os 50 mil presentes.
O que vem por aí: o Grêmio recebe o Cruzeiro na Arena, domingo (18/10), às 16h, com transmissão da RBS TV, em confronto que abre uma sequência de oito rodadas decisivas na luta contra o Z-4. O Inter, por sua vez, visita o Mirassol fora de casa na mesma rodada, tentando embalar a reação iniciada por Eduardo Baptista. Com apenas um ponto separando os dois clubes gaúchos da parte de cima da tabela, cada rodada a partir de agora carrega peso de decisão.